Com o desejo de viajar em alta entre os brasileiros durante as férias escolares, especialista explica como avaliar se recorrer ao crédito é uma decisão que cabe no orçamento
Com a chegada das
férias escolares de julho, muitos brasileiros aproveitam o período para tirar
do papel o plano de viajar. Depois de anos em que muitas famílias priorizaram
outras despesas, o turismo voltou a ganhar espaço no planejamento financeiro.
Uma pesquisa da Booking.com mostra que 94% dos brasileiros pretendem fazer pelo
menos uma viagem neste ano, principalmente para descansar, conhecer novos
destinos ou passar mais tempo com a família. Ao mesmo tempo, o custo da viagem
ainda é um desafio e faz com que muita gente procure alternativas para
transformar esse plano em realidade. É nesse momento que surge a dúvida: vale a
pena fazer um empréstimo para viajar?
Para Marco Afonso,
especialista de negócios da Simplic, a resposta depende do planejamento.
"Não existe uma resposta que sirva para todo mundo. O empréstimo é uma
possibilidade real e vantajosa quando faz parte de um planejamento financeiro e
as parcelas cabem no orçamento, especialmente se comparado a múltiplos gastos
no rotativo do cartão, que podem favorecer dívidas muito maiores. O problema é
quando a decisão é tomada por impulso, sem avaliar como essa dívida vai afetar
as finanças depois das férias."
Segundo Afonso, o
planejamento financeiro deve começar antes mesmo da contratação do crédito.
Para isso, alguns cuidados podem fazer diferença na organização do orçamento e
evitar que a viagem se transforme em uma preocupação financeira após o retorno:
Faça
um levantamento completo dos custos da viagem
Além do valor das
passagens e da hospedagem, é importante incluir gastos com alimentação,
transporte no destino, passeios, compras e uma margem para imprevistos. Ter uma
visão completa do orçamento ajuda a evitar surpresas e reduz o risco de voltar
das férias com despesas maiores do que o esperado.
"O maior erro
é calcular apenas o valor da passagem e da hospedagem. Quando se chega ao
destino, existem muitos outros gastos que não estavam previstos. Se esse
planejamento não for feito antes, existe o risco de voltar da viagem com uma
dívida maior do que o esperado", comenta o executivo.
Comparar
opções de crédito
Mais do que
organizar o orçamento, comparar as opções de crédito também faz diferença. Em
muitos casos, o consumidor utiliza automaticamente o limite do cartão de
crédito ou entra no rotativo sem perceber que o crédito bem planejado pode ser
mais econômico e oferecer condições mais transparentes.
Avalie
o impacto das parcelas no orçamento futuro
Outro ponto que
merece atenção é o impacto das parcelas no orçamento futuro. Segundo dados mais
recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
(CNC), o endividamento das famílias brasileiras continua elevado em 2026, o que
reforça a importância de avaliar cuidadosamente qualquer nova dívida antes de
assumir um compromisso financeiro.
"O empréstimo
deve ser uma decisão planejada, e não uma resposta ao impulso de viajar. Antes
de contratar qualquer linha de crédito, é fundamental entender se esse
compromisso faz sentido dentro da realidade financeira da família e se as
parcelas continuarão cabendo no orçamento mesmo após o retorno das
férias", explica o especialista.
Reserve
uma quantia para imprevistos
Cancelamentos,
despesas médicas, mudanças de roteiro ou oscilações no câmbio, no caso de
viagens internacionais, podem gerar custos extras. Contar com uma pequena
reserva reduz a necessidade de recorrer a novos empréstimos ou ao cartão de
crédito durante a viagem.
Com o turismo
aquecido e o desejo de viajar impulsionado pelas férias escolares, Afonso
reforça que o crédito pode ser um grande aliado quando utilizado de forma
consciente. Mais do que encontrar a menor parcela, a principal decisão continua
sendo entender se aquele compromisso financeiro realmente cabe no orçamento e
permitirá aproveitar as férias sem comprometer a tranquilidade nos meses
seguintes.
Simplic
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