Infectologista do Hospital Felício Rocho explica como ocorre a transmissão da doença e reforça cuidados com higiene de alimentos e preparo das carnes
A toxoplasmose
ainda é cercada por dúvidas e desinformação, especialmente quando o assunto
envolve a convivência com gatos. Embora os felinos façam parte do ciclo do
parasita causador da doença, especialistas alertam que a principal forma de
transmissão para os seres humanos está relacionada à ingestão de água e
alimentos contaminados, sobretudo carnes cruas ou mal cozidas, frutas, verduras
e legumes mal higienizados.
Segundo o
Ministério da Saúde, a doença é uma infecção causada pelo protozoário Toxoplasma
gondii e pode ser adquirida de diferentes formas, incluindo o
consumo de alimentos contaminados e o contato com fezes de gatos infectados. No
Brasil, a doença apresenta alta prevalência devido a fatores como condições
climáticas e desafios relacionados ao saneamento básico.
De acordo com o
infectologista Leandro Curi, apesar da associação frequente entre gatos e
toxoplasmose, o contato direto com o animal não representa a principal via de
infecção. “O gato participa do ciclo do parasita porque pode eliminar o
toxoplasma nas fezes, mas a principal forma de transmissão ocorre pela ingestão
de alimentos contaminados. Carnes mal passadas e vegetais sem higienização
adequada representam um risco muito maior para a população”, explica.
A doença costuma
ser assintomática na maioria dos adultos saudáveis ou provocar sintomas leves,
como febre baixa, mal-estar e aumento de gânglios linfáticos. Entretanto, em
gestantes e pessoas imunossuprimidas, a infecção pode apresentar complicações
mais graves, incluindo comprometimento neurológico e ocular.
Estudos da
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que entre 50% e 80% da população
brasileira já teve contato com o parasita em algum momento da vida, embora
grande parte nunca apresente sintomas.
Entre as
principais recomendações para prevenção da toxoplasmose estão a higienização
rigorosa de frutas, verduras e legumes com produtos adequados para alimentos, o
consumo de carnes bem cozidas e a utilização de água tratada. O especialista
também orienta ter cuidado ao manusear caixas de areia de gatos, especialmente
no caso de gestantes suscetíveis à doença.
Segundo Curi,
animais domésticos criados exclusivamente dentro de casa, alimentados com ração
e sem acesso à rua, apresentam risco reduzido de infecção pelo parasita. “O
gato que vive em ambiente domiciliar controlado, sem contato com caça ou
alimentação contaminada, tem menos chance de se infectar e, consequentemente,
de participar da cadeia de transmissão”, afirma.
O infectologista
também reforça que o convívio com felinos não precisa ser interrompido
automaticamente durante a gestação. “O mais importante é identificar se a
gestante já teve contato prévio com o parasita por meio de exames laboratoriais
e reforçar os cuidados de higiene alimentar, que continuam sendo o principal
ponto de atenção”, destaca.
Nenhum comentário:
Postar um comentário