quinta-feira, 6 de agosto de 2026

"Aprendi a respeitar o tempo da minha filha": a lição que a prematuridade ensina a um pai

Divulgação
Acervo pessoal

ONG Prematuridade.com reforça a importância de acolher emocionalmente os pais durante a internação dos bebês prematuros

 

Enquanto o nascimento de um filho costuma ser associado ao primeiro colo, milhares de pais de bebês prematuros vivem uma realidade completamente diferente. Em vez de levar o bebê para casa, eles aprendem a conviver com incubadoras, ventilação mecânica, monitores e longos dias de espera dentro da UTI Neonatal. Neste Dia dos Pais, a ONG Prematuridade.com chama a atenção para uma dimensão ainda pouco discutida da prematuridade: o impacto emocional da internação também sobre os homens, que frequentemente assumem o papel de apoiar toda a família enquanto silenciam seus próprios medos. 

Foi exatamente essa experiência que transformou a vida de Raul Araujo Nascimento, morador de Itapevi (SP) e pai de Maria Stella, hoje com 2 anos e 6 meses. Ela nasceu com apenas 30 semanas de gestação, pesando 1,160 kg, e permaneceu internada durante 54 dias na UTI Neonatal. 

O que seria apenas a reta final da gestação mudou completamente quando a companheira de Raul, Renata São Leão da Silva de Araujo, foi diagnosticada com Síndrome HELLP, uma grave complicação da gravidez que exigiu atendimento imediato. 

"Em questão de horas, nossa vida mudou completamente. Enquanto tentava compreender tudo o que estava acontecendo, eu precisava ser forte por elas. Por dentro, o medo era enorme. Foi uma das situações mais difíceis que já vivi", lembra. 

Durante toda a internação, a rotina da família passou a girar em torno da presença do casal junto à pequena Maria Stella. 

"Todos os dias eu saía de casa às seis da manhã para levar minha esposa ao hospital antes do trabalho. À noite, voltava para buscá-la e aproveitava os até o último minuto para ver minha filha. Cada dia parecia uma eternidade, mas representava mais um dia de esperança." 

Na UTI Neonatal, Raul descobriu que a palavra "progresso" ganhava um novo significado. 

"No começo, nossa realidade era a ventilação mecânica, as transfusões de sangue, os alarmes dos equipamentos e a incubadora. Depois, as vitórias passaram a ser outras: ganhar alguns gramas, respirar melhor, mamar pela primeira vez, sair da incubadora ou simplesmente receber da equipe a notícia de que ela estava evoluindo", explica. 

Mas foi somente depois dessa jornada que veio o maior aprendizado da paternidade. 

"Aprendi a respeitar o tempo da minha filha. Entendi que não fazia sentido compará-la com outras crianças. Cada conquista aconteceu quando ela estava pronta." 

Para a ONG Prematuridade.com, esse relato representa a realidade de milhares de famílias brasileiras que enfrentam a prematuridade todos os anos. Embora a mãe seja naturalmente o foco da assistência durante a gestação e o pós-parto, os pais também atravessam um processo intenso de adaptação emocional, marcado pela insegurança, pelo medo e pela responsabilidade de sustentar a família enquanto acompanham a evolução do bebê. 

"Na maioria das vezes, o pai assume a responsabilidade de sustentar emocionalmente a família e resolver todas as questões práticas, enquanto tenta lidar com os próprios medos da internação e acompanhar a evolução do bebê. Ele também precisa ser acolhido pelos serviços de saúde e pelas redes de apoio", afirma Denise Suguitani, diretora executiva da ONG. “Reconhecer o pai como parte ativa do cuidado beneficia não apenas a família, mas também o desenvolvimento do bebê no longo prazo”, diz ela. "Mesmo quando o bebê ainda está na incubadora, o pai pode participar dos cuidados, conversar com o bebê, cantar para ele, tocá-lo quando permitido, ficar na posição canguru, pele a pele, trocar fraldas, dar banho. Esse cuidado compartilhado beneficia toda a família e contribui para que ele também construa sua identidade como pai", conclui. 

Neste Dia dos Pais, a ONG Prematuridade.com reforça que a paternidade também é construída dentro da UTI Neonatal. Ela começa nos dias de espera, nas pequenas vitórias celebradas ao lado da equipe de saúde, no apoio à companheira e na compreensão de que, para um bebê prematuro, cada conquista acontece no seu próprio tempo. E que acolher esses pais também faz parte do cuidado com toda a família

  

Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com 


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