No Dia Mundial da Alergia (08/07), médicos reforçam a importância do diagnóstico correto para evitar restrições desnecessárias ou negligência em casos graves
Com o aumento das restrições alimentares no ambiente escolar e a
crescente conscientização sobre reações graves, o Dia Mundial da Alergia,
celebrado em 8 de julho, traz um alerta importante para pais e educadores.
Embora o tema esteja mais presente no cotidiano, a circulação de
informações incorretas e diagnósticos sem embasamento médico têm gerado dois
extremos perigosos: o pânico que leva a restrições nutricionais desnecessárias
na infância e, por outro lado, a negligência em relação a alergias potencialmente
fatais.
Um estudo da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI)
revela que o impacto da alergia alimentar vai além do físico. A condição está
associada a uma piora significativa na qualidade de vida de crianças e de seus
cuidadores: entre os pequenos, observa-se maior incidência de ansiedade, faltas
escolares e episódios de bullying, além de outras desordens psicossociais. Já
entre pais e cuidadores, os dados apontam para maior prevalência de estresse e
depressão, além do isolamento social, tanto deles quanto das crianças, motivado
pelo medo constante de exposição a alérgenos.
A diferença entre alergia alimentar e intolerância alimentar ainda
gera muita confusão. A intolerância, em geral, é uma reação não imunológica
relacionada à dificuldade de digerir, absorver e metabolizar determinados
componentes dos alimentos, como ocorre na intolerância à lactose. Já a alergia
alimentar envolve uma resposta do sistema imunológico, geralmente contra
proteínas presentes em alimentos como leite de vaca, ovo, soja, trigo,
castanhas, peixes ou frutos do mar. Suas manifestações podem variar desde
desconfortos gastrointestinais, como vômitos, dor abdominal e diarreia, até
sintomas cutâneos, respiratórios e, em alguns casos, anafilaxia, uma reação
grave, de início rápido e potencialmente fatal.
Segundo Thiago Bezerra, médico alergista e professor da
pós-graduação da Afya Educação Médica São Paulo, o maior perigo atual está na
combinação entre desinformação, autodiagnóstico e restrições alimentares feitas
sem orientação médica. Muitas famílias acabam excluindo alimentos importantes
da dieta infantil com base apenas em suspeitas, informações da internet ou
testes inadequados. “Retirar grupos alimentares inteiros, como leite, trigo ou
glúten, sem um diagnóstico médico real, pode comprometer o crescimento e o
desenvolvimento nutricional da criança. Mas, também é perigoso acreditar que
“um pedacinho não faz mal”. Em crianças com alergia alimentar grave mediada por
IgE, quantidades mínimas do alimento podem causar reações importantes,
incluindo anafilaxia”, explica.
O ambiente escolar tornou-se a linha de frente desse combate.
Muitas escolas têm adotado protocolos rígidos para garantir a segurança de
alunos alérgicos, mas o sucesso dessas medidas depende da parceria entre a
instituição, a família e o médico assistente. O especialista reforça que
combater os mitos é a forma mais eficaz de proteção. "Precisamos
desmistificar a ideia de que alergia é apenas uma “coceira” ou frescura. É uma
condição clínica séria e o diagnóstico não pode ser um palpite: ele exige
história clínica detalhada e muitas vezes exames específicos orientados por um
especialista. O manejo correto salva vidas e devolve a qualidade de vida à
família", afirma.
Para diferenciar mitos de verdades e garantir a segurança das
crianças, o Dr. Thiago faz recomendações práticas. Nenhum alimento deve ser
excluído da dieta sem confirmação diagnóstica e orientação de um médico
alergista ou pediatra. Crianças com alergias graves devem ter um plano de ação de
emergência por escrito, entregue à escola, com orientações claras sobre como
agir e quais medicamentos administrar em caso de exposição acidental. É
fundamental, ainda, ler atentamente os rótulos de produtos industrializados,
verificando ingredientes e alertas como "pode conter traços de...", e
jamais minimizar sintomas como inchaço nos lábios ou olhos, manchas vermelhas
na pele, vômitos repetidos ou dificuldade para respirar após a ingestão de um
alimento. Esses sinais exigem atendimento médico imediato. Diante de qualquer
suspeita, o caminho mais seguro começa sempre com uma consulta médica.
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Referências
1. Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). Disponível em: Link
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