sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Aumento de incêndios em prédios antigos: o perigo invisível da fiação pirata e a falta de reforma elétrica

Especialista alerta para os riscos de curtos-circuitos causados pelo uso de fios sem certificação do Inmetro e sobrecarga da rede elétrica em imóveis tradicionais, reforçando a importância do acompanhamento técnico em reformas.

 

O Brasil registrou 1.304 incêndios de origem elétrica em 2025, alta de quase 10% em relação às 1.186 ocorrências do ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade. As residências concentraram aproximadamente 47% dos casos, reforçando o alerta para instalações antigas, sobrecarga de circuitos e uso de materiais irregulares.

Imóveis construídos há décadas foram projetados para uma realidade com menos equipamentos elétricos. Atualmente, aparelhos de ar-condicionado, chuveiros potentes, fornos, secadoras, computadores e outros dispositivos funcionam muitas vezes ao mesmo tempo, aumentando a carga sobre redes que nem sempre foram atualizadas.

Segundo a designer de interiores Izabella Biancardine, especialista em iluminação, psicologia das cores e acompanhamento de obras, trocar revestimentos e móveis sem verificar as instalações pode esconder um risco importante. “Em uma reforma, não devemos olhar apenas para o que aparece. Antes de fechar paredes, instalar forros ou planejar novos equipamentos, é necessário entender se a rede elétrica comporta aquela demanda”, explica.

Entre os sinais de alerta estão disjuntores que desarmam com frequência, tomadas ou interruptores aquecidos, luzes piscando, cheiro de queimado e necessidade constante de utilizar extensões, adaptadores ou benjamins. Essas ocorrências podem indicar circuitos sobrecarregados, conexões inadequadas ou componentes deteriorados.

Outro risco está no uso de fios e cabos sem procedência. No Brasil, diferentes tipos de condutores utilizados em instalações residenciais estão sujeitos à certificação compulsória do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. Produtos fora das especificações podem apresentar quantidade de material condutor inferior à necessária, aquecer excessivamente e comprometer a segurança da instalação.

“O preço mais baixo pode parecer uma economia durante a obra, mas materiais sem certificação aumentam o risco de aquecimento e falhas. A instalação elétrica fica escondida depois da reforma, por isso é fundamental saber o que está sendo colocado dentro das paredes”, alerta Izabella Biancardine.

Izabella ressalta que o projeto de interiores precisa considerar a localização dos equipamentos, a quantidade de tomadas e a rotina dos moradores. Já a avaliação, o dimensionamento e a execução da instalação elétrica devem ser realizados por profissionais habilitados para essa finalidade.

Esse planejamento também evita improvisações posteriores. Quando não há tomadas suficientes ou circuitos compatíveis com os aparelhos, os moradores recorrem a extensões e adaptadores para conectar vários equipamentos no mesmo ponto, elevando o risco de sobrecarga.

Para Izabella Biancardine, imóveis antigos não precisam perder suas características para se tornarem mais seguros. “É possível preservar pisos, esquadrias e outros elementos afetivos, mas a infraestrutura precisa acompanhar as necessidades atuais. Segurança não deve ser tratada como acabamento opcional nem ficar para o fim do orçamento”, conclui.

 


Fonte: Izabella Biancardine — designer de interiores, especialista em iluminação, psicologia das cores e acompanhamento de obras.


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