Em celebração ao Dia Mundial do Cérebro (22), especialista aponta o impacto do estresse, da ansiedade e da falta de sono no cérebro e oferece dicas de como melhorar a saúde do mesmo
Com o aumento dos casos de ansiedade, depressão e outros
transtornos mentais, a saúde do cérebro tem ganhado cada vez mais destaque nas
discussões sobre qualidade de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS), cerca de 970 milhões de pessoas convivem com algum transtorno mental no
mundo, o equivalente a, aproximadamente, uma em cada oito pessoas.
Esse cenário é agravado pelo estilo de vida moderno, marcado por
rotinas aceleradas, excesso de estímulos e alta carga emocional, que tem levado
milhões de pessoas ao limite do esgotamento físico e mental. O cérebro, órgão
mais complexo do corpo humano, é diretamente afetado por esses fatores.
“O estresse contínuo altera profundamente o funcionamento
cerebral. Ele muda a forma como pensamos, sentimos, reagimos e até como nosso
corpo responde a doenças”, explica Dr.André Carvalho Felício, médico e
coordenador do Departamento de Neurologia da Afya Educação Médica de Ribeirão
Preto.
De acordo com o especialista, viver sob constante tensão ativa a
amígdala, estrutura que funciona como um sistema de alarme interno, colocando o
cérebro em estado de alerta, como se a pessoa estivesse diante de uma ameaça
real. Isso leva a reações intensas de medo, raiva ou ansiedade, muitas vezes
sem o devido controle racional.
Além disso, o estresse crônico reduz a atividade do córtex
pré-frontal, região do cérebro responsável pelo pensamento lógico,
planejamento, empatia e tomada de decisões. “Com essa parte funcionando menos,
tendemos a agir por impulso e a tomar decisões das quais podemos nos arrepender
depois. É como se perdêssemos temporariamente a capacidade de pensar com
clareza”, afirma o neurologista.
No entanto, há caminhos para fortalecer a saúde cerebral, e um dos
principais está na neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se
reorganizar, formando novas conexões neurais ao longo da vida. Essa habilidade
é especialmente estimulada por meio de experiências sensoriais no
desenvolvimento infantil, mas também pode ser potencializada em qualquer fase
da vida por meio de hábitos saudáveis. O especialista indica alguns desses
hábitos:
1. Reduza o estresse com pausas e respiração consciente
Faça pausas curtas durante o dia, respire fundo, e pratique
atividades que relaxem o sistema nervoso, como meditação, ioga ou caminhadas ao
ar livre.
2. Alimente-se bem
Inclua alimentos ricos em ômega-3 (como peixes e sementes),
antioxidantes (frutas vermelhas, vegetais verde-escuros) e evite
ultraprocessados, que inflamam o corpo e afetam o humor.
3. Priorize o sono de qualidade
Evite telas antes de dormir, mantenha horários regulares e garanta
um ambiente escuro e silencioso. O ideal são 7 a 9 horas de sono por noite.
4. Exercite o cérebro com novos aprendizados
Aprender um idioma, tocar um instrumento ou resolver desafios
cognitivos estimula a formação de novas conexões neurais.
5. Mantenha o corpo em movimento
A atividade física libera substâncias benéficas como endorfinas e
BDNF, uma proteína que protege os neurônios.”
6. Construa vínculos afetivos
Relacionamentos saudáveis reduzem o risco de depressão e oferecem
suporte emocional essencial ao equilíbrio cerebral.
7. Pratique atividades prazerosas
Ouvir uma boa música, assistir a um filme agradável, estar com
outras pessoas, passear com seu pet, cozinhar seu prato favorito, entre outras
são atividades às quais estimulam a dopamina, serotonina ou prolactina,
fundamentais para nossa saúde mental.

Nenhum comentário:
Postar um comentário