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| Divulgação |
O edital que autoriza a produção dos livros didáticos em braille
para 2027 ainda não foi publicado, e a janela técnica para que o material
chegue às escolas no primeiro dia de aula já se fechou. O alerta é da Abridef
(Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia
Assistiva para Pessoas com Deficiência), que acompanha as pendências do governo
no acesso de pessoas com deficiência visual à educação. Para a entidade, o
cenário de 2027 repete o atraso registrado neste ano e já exige atenção.
Em 2026, pela primeira vez em quatro décadas do Programa Nacional
do Livro Didático (PNLD), estudantes cegos começaram o ano letivo sem o livro
adaptado. Em julho, o Ministério da Educação anunciou ter concluído a distribuição
do material, com 16.652 exemplares postados, número inferior ao registrado em
anos anteriores.
“É um contrassenso enorme. O governo diz ter solucionado o
problema deste ano, mas o edital para 2027 ainda não foi publicado, o que
coloca novamente a produção do material em risco”, explica Rodrigo Rosso,
presidente da Abridef.
Um livro em braille leva de seis a nove meses para
ficar pronto, entre transcrição, revisão por especialistas, impressão em relevo
e distribuição nacional. Por isso, o edital deveria sair entre maio e julho do
ano anterior, para que o material chegasse antes do início das aulas, em
fevereiro. Já estamos no fim de agosto de 2026 e o edital de 2027 segue sem
publicação. Cada semana de espera reduz o tempo disponível para produzir e
entregar os livros.
Números divergentes
O centro do problema é quantas crianças e jovens ficam para trás.
A Abridef estima, cruzando dados do IBGE, 45 mil estudantes cegos. O Censo Escolar,
do próprio MEC, identifica 6.996. Já o atendimento oficial citado pelo governo
no ciclo de 2026 foi de 3.940 alunos elegíveis. “Mesmo pelo número mais
conservador, o material alcança uma fração de quem tem direito”, calcula Rosso.
O dinheiro não é a trava. Atender todos os estudantes elegíveis
custaria cerca de R$40 milhões, ante os R$27 milhões destinados a 22,3 mil
livros no ciclo atual. Para a entidade, o que segura 2027 é uma etapa
administrativa: a publicação do edital.
A cada quinze dias, a Abridef refaz o mapa das pendências do
governo. Reúne com os fornecedores o status da produção, registra o que está
travado e acompanha os prazos para que o material seja produzido e distribuído.
É esse monitoramento contínuo que sustenta o alerta para 2027.
“Comemorar exemplares postados em 2026 não muda o essencial: o
edital de 2027 não saiu e a janela de produção já fechou. Não estamos diante de
um risco, e sim de um atraso que se repete. Cada semana sem publicação é uma
semana a menos para 45 mil crianças e jovens que dependem do braille para
estudar”, afirma Rosso.
O atraso também reforça uma diferença que começa antes mesmo de o
conteúdo chegar à sala de aula. Enquanto o estudante que enxerga recebe o livro
no início do ano letivo, o aluno cego pode começar as aulas sem o material
necessário para acompanhar o conteúdo.
“O aluno que enxerga recebe o livro no primeiro dia de aula, sem precisar pedir. O aluno cego não pode começar mais um ano ouvindo a aula enquanto espera o material que já deveria estar na carteira”, conclui Rosso.

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