Com expectativa de
movimentar quase US$ 40 bilhões no Brasil em 2026, setor já usa IA para
influenciar vendas, precificação, logística e até a forma como consumidores
descobrem produtos
O mercado de beleza e cosméticos vive uma
transformação acelerada impulsionada pela inteligência artificial. O Brasil já
ocupa a posição de terceiro maior mercado de beleza do mundo, e a expectativa é
que o setor movimente cerca de US$ 39,6 bilhões em 2026, com crescimento médio
anual de 7,2% até 2031, segundo projeções da Mordor Intelligence, consultoria
global especializada em inteligência de mercado e análise setorial.
Ao mesmo tempo, tecnologias de IA começam a alterar
profundamente a forma como consumidores descobrem, pesquisam e escolhem
produtos em marketplaces como Amazon, Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop.
Segundo a Dolado, ecossistema de
aceleração de marcas em marketplaces, a inteligência artificial já começa a
alterar desde a gestão operacional até a forma como consumidores pesquisam e
escolhem produtos nessas plataformas.
“A inteligência artificial começa a mudar não
apenas a operação do varejo digital, mas a própria lógica de descoberta de
produtos. Em pouco tempo, consumidores vão pedir recomendações diretamente para
assistentes de IA, e isso muda completamente a forma como marcas de cosméticos
precisam estruturar seus produtos e presença digital”, afirma Guilherme Freire,
founder e CEO da Dolado.
Confira seis impactos reais da inteligência
artificial no mercado de cosméticos:
1- Recomendações mais
personalizadas para consumidores
A IA já consegue interpretar necessidades
específicas de consumo para sugerir produtos mais adequados ao perfil de cada
pessoa. Em vez de buscar apenas “um shampoo” ou “um creme hidratante”,
consumidores procuram soluções para dores específicas, como frizz, acne,
oleosidade, hidratação, manchas ou sensibilidade.
“O setor de cosméticos é um dos mais impactados por
IA porque envolve muita personalização. O consumidor não quer apenas um shampoo
ou um creme, ele quer uma solução específica. A IA consegue interpretar essas
necessidades em escala e a tendência é que assistentes inteligentes passem a
recomendar rotinas completas de skincare, haircare e beleza com base em
preferências, avaliações, faixa de preço e prazo de entrega”, explica Freire.
2- Precificação dinâmica muda
competitividade nos marketplaces
A inteligência artificial também vem sendo usada
para ajustar preços de forma dinâmica dentro dos marketplaces, algo cada vez
mais relevante em um ambiente altamente sensível à comparação de preços.
Ferramentas inteligentes conseguem monitorar simultaneamente preço da concorrência,
margem operacional, comissão dos canais, custo logístico, estoque disponível,
verba de mídia e comportamento de demanda para recomendar alterações em tempo
real.
Na prática, isso significa que uma marca pode
reduzir preço estrategicamente para ganhar relevância em momentos de alta
busca, ou preservar margem quando o produto já apresenta boa conversão e baixo
nível de concorrência. A IA também ajuda a identificar oportunidades mais
sofisticadas de rentabilidade, como criação de kits, combos promocionais ou
ajustes regionais de preço conforme demanda e custo logístico.
3- IA ajuda marcas a prever
demanda e evitar ruptura de estoque
Outro impacto importante está na gestão de estoque
e planejamento de demanda, um dos maiores desafios operacionais para marcas que
vendem em múltiplos marketplaces. Com análise de histórico de vendas,
sazonalidade, campanhas promocionais, tendências de busca, comportamento do
consumidor e performance por canal, sistemas de IA conseguem prever aumento ou
queda de demanda com muito mais precisão. Isso permite que marcas antecipem
reposições, redistribuam estoque entre canais e reduzam perdas causadas por
ruptura ou excesso de produto parado.
Na prática, a tecnologia consegue identificar, por
exemplo, quando uma linha de skincare começa a ganhar tração após uma campanha
no TikTok ou quando um produto tem crescimento anormal de buscas em determinada
região. “O impacto financeiro dessa previsibilidade é significativo,
principalmente em categorias de alta recompra, como hair care e skincare, nas
quais indisponibilidade pode gerar perda imediata de relevância no algoritmo”,
explica Freire.
4- Inteligência artificial
melhora performance e visibilidade dos produtos
A IA também ajuda empresas a entenderem por que
determinados produtos performam melhor que outros dentro dos marketplaces. A
tecnologia consegue analisar títulos, descrições, imagens, reputação da loja,
avaliações, conversão, taxa de clique e comportamento do consumidor para
identificar gargalos que afetam vendas. Isso porque, muitas vezes, o problema
não está no produto em si, mas na forma como ele é apresentado
digitalmente.
A inteligência artificial consegue sugerir
melhorias em palavras-chave, organização de catálogo, descrição de benefícios,
imagens mais eficientes, criação de kits e até quais dúvidas dos consumidores
precisam ser respondidas com mais clareza. “Muitas marcas ainda enxergam
marketplace apenas como canal de venda. Mas hoje ele já funciona como um grande
motor de dados sobre comportamento de consumo, preço, recorrência, reputação e
tendência de demanda”, afirma o CEO da Dolado.
5- Loja física deixa de ser
apenas ponto de venda e vira espaço de experiência
Apesar do avanço digital, a tendência não é o
desaparecimento das lojas físicas no setor de beleza. Produtos mais sensoriais,
como fragrâncias, maquiagens e linhas premium, continuam dependendo da
experimentação presencial, especialmente em categorias nas quais cheiro,
textura, tonalidade e percepção de qualidade influenciam fortemente a decisão
de compra. Nesse cenário, o papel da loja física começa a mudar. O espaço passa
a funcionar menos como ponto principal de venda e mais como ambiente de experiência,
descoberta, relacionamento e construção de marca. A recompra, por outro lado,
tende a migrar cada vez mais para o digital, principalmente em marketplaces e
canais integrados.
Segundo a Dolado, as marcas que conseguirem
integrar bem experiência física, presença digital, dados e inteligência
artificial terão vantagem competitiva relevante nos próximos anos. “O físico
não perde relevância, ele muda de função. A loja passa a ser um ponto de
conexão e experimentação, enquanto o digital ganha força na recorrência e
conveniência”, afirma Freire.
6- Descoberta de produtos deve
mudar radicalmente nos próximos anos
Com a evolução do chamado agentic
commerce, consumidores devem deixar de pesquisar manualmente
produtos para pedir recomendações diretamente a assistentes de inteligência
artificial.
Na prática, uma consumidora poderá solicitar algo
como: “quero uma rotina para pele oleosa até R$200” ou “um leave-in para cabelo
cacheado bem avaliado e com entrega rápida”. A IA fará a comparação e
recomendará os produtos.
Isso obriga marcas a estruturarem melhor informações sobre benefícios, ingredientes, indicação de uso, tipo de pele ou cabelo e diferenciais competitivos. “Antes, as marcas disputavam espaço na gôndola física. Depois, passaram a disputar ranking dentro dos marketplaces. Agora, elas também vão disputar relevância dentro das inteligências artificiais que recomendam produtos para os consumidores”, finaliza Freire.
Dolado
https://www.dolado.com.br
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