Infecção grave da membrana do cérebro pode deixar sequelas neurológicas permanentes e ter taxa de mortalidade de até 20%; pediatra orienta como identificar manchas na pele, rigidez de nuca e manter o esquema vacinal atualizado.
Febre alta, dor de cabeça, vômitos, sonolência e
irritabilidade podem, inicialmente, ser confundidos com manifestações de
doenças comuns na infância. Quando esses sintomas estão relacionados à
meningite bacteriana, porém, o quadro pode evoluir rapidamente e se tornar
fatal em até 24 horas. A rapidez no reconhecimento dos sinais e na procura por
atendimento médico é determinante para reduzir o risco de morte e de sequelas
permanentes.
A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o
cérebro e a medula espinhal. A doença pode ser provocada por vírus, bactérias,
fungos e outros agentes, mas a forma bacteriana é considerada a mais grave.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente uma em cada seis
pessoas que desenvolvem meningite bacteriana morre e uma em cada cinco pode
apresentar complicações importantes.
De acordo com a pediatra Dra. Paulla Couto, os sinais mais
conhecidos incluem febre alta, dor de cabeça intensa, vômitos, rigidez na nuca,
sensibilidade à luz, confusão e sonolência excessiva. Manchas avermelhadas ou
arroxeadas na pele que não desaparecem quando pressionadas também podem indicar
uma infecção meningocócica grave e exigem atendimento imediato.
“A meningite é uma emergência médica. Os pais não devem
esperar todos os sintomas aparecerem ou aguardar a criança melhorar em casa.
Diante de febre associada a prostração intensa, rigidez na nuca, alteração de
consciência, convulsões ou manchas na pele, a orientação é procurar
imediatamente um serviço de urgência”, alerta a pediatra.
Nos bebês, a identificação pode ser ainda mais difícil,
porque a rigidez na nuca nem sempre está presente. Irritabilidade intensa,
choro inconsolável, recusa alimentar, vômitos, sonolência fora do habitual,
dificuldade para despertar, moleira elevada e perda de interesse pelo ambiente
estão entre os sinais que merecem atenção.
“Os bebês não conseguem demonstrar onde sentem dor e podem
apresentar sintomas pouco específicos. Por isso, uma mudança repentina de
comportamento, especialmente quando acompanhada de febre, dificuldade para
mamar ou sonolência excessiva, nunca deve ser ignorada”, explica Paulla.
Além do atendimento rápido diante dos sintomas, a vacinação
é uma das principais formas de prevenção. O Calendário Nacional de Vacinação
contempla imunizantes que protegem contra diferentes agentes capazes de causar
meningite. Na rede pública, a vacina meningocócica C é aplicada aos três e
cinco meses, com reforço da meningocócica ACWY aos 12 meses. Adolescentes de 11
a 14 anos também devem receber uma dose da ACWY, conforme a situação vacinal.
Na rede privada, as sociedades brasileiras de Pediatria e de
Imunizações recomendam, sempre que possível, a utilização da vacina
meningocócica ACWY desde os primeiros meses de vida, ampliando a proteção
contra os meningococos dos tipos A, C, W e Y. O esquema e os reforços variam
conforme a idade em que a vacinação foi iniciada e devem ser definidos com
orientação médica.
O calendário privado também contempla a vacina meningocócica
B, que protege contra a doença provocada pelo meningococo do tipo B e não está
disponível rotineiramente na rede pública. Para crianças, a recomendação inclui
duas doses aos três e cinco meses e um reforço entre 12 e 15 meses. Quando a
vacinação começa em outra faixa etária, o número de doses e os intervalos
precisam ser ajustados.
Outras vacinas, como a BCG, a pentavalente e as
pneumocócicas, também ajudam a prevenir formas graves da doença causadas por
diferentes agentes. Como nenhum imunizante protege contra todas as possíveis
causas de meningite, a pediatra reforça que a vacinação não elimina a
necessidade de observar os sintomas e procurar atendimento diante de sinais de
alerta.
“Manter a caderneta atualizada reduz significativamente o
risco de algumas das formas mais graves da meningite. Os pais devem levar o
cartão às consultas pediátricas ou aos serviços de vacinação para verificar se
existe alguma dose em atraso e avaliar as vacinas complementares indicadas para
a idade, sem esperar o surgimento de casos próximos ou de campanhas
específicas”, orienta.
Quando existe suspeita da doença, não é recomendado oferecer
medicamentos por conta própria e aguardar a evolução em casa. A criança precisa
ser avaliada com urgência para que o diagnóstico e o tratamento sejam iniciados
o mais rápido possível. “Na meningite, cada hora pode fazer diferença.
Informação, vacinação e acesso rápido ao atendimento formam a principal rede de
proteção para as crianças”, conclui Dra. Paulla Couto.
Fonte: Dra. Paulla Couto | Pediatra.
Fontes dos dados: Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
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