Cirurgião
vascular alerta para o preconceito que afasta o público masculino dos
consultórios, transformando um problema circulatório tratável em quadros graves
de úlceras de difícil cicatrização nas pernas.
Existe uma crença antiga e perigosa circulando entre os homens: a de que varizes são "coisa de mulher". Esse pensamento, alimentado por décadas de associação da doença à estética feminina, tem um custo alto para a saúde masculina. Embora a condição atinja majoritariamente as mulheres, cerca de 76% dos casos, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, os homens que desenvolvem o problema costumam demorar muito mais para buscar ajuda, e é exatamente esse atraso que transforma uma doença simples de tratar em quadros graves de úlceras e trombose.
O cirurgião vascular Henrique Abreu explica que o comportamento masculino diante da doença segue um padrão bem definido nos consultórios. Enquanto as mulheres costumam procurar tratamento ainda na fase dos primeiros vasinhos, muitas vezes motivadas pela vaidade, os homens só aparecem quando o quadro já evoluiu de forma silenciosa por anos.
"É muito comum o paciente homem chegar ao consultório com varizes de grosso calibre, a perna já escurecida ou até com uma ferida aberta que não fecha. Quando pergunto há quanto tempo ele sente aquele peso ou aquele inchaço na perna, a resposta quase sempre é 'ah, tem uns bons anos'", relata o especialista.
Esse silêncio prolongado tem uma explicação cultural clara. Por trás da demora, existe a ideia arraigada de que o homem, como provedor, não pode se dar ao luxo de parar por um problema de saúde antes que ele se torne incapacitante, somada à crença de que veias dilatadas são apenas uma questão estética que não diz respeito a eles. O problema é que, enquanto esse desconforto é ignorado, a doença segue avançando por dentro, comprometendo a circulação de forma progressiva.
"As varizes não tratadas seguem um
curso degenerativo. Com o tempo, a pressão constante nas veias comprometidas
provoca escurecimento da pele, ressecamento e, em muitos casos, feridas que
demoram meses para cicatrizar, quando cicatrizam. Além disso, o sangue
represado nessas veias dilatadas cria terreno fértil para a formação de
coágulos, o que aumenta significativamente o risco de trombose", alerta
Henrique Abreu.
O médico reforça que os sinais de alerta são simples de identificar e não deveriam ser tolerados por tanto tempo. Sensação de peso ou cansaço nas pernas ao final do dia, inchaço recorrente, veias visivelmente dilatadas e escurecimento da pele na altura dos tornozelos são sintomas que já indicam a necessidade de uma avaliação vascular, independentemente do gênero de quem os sente.
A boa notícia, segundo o especialista, é que o medo de um tratamento invasivo e demorado também está ultrapassado. As técnicas atuais para o tratamento de varizes são minimamente invasivas, com recuperação rápida e sem a necessidade de longos períodos de afastamento, o que deveria funcionar como um convite, e não um obstáculo, para os homens que ainda adiam essa consulta.
"Quanto antes o homem quebrar esse tabu e procurar o cirurgião vascular, mais simples é o tratamento e menor é o risco de complicações graves. Cuidar da circulação das pernas não é uma questão de vaidade, é prevenção de verdade. Ignorar o problema não o faz desaparecer, só dá tempo para que ele se agrave", conclui Henrique Abreu.
Fonte: Dr. Henrique Abreu - Especialista em Cirurgia
Vascular
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