terça-feira, 14 de julho de 2026

Principal causa de cegueira tratável, catarata afeta 25% dos brasileiros acima de 50 anos

Oftalmologista alerta que esperar a doença avançar prejudica a qualidade de vida e torna o procedimento mais arriscado; diagnóstico precoce permite corrigir até graus antigos de visão

 

A catarata atinge cerca de 25% dos brasileiros com mais de 50 anos, o que representa mais de 14 milhões de pessoas, segundo levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal causa de cegueira tratável no mundo, a doença ainda esbarra em desafios que vão além do envelhecimento populacional: o diagnóstico tardio e a desinformação. Um dos principais obstáculos é a crença popular de que é necessário esperar a catarata "amadurecer" para realizar a cirurgia, um mito que atrasa o tratamento e aumenta os riscos para o paciente.

"Essa ideia vem da época em que a técnica cirúrgica era mais rudimentar e a catarata muito avançada facilitava a remoção, já que o cristalino era retirado inteiro", explica o Dr. Hallim Féres Neto, oftalmologista, diretor da Prisma Visão e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). "Hoje é o contrário: a catarata 'madura' demais torna a cirurgia mais trabalhosa, aumenta o tempo de ultrassom e o risco de complicações. A indicação atual é funcional, operamos quando a catarata começa a atrapalhar a vida do paciente, seja para dirigir, ler ou trabalhar."

Os primeiros sinais de que a visão está sendo comprometida incluem embaçamento que não melhora com a troca dos óculos, sensibilidade à luz, dificuldade para dirigir à noite, cores desbotadas e trocas frequentes de grau. Adiar a busca por ajuda médica ao notar esses sintomas tem impacto direto na qualidade de vida e na segurança."A catarata muito avançada endurece, exigindo mais energia de ultrassom na cirurgia e aumentando o risco de complicações. Em casos extremos, pode causar glaucoma e inflamação ocular", alerta o médico. Ele lembra ainda que estudos mostram que idosos com catarata não operada sofrem mais quedas, fraturas e isolamento social. "Não faz sentido adiar quando há indicação", pontua.

Além de reverter a perda de visão substituindo a lente natural opaca (cristalino) por uma lente artificial transparente, a cirurgia moderna tornou-se também uma oportunidade para a correção de erros refrativos. Durante o procedimento, é possível corrigir graus de miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia (vista cansada) que o paciente carregou a vida inteira.

"Muitos pacientes enxergam melhor depois da cirurgia do que enxergavam com óculos antes da catarata", destaca o Dr. Hallim. Ele pondera, no entanto, que o objetivo realista é alcançar a melhor visão possível para a faixa etária do paciente, e não "devolver a visão dos 20 anos de idade". Além disso, pessoas com doenças na retina, glaucoma avançado ou córneas muito irregulares geralmente não são boas candidatas às lentes multifocais, tendo como prioridade a qualidade visual e não a independência total dos óculos.

Para garantir o melhor resultado, a definição da lente intraocular exige uma avaliação minuciosa e personalizada. "É uma decisão conjunta entre médico e paciente. Do lado técnico, avaliamos exames como biometria, topografia da córnea e saúde da retina. Do lado pessoal, entram o estilo de vida e as prioridades do paciente: quem dirige muito à noite tem necessidades diferentes de quem passa o dia lendo ou no computador", detalha o oftalmologista.

O mercado oferece opções que vão desde as lentes monofocais até as de foco estendido (EDOF) e trifocais, cada uma com vantagens e limitações específicas em relação ao alcance visual e a possíveis efeitos noturnos, como halos de luz. "O paciente precisa entender todos os detalhes antes da cirurgia, não depois", conclui o especialista. 



Dr. Hallim Féres Neto - Oftalmologista Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Instagram: drhallim
Portal: https://www.drhallim.com.br


Nenhum comentário:

Postar um comentário