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| Divulgação Acervo pessoal |
ONG Prematuridade.com reforça a importância de acolher emocionalmente os pais durante a internação dos bebês prematuros
Enquanto
o nascimento de um filho costuma ser associado ao primeiro colo, milhares de
pais de bebês prematuros vivem uma realidade completamente diferente. Em vez de
levar o bebê para casa, eles aprendem a conviver com incubadoras, ventilação
mecânica, monitores e longos dias de espera dentro da UTI Neonatal. Neste Dia
dos Pais, a ONG Prematuridade.com chama a atenção para uma dimensão ainda pouco
discutida da prematuridade: o impacto emocional da internação também sobre os
homens, que frequentemente assumem o papel de apoiar toda a família enquanto
silenciam seus próprios medos.
Foi
exatamente essa experiência que transformou a vida de Raul Araujo Nascimento, morador
de Itapevi (SP) e pai de Maria Stella, hoje com 2 anos e 6 meses. Ela nasceu
com apenas 30 semanas de gestação, pesando 1,160 kg, e permaneceu internada
durante 54 dias na UTI Neonatal.
O
que seria apenas a reta final da gestação mudou completamente quando a
companheira de Raul, Renata São Leão da Silva de Araujo, foi diagnosticada com
Síndrome HELLP, uma grave complicação da gravidez que exigiu atendimento
imediato.
"Em
questão de horas, nossa vida mudou completamente. Enquanto tentava compreender
tudo o que estava acontecendo, eu precisava ser forte por elas. Por dentro, o
medo era enorme. Foi uma das situações mais difíceis que já vivi", lembra.
Durante
toda a internação, a rotina da família passou a girar em torno da presença do
casal junto à pequena Maria Stella.
"Todos
os dias eu saía de casa às seis da manhã para levar minha esposa ao hospital
antes do trabalho. À noite, voltava para buscá-la e aproveitava os até o último
minuto para ver minha filha. Cada dia parecia uma eternidade, mas representava
mais um dia de esperança."
Na
UTI Neonatal, Raul descobriu que a palavra "progresso" ganhava um
novo significado.
"No
começo, nossa realidade era a ventilação mecânica, as transfusões de sangue, os
alarmes dos equipamentos e a incubadora. Depois, as vitórias passaram a ser
outras: ganhar alguns gramas, respirar melhor, mamar pela primeira vez, sair da
incubadora ou simplesmente receber da equipe a notícia de que ela estava
evoluindo", explica.
Mas
foi somente depois dessa jornada que veio o maior aprendizado da paternidade.
"Aprendi a respeitar o tempo da minha filha. Entendi que não fazia sentido compará-la com outras crianças. Cada conquista aconteceu quando ela estava pronta."
Para a ONG Prematuridade.com, esse relato representa a realidade de milhares de famílias brasileiras que enfrentam a prematuridade todos os anos. Embora a mãe seja naturalmente o foco da assistência durante a gestação e o pós-parto, os pais também atravessam um processo intenso de adaptação emocional, marcado pela insegurança, pelo medo e pela responsabilidade de sustentar a família enquanto acompanham a evolução do bebê.
"Na
maioria das vezes, o pai assume a responsabilidade de sustentar emocionalmente
a família e resolver todas as questões práticas, enquanto tenta lidar com os
próprios medos da internação e acompanhar a evolução do bebê. Ele também
precisa ser acolhido pelos serviços de saúde e pelas redes de apoio",
afirma Denise Suguitani, diretora executiva da ONG. “Reconhecer o pai como
parte ativa do cuidado beneficia não apenas a família, mas também o
desenvolvimento do bebê no longo prazo”, diz ela. "Mesmo quando o bebê
ainda está na incubadora, o pai pode participar dos cuidados, conversar com o
bebê, cantar para ele, tocá-lo quando permitido, ficar na posição canguru, pele
a pele, trocar fraldas, dar banho. Esse cuidado compartilhado beneficia toda a
família e contribui para que ele também construa sua identidade como pai",
conclui.
Neste
Dia dos Pais, a ONG Prematuridade.com reforça que a paternidade também é
construída dentro da UTI Neonatal. Ela começa nos dias de espera, nas pequenas
vitórias celebradas ao lado da equipe de saúde, no apoio à companheira e na
compreensão de que, para um bebê prematuro, cada conquista acontece no seu
próprio tempo. E que acolher esses pais também faz parte do cuidado com toda a
família
Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com

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