sexta-feira, 10 de julho de 2026

Câncer ósseo: nem toda dor nas pernas é "dor do crescimento"

Quando o sintoma pode indicar algo mais grave?

 

É comum que crianças e adolescentes reclamem de dores nas pernas, principalmente após um dia de muitas brincadeiras ou atividades físicas. Em boa parte dos casos, o desconforto faz parte do desenvolvimento e é conhecido popularmente como "dor do crescimento". O problema é que atribuir toda dor ao desenvolvimento pode retardar o diagnóstico de doenças mais graves, entre elas o câncer ósseo. 

No Mês de Conscientização sobre o Câncer Ósseo, o oncologista Humberto Matos, médico do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IO), faz um alerta: embora os tumores ósseos sejam raros, é fundamental conhecer os sinais que diferenciam uma dor benigna de uma condição que exige investigação. "A dor do crescimento costuma ocorrer nas duas pernas, geralmente no fim do dia, e não impede que a criança ou o adolescente corra, pule e brinque normalmente durante o dia. Quando essas características mudam, é importante investigar", explica.

 

Quando a dor deixa de ser normal? 

Entre os principais sinais de alerta estão dor em apenas uma perna, persistente por semanas ou meses, que aumenta de intensidade, provoca dificuldade para caminhar, além de inchaço ou vermelhidão no local. 

Outro aspecto que merece atenção é a dor que desperta a criança ou o adolescente durante a noite. "Esse é um sintoma importante porque a dor ocorre mesmo sem movimento ou esforço físico. Em alguns casos, o crescimento do tumor pode aumentar a pressão dentro do osso e das estruturas ao redor, provocando dor até mesmo durante o repouso", destaca o especialista. 

Além da dor localizada, alguns sintomas gerais também devem ser valorizados, como fadiga, febre sem causa aparente, perda de peso e o aparecimento de um abaulamento na região dolorida.

 

O erro que mais atrasa o diagnóstico 

De acordo com o médico, o principal motivo para o atraso no diagnóstico do câncer ósseo é a desvalorização da queixa. "Muitas vezes, uma dor persistente e progressiva é interpretada apenas como dor do crescimento, quando, na realidade, pode estar mascarando uma condição mais séria", explica. 

A recomendação é que os pais procurem avaliação médica sempre que a dor não melhorar, comprometer as atividades diárias da criança ou ocorrer apenas em um dos membros. O primeiro especialista indicado para essa investigação é o ortopedista, que poderá realizar a avaliação clínica e, quando necessário, solicitar exames de imagem para esclarecer a causa do sintoma. Havendo suspeita de tumor ósseo, o paciente deve ser encaminhado para um serviço oncológico especializado.

Embora o câncer ósseo represente uma pequena parcela dos tumores pediátricos, reconhecer precocemente os sinais de alerta pode fazer diferença no diagnóstico e no início do tratamento, aumentando as chances de melhores resultados.

 

Instituto de Oncologia de Sorocaba

 

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