Cuidados simples dentro de casa podem
reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida, explica especialista.
Celebrado em 8 de julho, o Dia Mundial da Alergia reforça a importância da conscientização sobre as doenças alérgicas que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a rinite alérgica é uma das doenças mais frequentes. A otorrinolaringologista, alergista e imunologista, Dra. Mila Almeida, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), explica que essa doença é uma inflamação da mucosa que reveste o nariz, provocada por uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias normalmente inofensivas no ambiente, como ácaros da poeira domiciliar, fungos, pólens e pelos de animais. “Os principais sintomas são os espirros repetidos, a coriza, a obstrução nasal e a coceira no nariz, nos olhos, no céu da boca e até nos ouvidos. Além disso, algumas pessoas também podem apresentar tosse, principalmente devido ao gotejamento de secreção pela parte posterior do nariz.”
Apesar
de bastante comum, nem toda rinite é de origem alérgica. De acordo com a
especialista, existem outros tipos, como a rinite infecciosa, medicamentosa,
hormonal, gestacional, gustativa, desencadeada por alimentos quentes ou
condimentados, além da provocada por irritantes ambientais, como mudanças
bruscas de temperatura, fumaça e perfumes fortes. “É por isso que o diagnóstico
correto é fundamental para indicar o tratamento mais adequado”, ressalta, ao
destacar que outro ponto importante é diferenciar a rinite de outras doenças
respiratórias que apresentem sintomas semelhantes. “A gripe, causada pelo vírus
influenza, costuma provocar febre, dores no corpo, mal-estar intenso e outros
sintomas importantes. Já a sinusite, corresponde à inflamação dos seios da
face, provocando, geralmente, congestão nasal intensa, secreção mais espessa,
dor na face e redução do olfato.”
Pequenos
cuidados que fazem a diferença
Embora muitas vezes a rinite alérgica seja encarada como um problema simples, ela pode comprometer de maneira significativa a qualidade de vida. Além de prejudicar o sono, a concentração e o rendimento nas atividades do dia a dia, quando não tratada adequadamente pode favorecer o agravamento de outras doenças respiratórias, especialmente a asma e a conjuntivite alérgica. “O diagnóstico deve considerar a história clínica do paciente, os fatores ambientais e os antecedentes familiares. Além disso, testes alérgicos e exames laboratoriais podem auxiliar na identificação da causa da alergia”, afirma.
Segundo a médica, o tratamento é individualizado e inclui medidas de controle ambiental, lavagem nasal com solução salina, uso de sprays nasais com corticoides para controlar a inflamação e, quando necessário, medicamentos antialérgicos para aliviar os sintomas. Em alguns casos, a imunoterapia específica, conhecida popularmente como “vacina para alergia”, pode ser indicada. De acordo com a especialista, esse é o único tratamento capaz de modificar o curso natural da doença alérgica, promovendo tolerância aos alérgenos que desencadeiam os sintomas. “Além de reduzir a intensidade e a frequência das crises, a imunoterapia pode diminuir o risco de progressão da rinite alérgica para asma e prevenir complicações, como a ceratoconjuntivite alérgica, proporcionando melhor qualidade de vida a longo prazo.”
Com a chegada do Inverno, período em que as alergias respiratórias costumam se intensificar, alguns cuidados ajudam a reduzir a exposição aos alérgenos presentes nas residências. Dra. Mila revela que manter os ambientes limpos, ventilados e bem arejados, lavar roupas guardadas há algum tempo antes de usá-las, evitar varrer a casa, optando por um aspirador com filtro HEPA ou apenas passar pano, evitar tapetes, cortinas de tecido, bichos de pelúcia entre outros objetos que acumulam poeira são medidas que fazem a diferença, assim como utilizar capas impermeáveis aos ácaros em colchões e travesseiros e evitar o uso de ventiladores, dando preferência ao ar-condicionado, desde que o filtro seja limpo regularmente. Caso a residência possua animais de estimação, o purificador de ar é o mais indicado. “Medidas simples como essas podem proporcionar uma melhora significativa na qualidade de vida das pessoas com rinite alérgica. Além disso, o acompanhamento médico regular é fundamental para mantê-la controlada e prevenir complicações respiratórias”, finaliza.
Dra. Mila Almeida
CRM-BA 23626
RQE 14798 e 14799
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