segunda-feira, 22 de junho de 2026

Telemedicina: especialistas orientam pacientes sobre preparo, segurança e limites do atendimento remoto

Freepik
Regulamentada e em expansão, modalidade exige humanização na tela, julgamento clínico rigoroso e cuidados redobrados com a segurança de dados

 

  • SUS já realizou mais de 4,6 milhões de atendimentos remotos desde 2023;
  • É importante se preparar para a consulta com um roteiro, informações importantes anotadas e atenção para não esquecer as recomendações;
  • Para se proteger digitalmente, use plataformas confiáveis, com selos digitais e evite fazer transferências bancárias para pessoa física sem validação;


Regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM 2.314/2022), a telemedicina é definida como o exercício da medicina mediado por tecnologias, desdobrando-se em sete modalidades que vão desde a teleconsulta, a telecirurgia até o telediagnóstico. Apenas no SUS, mais de 4,6 milhões de atendimentos remotos foram realizados desde o início de 2023, demonstrando que a telemedicina é uma ferramenta que vem amadurecendo como uma aliada estratégica em um país de dimensões continentais.

Para o médico Alexandre Eduardo Franzin Vieira, docente na Escola da Saúde UniFacens, apesar do avanço, o atendimento presencial permanece como o "padrão ouro", sendo o digital um recurso complementar e nunca um substituto obrigatório. Mas, de modo geral, todas as áreas podem se beneficiar de alguma modalidade de telemedicina.

Já a médica Maria Tereza Verrone Quilici, que também atua como docente na instituição, afirma que um dos maiores desafios é humanizar a tela. "Reconhecer que manter o vínculo pela tela é mais difícil é o primeiro passo. Mas consultas podem ser frias até presencialmente, por isso temos áreas de conhecimento dedicadas a discutir como construir comunicação e empatia em diferentes cenários, e o digital é um deles. A partir daí, entram ferramentas de apoio: registros, fluxograma e até inteligência artificial pensada para a medicina", afirma Maria Teresa. 

Outro fator a ser considerado é a importância do julgamento clínico para garantir a segurança do paciente. "Não existe uma lista fechada de ‘casos para a tela’ e ‘casos para o pronto-socorro’. O critério central é o julgamento clínico somado à segurança do paciente. O médico tem a autonomia de indicar o atendimento presencial sempre que entender necessário. Na prática, assim que o profissional percebe que a situação tem complexidade maior do que aquele formato comporta, o paciente é encaminhado", esclarece.

Guia prático: dicas para uma teleconsulta eficiente

Para que o paciente aproveite ao máximo o tempo com o médico, os especialistas da UniFacens listam três recomendações essenciais :

  1. Prepare um roteiro: anote suas dúvidas antes de começar. Não tenha vergonha da lista e fale tudo ao médico; “as anotações servem como um guia para você cuidar melhor de si”, afirma Maria.
  2. Tenha dados em mãos: “deixe anotados valores recentes de pressão arterial, frequência cardíaca, peso e altura, além da lista de medicamentos que já utiliza”, orienta Alexandre. Isso facilitará o atendimento e o possível diagnóstico.
  3. Guarde as recomendações médicas: “registre as decisões combinadas e orientações. Em comum acordo com o médico, é possível até gravar trechos da consulta para não esquecer detalhes da consulta”, explica Maria.

“Acima de tudo, atenção plena e dedicação ao momento da consulta são essenciais para o seu sucesso, na tela ou fora dela”, conclui Dr. Alexandre.


Segurança digital

Outro ponto de atenção é a segurança digital durante as teleconsultas e outras modalidades. Eliney Sabino, engenheiro e coordenador dos cursos de Tecnologia UniFacens, afirma que o primeiro passo é a escolha criteriosa do ambiente virtual. "O ideal é que o paciente utilize plataformas oficiais de hospitais, clínicas ou aplicativos reconhecidos no mercado, evitando links enviados por terceiros desconhecidos. Desconfie de atendimentos feitos apenas por aplicativos de mensagens sem vínculo institucional", orienta Sabino.

Sabino também recomenda utilizar meios de pagamento seguros, evitando transferências diretas para pessoas físicas. O especialista sugere ainda o uso de cartões virtuais temporários e a verificação constante de certificados de segurança nos sites utilizados. "Atualmente, receitas e atestados digitais utilizam assinatura eletrônica certificada, QR Code e mecanismos de validação que permitem confirmar sua autenticidade".

A tecnologia sozinha não basta sem a vigilância do usuário. "Muitos golpes relacionados à telemedicina exploram a manipulação do usuário por meio de mensagens falsas, perfis clonados e páginas fraudulentas". Sabino recomenda evitar redes Wi-Fi públicas e manter sempre a autenticação em dois fatores ativa nas contas para a proteção contra fraudes de qualquer tipo.

 

 UniFacens

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário