Para o advogado criminalista Juarez da Silva, a prevenção começa com o reconhecimento dos primeiros sinais de violência, permitindo que a rede de proteção atue antes que o crime aconteça.
A maioria dos feminicídios não acontece
sem aviso. Antes do crime, é comum que as vítimas enfrentem ameaças, agressões,
perseguições e outros episódios de violência que, muitas vezes, poderiam
indicar o risco de um desfecho fatal. Com base nesse cenário, uma iniciativa
desenvolvida no Rio Grande do Sul busca identificar precocemente esses sinais
para orientar a atuação das autoridades e da rede de proteção, reforçando a
prevenção como ferramenta essencial no enfrentamento à violência contra a
mulher.
Para o advogado criminalista Juarez
da Silva, a iniciativa representa um avanço importante porque reforça que o
combate ao feminicídio deve começar antes que o crime aconteça.
"O
feminicídio dificilmente ocorre de forma inesperada. Na maioria dos casos
existe uma escalada da violência, marcada por ameaças, intimidações e agressões
sucessivas. Quando conseguimos identificar esse processo, aumentamos
significativamente as possibilidades de proteger a vítima antes que ela seja
assassinada", afirma.
A proposta representa uma mudança na
forma de lidar com os casos de violência doméstica. Em vez de concentrar
esforços apenas após a ocorrência do crime, o projeto aposta na identificação
de fatores de risco para permitir intervenções antecipadas, ampliando a
proteção às vítimas e reduzindo as chances de que a violência evolua para o
feminicídio.
Ao identificar esses sinais ainda nas
primeiras ocorrências, a expectativa é que os órgãos de segurança pública, o
Poder Judiciário e toda a rede de atendimento possam agir de forma mais rápida
e eficiente para interromper esse ciclo.
Na avaliação do especialista,
iniciativas como a desenvolvida no Rio Grande do Sul mostram uma mudança
importante na política de enfrentamento à violência contra a mulher, ao
priorizar a prevenção em vez da simples reação ao crime.
"Cada
feminicídio representa uma sequência de oportunidades perdidas de intervenção.
Quando identificamos corretamente os fatores de risco, conseguimos agir antes
que a violência se torne irreversível. É esse o caminho que precisa ser
fortalecido em todo o país."
Para Juarez da Silva, a identificação
precoce dos sinais de risco também contribui para o aprimoramento das políticas
públicas.
"A prevenção
exige inteligência, planejamento e atuação integrada. Quanto mais cedo o poder
público reconhecer que determinadas condutas representam risco real para a vida
da mulher, maior será a capacidade de proteger vítimas, responsabilizar
agressores e evitar que novos feminicídios aconteçam. Salvar vidas começa muito
antes da investigação de um homicídio; começa na capacidade de reconhecer os
primeiros sinais da violência", conclui.
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