quarta-feira, 15 de julho de 2026

Rinite e infecções respiratórias na gravidez: por que as gestantes sofrem mais no inverno e como tratar sem remédios proibidos?

Entenda como as alterações do sistema imunológico na gestação deixam a mulher mais vulnerável às baixas temperaturas e orienta sobre quais medicamentos são seguros para o feto.

 

O nariz entupido que não passa, os espirros seguidos e aquela sensação de estar sempre gripada costumam pegar muitas gestantes de surpresa assim que o frio chega. O que a maioria não sabe é que esse desconforto tem uma explicação que vai muito além do clima: durante a gravidez, o corpo passa por ajustes profundos no sistema imunológico para proteger o bebê em formação, e esse mesmo mecanismo de defesa acaba deixando a mulher mais suscetível a quadros respiratórios. Estima-se que cerca de 20% das gestantes desenvolvam algum tipo de alergia durante a gestação, sendo a rinite uma das queixas mais comuns nesse período.

 

Segundo o ginecologista Michael Zarnowski, esse aumento na vulnerabilidade não é uma falha do organismo, mas sim uma consequência natural das mudanças hormonais da gravidez. "O aumento dos níveis de estrogênio e progesterona eleva a vascularização das mucosas nasais, deixando essa região mais inchada e sensível. Ao mesmo tempo, o sistema de defesa da mulher se reorganiza para não rejeitar o bebê, o que reduz a capacidade do corpo de reagir com a mesma agilidade a vírus e alérgenos comuns do inverno", explica o especialista.

 

Essa combinação cria um cenário em que a gestante fica mais tempo com o nariz entupido, sente mais cansaço ao respirar e tem o sono prejudicado justamente na fase em que o descanso é fundamental para o desenvolvimento do bebê. O problema é que, na tentativa de aliviar rápido o incômodo, muitas mulheres recorrem a remédios que usavam antes de engravidar sem saber que boa parte desses medicamentos é contraindicada na gestação.


"Os descongestionantes nasais tradicionais, por exemplo, agem contraindo os vasos sanguíneos, e essa mesma ação vasoconstritora pode atravessar a placenta e comprometer a circulação que chega até o bebê. É um erro muito comum a gestante recorrer à mesma caixinha de remédio que usava antes da gravidez sem consultar o médico", alerta Zarnowski.

 

A boa notícia é que existem alternativas seguras e eficazes para aliviar o desconforto sem colocar o feto em risco. O uso de soro fisiológico em lavagens nasais frequentes, por exemplo, ajuda a higienizar e descongestionar as vias respiratórias sem qualquer efeito colateral. Manter a cabeceira da cama elevada durante o sono, se hidratar bem e evitar ambientes muito secos ou com ar-condicionado direto também são medidas simples que aliviam bastante os sintomas. Quando a situação exige medicação, o acompanhamento médico é o que define, com segurança, qual fármaco pode ser usado sem qualquer risco para o bebê.

 

"O recado mais importante é: gestante não deve se automedicar, mesmo diante de um sintoma que parece banal como um nariz entupido. Existem tratamentos seguros e eficazes para tratar a rinite e as infecções respiratórias na gravidez, mas eles precisam ser prescritos com critério, respeitando o momento da gestação e a saúde do bebê", conclui o ginecologista.

 

 

Fonte: Dr. Michael Zarnowski — Ginecologista especialista em Endometriose.

 

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