sexta-feira, 31 de julho de 2026

É normal sentir tristeza ao amamentar? Chocolate faz mal ao bebê? Esclarecidos 10 mitos e verdades sobre a amamentação

divulgação
 Especialista do Hospital Pasteur esclarece as dúvidas mais comuns sobre a amamentação e explica o que a ciência diz sobre temas como leite fraco, chocolate, silicone, cerveja preta e medicamentos 

 

Agosto é o mês de conscientização sobre a importância do aleitamento materno. A campanha Agosto Dourado reforça o papel essencial do leite materno para a saúde e o desenvolvimento dos bebês. Considerado o alimento mais completo nos primeiros meses de vida, ele fornece todos os nutrientes necessários, fortalece o sistema imunológico e cria um vínculo especial entre mãe e filho.

 

Além dos benefícios individuais, a amamentação reduz o risco de internações, ajuda a prevenir doenças e contribui para uma sociedade mais saudável. Em 2026, a Semana Mundial do Aleitamento Materno terá como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”. 

Segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), a taxa de amamentação exclusiva em bebês de até seis meses alcançou 45,8% no Brasil. O avanço é expressivo. Em 2006, o índice era de 37,1% e, há cerca de 40 anos, era de apenas 4,7%. 

Apesar da evolução, ainda há desafios. O aleitamento materno continuado até os dois anos de idade foi registrado em 35,5% das crianças, abaixo da meta de 60% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O índice foi maior no Nordeste, com 48%, e menor no Sudeste, com 23,4%. Entre 12 e 15 meses, mais da metade das crianças, 52,1%, ainda era amamentada. O percentual cai para 43% entre 16 e 19 meses e para 35,5% entre 20 e 23 meses. 

Embora seja um processo natural, a amamentação exige esforço físico, emocional e social. Por isso, a rede de apoio, formada por parceiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e pela comunidade, desempenha papel fundamental no acolhimento e no suporte às mães durante esse período. 

Dentro desse contexto, muitas mulheres enfrentam dúvidas e inseguranças. A coordenadora de Enfermagem do Hospital Pasteur, da Rede Total Care, Juliana Lima, esclarece 10 dos principais mitos e verdades sobre a amamentação.

 

1. Amamentar ajuda a prevenir o câncer de mama e de ovário?  

Sim. A amamentação previne o câncer de mama e de ovário principalmente ao reduzir a exposição da mulher aos hormônios estrogênio e progesterona. Durante a lactação, ocorre a inibição da ovulação e uma queda natural na produção hormonal. Além disso, o processo estimula a renovação e eliminação de células mamárias que poderiam apresentar alterações.

 

2. É normal sentir tristeza, irritabilidade, ansiedade ou inquietação durante a amamentação?  

Sim. Algumas mulheres podem apresentar a chamada disforia da ejeção do leite, caracterizada por sentimentos repentinos de angústia, irritação, tristeza ou ansiedade segundos antes da descida do leite. Geralmente, a sensação dura poucos minutos e desaparece espontaneamente. Caso seja intensa ou persistente, é importante procurar orientação profissional.

 

3. Algumas mulheres produzem “leite fraco”?  

Não. Esse é um dos maiores mitos sobre a amamentação. O leite materno começa a ser produzido entre a 16ª e a 20ª semana de gestação e é naturalmente adaptado às necessidades de cada bebê, variando sua composição ao longo da mamada e conforme o crescimento da criança. Quando o bebê parece insatisfeito, o problema costuma estar relacionado à pega inadequada, à baixa frequência das mamadas ou a outras dificuldades na amamentação, e não à qualidade do leite.

 

4. É preciso beber muito líquido para produzir mais leite?  

Não. Mulheres que amamentam devem manter uma boa hidratação, de acordo com suas necessidades. O excesso de líquidos não aumenta a produção de leite. O principal estímulo para a produção é a sucção frequente do bebê.

 

5. É proibido comer chocolate durante a amamentação?  

Não. O chocolate pode ser consumido com moderação. Não há necessidade de restringi-lo, salvo orientação médica específica, caso o bebê apresente alguma reação relacionada à alimentação materna.

 

6. Cerveja preta aumenta a produção de leite?  

Mito. Não existe evidência científica de que a cerveja preta aumente a produção de leite. Pelo contrário, o álcool passa para o leite materno e pode dificultar a ejeção do leite. Durante a amamentação, o consumo de bebidas alcoólicas deve ser evitado.

 

7. Mulheres com prótese de silicone não podem amamentar?  

Mito. Na maioria dos casos, a prótese de silicone não impede a amamentação. O sucesso depende principalmente da técnica utilizada na cirurgia e da preservação dos ductos e nervos da mama.

 

8. Quem usa medicamentos para ansiedade ou depressão precisa interromper a amamentação?  

Nem sempre. Muitos medicamentos utilizados para tratar ansiedade e depressão são compatíveis com a amamentação. Suspender o tratamento por conta própria pode trazer riscos à saúde da mãe. A decisão deve sempre ser tomada em conjunto com o médico.

 

9. O leite materno é o melhor cicatrizante para rachaduras nos mamilos?  

Sim. O leite materno contém substâncias que podem auxiliar na cicatrização e, em alguns casos, pode ser aplicado nos mamilos após as mamadas. No entanto, o mais importante é identificar e corrigir a causa das rachaduras, geralmente relacionada à pega ou ao posicionamento do bebê. Se as lesões persistirem, é fundamental buscar ajuda profissional.

 

10. Amamentar dói, mesmo quando a pega está correta?  

Não. Nos primeiros dias pode haver uma leve sensibilidade enquanto as mamas se adaptam. No entanto, dor intensa, persistente ou rachaduras não são consideradas normais. Quando a pega está correta, a amamentação tende a ser confortável. Se houver dor, é importante avaliar a posição do bebê, a pega e outras possíveis causas para corrigir o problema o quanto antes.

 

Busca de apoio  

Futuras mães, muitas delas de primeira viagem, encontram apoio e informação no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro. Desde 2020, mais de 2 mil gestantes já participaram do curso gratuito promovido pelo Hospital Pasteur. Somente no último ano, mais de 400 mulheres foram atendidas pela iniciativa, que incentiva e apoia o aleitamento materno. 

Aberto à comunidade, independentemente de possuir plano de saúde, o curso funciona como uma rede de acolhimento e orientação para mulheres que se preparam para a chegada do bebê. O objetivo é oferecer informação qualificada e apoio emocional durante a gestação e o puerpério. 

A programação inclui palestras ministradas por obstetras, pediatras, nutricionistas e enfermeiras especialistas, que abordam o manejo clínico da amamentação, a pega correta, as posições para amamentar e estratégias para superar os principais desafios do pós-parto, promovendo um aleitamento mais seguro. 

Também são discutidos temas como gestação, parto, puerpério e cuidados com o recém-nascido. Os encontros ainda oferecem espaço para esclarecimento de dúvidas e desconstrução de crenças comuns relacionadas à maternidade. 

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo e-mail cursogestantepasteur@amil.com.br.

 

Rede Total Care

 

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