sexta-feira, 10 de julho de 2026

Alerta no Inverno: Ar seco dispara incidência de alergias oculares e eleva risco de ceratocone

Além dos problemas respiratórios, a baixa umidade da estação afeta diretamente a saúde da visão. Oftalmologista alerta sobre os perigos de coçar os olhos e lista 7 cuidados essenciais para a temporada
 

Com o avanço do inverno, a queda nas temperaturas e a baixa umidade do ar acendem um alerta que vai muito além das tradicionais doenças respiratórias: a saúde ocular também entra em estado de risco. O clima seco, característico desta época do ano, cria o cenário ideal para o aumento expressivo de alergias oculares, um incômodo que, se negligenciado, pode desencadear quadros severos como conjuntivites e até lesões irreversíveis na córnea.

A explicação para esse salto sazonal nos consultórios está na umidade. Em períodos quentes e chuvosos, a poeira e os poluentes grudam nas partículas de água e caem no chão. Já no inverno, o ar seco faz com que essas micropartículas (como ácaros, poeira e pólen) permaneçam em suspensão por muito mais tempo. Como resultado, elas entram facilmente em contato com as nossas mucosas olhos, nariz e garganta , engatilhando as crises alérgicas.

“Muitas pessoas manifestam alergias oculares e, nesta época do ano, é comum aparecerem os casos de conjuntivites alérgicas”, explica o Dr. Hallim Féres Neto, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
 

O perigo silencioso de coçar os olhos

O principal e mais incômodo sintoma da alergia ocular é a coceira. No entanto, o especialista adverte que a busca por um alívio momentâneo pode comprometer seriamente a visão.

“O ato de coçar os olhos pode ser muito prejudicial, levando inclusive a algumas doenças mais graves, como o ceratocone. Além disso, é importante ressaltar que os olhos podem ser portas de entrada para vírus, incluindo o coronavírus. Assim, é fundamental evitar coçar os olhos”, ressalta o Dr. Hallim.

No caso das crianças, a atenção deve ser redobrada. O acompanhamento inicial de irritações pode começar no consultório do pediatra. Porém, caso a criança não responda bem ao tratamento e o quadro evolua para uma conjuntivite alérgica, a avaliação de um oftalmologista torna-se indispensável para investigar e tratar eventuais lesões oculares com a abordagem terapêutica correta.
 

7 dicas práticas para blindar a visão no Inverno 

Para ajudar a população a passar pela temporada de ar seco sem crises e com a saúde ocular em dia, o Dr. Hallim elenca cuidados práticos:

1-Atenção à limpeza da casa: Troque a vassoura e o espanador por um pano úmido e aspirador de pó. Isso evita que a poeira seja levantada e fique suspensa no ambiente.

2-Hidratação é fundamental: Use colírios lubrificantes (lágrimas artificiais) sem conservantes sempre que sentir vontade de coçar os olhos.

3-Alívio térmico: Se não tiver colírios à mão, faça compressas com água fria ou lave o rosto diretamente na pia para aliviar a irritação.

4-Higiene rigorosa: Se precisar levar a mão aos olhos, lave-as muito bem antes. Mãos sujas transportam ainda mais alérgenos para a região, piorando o quadro.

5-Cuidado com a maquiagem: Utilize produtos de boa procedência e mantenha tudo higienizado. Jamais compartilhe itens de uso pessoal, como lápis de olho, rímel e pincéis.

6-Pele limpa sempre: Nunca durma maquiada. Lembre-se de remover todos os resíduos dos olhos antes de deitar.

7-Não subestime os sintomas: Se as medidas preventivas não resolverem, não espere o quadro piorar. Procure imediatamente o seu oftalmologista.
  

Dr. Hallim Feres Neto @drhallim - Oftalmologia Geral. Cirurgia Refrativa. Ceratocone. Catarata. Pterígio. Membro do CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Membro da ABCCR - Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa. Membro da ISRS - International Society of Refractive Surgery. Membro da AAO - American Academy of Ophthalmology.



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