domingo, 14 de junho de 2026

Saúde dental canina exige prevenção diária e acompanhamento veterinário frequente


Divulgação

Problemas bucais em cães vão além do mau hálito e podem comprometer o funcionamento do coração, rins e articulações 


Um levantamento realizado pela Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), aponta que cerca de 85% dos cães desenvolvem doença periodontal ao longo da vida adulta. O problema tende a se agravar progressivamente com o avanço da idade, atingindo maior severidade em animais sênior, especialmente aqueles com mais de seis anos. Esse cenário revela um importante desafio para a saúde animal, já que a periodontite é uma infecção bacteriana progressiva que compromete as gengivas e as estruturas de suporte dos dentes. 

Mais do que um incômodo causado pelo mau hálito, sangramento gengival, dificuldade para mastigar, acúmulo de tártaro ou até mesmo perda de dentes, a doença periodontal é uma condição inflamatória que pode comprometer a saúde geral dos animais. Evidências científicas mostram que a infecção periodontal crônica favorece processos inflamatórios sistêmicos e a disseminação de bactérias pela corrente sanguínea, podendo contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de diversas doenças. 

À medida que o tártaro se acumula e a doença evolui, bactérias presentes na cavidade oral podem alcançar a circulação sanguínea e se espalhar para diferentes órgãos. Esse processo está associado a alterações cardíacas, como a endocardite bacteriana em animais predispostos, além de lesões renais, processos inflamatórios hepáticos e, em alguns casos, inflamações articulares. 

Por isso, a saúde bucal deve ser encarada como parte fundamental dos cuidados preventivos. O diagnóstico precoce e o controle da doença periodontal não apenas preservam dentes e gengivas, mas também ajudam a proteger a saúde sistêmica, contribuindo para mais qualidade de vida e longevidade dos pets. 

A médica-veterinária Vanessa Barreto, da Dog Life, reforça que o problema está ligado ao estilo de vida moderno. “A doença periodontal em cães está associada principalmente à ausência de uma rotina de escovação, à alimentação que favorece o acúmulo de resíduos e à falta de exames bucais preventivos. Muitos animais passam anos sem que seus dentes sejam examinados, o que favorece a evolução silenciosa da placa bacteriana e a inflamação crônica das gengivas”, explica. 

Além da avaliação clínica visual da boca, a realização de exames laboratoriais e de imagem é fundamental tanto para a prevenção quanto para a identificação precoce de infecções sistêmicas, bem como para a realização segura do tratamento de remoção do tártaro (tartarectomia), procedimento que exige anestesia geral. Entre os principais exames pré-anestésicos de rotina recomendados estão o hemograma completo e o perfil bioquímico, que auxiliam na avaliação renal e hepática do animal. Em casos de pets idosos ou com suspeitas de sopro, exames cardíacos (como o eletrocardiograma) também são indicados para garantir o máximo de segurança antes da intervenção odontológica. 

Para combater a doença periodontal e proteger a saúde geral do pet, é importante adotar uma abordagem multidisciplinar.

A profissional destaca algumas orientações para os tutores:

  1. Escovação dental diária: higienização frequente com escovas de cerdas macias ou dedeiras e pasta de dente de uso exclusivo veterinário, já que produtos humanos são tóxicos para cães.
  2. Uso de produtos auxiliares: sprays antissépticos bucais (como os que contêm eritritol, auxiliando na redução de placa bacteriana) e soluções adicionadas à água ajudam a controlar as bactérias.
  3. Oferecimento de mordedores funcionais: brinquedos de nylon, corda e petiscos específicos para a saúde oral estimulam o atrito e auxiliam na limpeza mecânica dos dentes.
  4. Atenção aos sinais de alerta: mau hálito persistente, sangramento gengival, dificuldade para mastigar, excesso de salivação e acúmulo de tártaro não devem ser ignorados, pois podem indicar o início ou agravamento da doença periodontal
  5. Check-up odontológico anual: avaliação cuidadosa da cavidade oral feita por um médico-veterinário para identificar precocemente sinais de gengivite ou retração gengival.

Essas medidas são fundamentais para promover uma boca saudável e melhorar a qualidade de vida do animal.

Segundo Vanessa, a prevenção continua sendo o caminho mais eficaz. “O acompanhamento veterinário regular é essencial para identificar o acúmulo de placa bacteriana ainda no início. Pequenas mudanças no dia a dia, como escovar os dentes do animal, fazem grande diferença na saúde a longo prazo”, destaca. 

Para apoiar esse cuidado, contar com um plano de saúde pet pode facilitar o acesso a consultas preventivas, exames laboratoriais e de imagem pré-anestésicos, além de especialistas, garantindo que o tutor tenha suporte contínuo na manutenção da saúde bucal do animal. O acompanhamento estruturado permite maior previsibilidade e segurança, transformando o cuidado preventivo na base para uma vida longa e saudável.



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