Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular alerta para a incidência pouco conhecida do Fenômeno de Raynaud, que afeta a circulação sanguínea das extremidades e pode estar associado a doenças autoimunes em alguns casos
Com a queda das temperaturas, é comum que mãos e pés fiquem mais
gelados. Mas quando os dedos mudam de cor e passam a apresentar tonalidades
esbranquiçadas, arroxeadas ou avermelhadas, o sintoma merece atenção. Conhecido
como fenômeno de Raynaud, o problema afeta cerca de 3% a 5% da população
mundial e ocorre devido a uma resposta exagerada dos vasos sanguíneos ao frio
ou ao estresse emocional.
Segundo o cirurgião vascular Dr. Edwaldo Joviliano, presidente da
Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), a condição
provoca uma redução temporária do fluxo sanguíneo, principalmente nos dedos das
mãos e dos pés. "Os vasos se contraem de forma mais intensa do que o
normal, diminuindo momentaneamente a circulação na região e provocando mudanças
características na coloração da pele", explica.
Durante uma crise, a SBACV aponta que os dedos costumam seguir uma
sequência típica de cores. Primeiro ficam pálidos ou esbranquiçados devido à
redução do fluxo sanguíneo. Em seguida, podem adquirir coloração azulada ou
arroxeada pela diminuição da oxigenação dos tecidos. Quando a circulação
retorna ao normal, a pele tende a ficar avermelhada, acompanhada, em alguns
casos, por sensação de formigamento, ardência ou dor.
Embora a maioria dos casos seja considerada benigna, o especialista
alerta que o fenômeno também pode estar associado a algumas doenças autoimunes.
"O Raynaud pode surgir como manifestação de condições como esclerose
sistêmica, lúpus e síndrome de Sjögren. Por isso, é fundamental avaliar cada
paciente de forma individualizada", afirma Joviliano.
Algumas situações exigem atenção especial, como o aparecimento dos
sintomas após os 30 anos, crises muito dolorosas, surgimento de feridas ou
úlceras nos dedos, assimetria importante entre as mãos ou histórico de doenças
reumatológicas. Nesses casos, a avaliação médica é indispensável para
investigar possíveis causas associadas.
A prevenção envolve medidas relativamente simples, como proteger
mãos e pés do frio, evitar o tabagismo, controlar o estresse e revisar, com orientação
médica, medicamentos que possam interferir na circulação sanguínea.
"Mudanças de hábito podem ajudar a reduzir significativamente a frequência
e a intensidade das crises", destaca o presidente da SBACV.
Fenômeno
de Raynaud ou doença de Raynaud: qual a diferença?
Apesar de frequentemente utilizados como sinônimos, os termos têm
significados distintos. A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia
Vascular esclarece que doença de Raynaud, também chamada de Raynaud primário,
ocorre quando as alterações circulatórias surgem de forma isolada, sem relação
com outras enfermidades. Já o fenômeno de Raynaud é um conceito mais amplo, que
engloba tanto os casos primários quanto aqueles secundários a outras doenças.
"O diagnóstico é predominantemente clínico, mas a avaliação
com um angiologista ou cirurgião vascular é importante para diferenciar os
quadros benignos daqueles que podem estar relacionados a outras condições de
saúde", conclui Dr. Edwaldo Joviliano.

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