terça-feira, 14 de julho de 2026

Burnout: exaustão constante e perda de interesse pelo trabalho podem indicar síndrome que afeta cada vez mais brasileiros

Especialista alerta que sintomas muitas vezes confundidos
com “cansaço normal” podem ser sinais de um quadro de
esgotamento relacionado ao trabalho e que exige atenção.
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Especialista alerta que sintomas muitas vezes confundidos com “cansaço normal” podem ser sinais de um quadro de esgotamento relacionado ao trabalho e que exige atenção 

Especialista alerta que sintomas muitas vezes confundidos com “cansaço normal” podem ser sinais de um quadro de esgotamento relacionado ao trabalho e que exige atenção

 

Depois de um dia intenso de trabalho, sentir-se cansado é esperado. O problema começa quando o descanso deixa de ser suficiente para recuperar as energias. Acordar já exausto, perder a motivação para atividades que antes faziam sentido, apresentar dificuldade para se concentrar e sentir que o rendimento caiu de forma significativa são sinais que podem indicar mais do que o desgaste da rotina. Em alguns casos, esses sintomas podem estar relacionados à Síndrome de Burnout, condição associada ao estresse crônico no ambiente de trabalho.

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional, a síndrome é caracterizada por três dimensões principais: sensação de esgotamento ou exaustão de energia; aumento do distanciamento mental ou sentimentos negativos em relação ao trabalho; e redução da eficácia profissional. O Ministério da Saúde destaca que o Burnout é resultado da exposição prolongada a situações de trabalho emocionalmente desgastantes.

O tema tem ganhado relevância diante do crescimento dos afastamentos por transtornos mentais no país. Dados da Previdência Social apontam um aumento expressivo nas concessões de benefícios por incapacidade relacionados à saúde mental nos últimos anos, refletindo uma realidade que impacta trabalhadores, empresas e o sistema de saúde. Especialistas avaliam que parte desse crescimento também está relacionada à maior conscientização sobre o diagnóstico e à procura por atendimento especializado.

Para a psicóloga e docente do curso de Psicologia da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Suzane Skura, um dos maiores desafios é justamente diferenciar o estresse esperado da rotina profissional de um quadro que pode evoluir para o adoecimento.

"O estresse faz parte da vida e, em muitos momentos, é até esperado. O Burnout, porém, acontece quando a pessoa permanece por muito tempo exposta a uma sobrecarga emocional e física sem conseguir se recuperar. O descanso deixa de resolver, o trabalho passa a gerar sofrimento e até tarefas simples parecem exigir um esforço enorme", afirma Suzane.

Segundo a especialista, o organismo costuma emitir sinais antes que o quadro se torne incapacitante. Por isso, observar mudanças persistentes no comportamento é fundamental.

"Os sintomas nem sempre aparecem de forma intensa logo no início. Muitas pessoas começam a perceber um cansaço constante, irritabilidade, dificuldade para dormir, esquecimentos frequentes, perda de concentração e uma sensação de que nunca conseguem dar conta das demandas. Também podem surgir sintomas físicos, como dores de cabeça, tensão muscular, alterações gastrointestinais e palpitações. Quando isso se torna frequente, é importante procurar avaliação profissional", pontua a psicóloga.

Embora seja mais lembrado em profissões de alta pressão, como as da área da saúde, educação e segurança pública, o Burnout pode atingir trabalhadores de qualquer setor. Jornadas prolongadas, excesso de responsabilidades, pressão constante por resultados, falta de autonomia, conflitos interpessoais e ausência de reconhecimento figuram entre os fatores que favorecem o desenvolvimento da síndrome.

Além dos prejuízos individuais, o adoecimento mental também representa um desafio para a economia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimam que ansiedade e depressão provoquem a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo, reforçando a necessidade de ambientes profissionais mais saudáveis e políticas de prevenção.

Na avaliação da psicóloga e docente da Afya de Pato Branco, ainda existe um estigma que faz muitas pessoas adiarem a busca por ajuda.

"Existe a ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza, quando, na verdade, é uma atitude de cuidado. O Burnout não acontece porque alguém é menos competente ou menos resiliente. Frequentemente, ele acomete profissionais extremamente comprometidos, que permaneceram por muito tempo ultrapassando os próprios limites", destaca Suzane.

A psicóloga ressalta ainda que o diagnóstico deve ser realizado por profissionais habilitados e que a recuperação envolve uma abordagem individualizada, podendo incluir acompanhamento psicológico, avaliação médica e mudanças na organização da rotina e das condições de trabalho.

"Quanto mais cedo os sinais forem reconhecidos, maiores são as possibilidades de recuperação e menor o impacto na vida pessoal, profissional e familiar. Cuidar da saúde mental também é uma forma de prevenir doenças e preservar a qualidade de vida", pontua.

Para ela, a principal mensagem é que o esgotamento persistente não deve ser encarado como parte natural da produtividade. Quando o trabalho deixa de ser apenas desafiador e passa a comprometer o bem-estar, o equilíbrio emocional e a saúde física, buscar orientação profissional pode ser o primeiro passo para interromper um ciclo de adoecimento.


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