terça-feira, 30 de junho de 2026

Reforma Tributária exige revisão de contratos e coloca gestão contratual no centro da estratégia das presas

Especialista alerta para riscos fiscais, perdas financeiras e disputas jurídicas em contratos firmados antes das novas regras; tecnologia pode acelerar adequação e garantir compliance  

 

A Reforma Tributária já começou a impactar a rotina das empresas brasileiras muito antes da entrada plena do novo sistema de tributação sobre o consumo. Enquanto grande parte das discussões se concentra nas mudanças fiscais e operacionais, especialistas chamam atenção para um desafio menos visível, mas igualmente relevante: a necessidade de revisar contratos firmados sob as regras do modelo tributário que será gradualmente substituído nos próximos anos.

Com a implementação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins serão extintos ao longo do período de transição. A mudança afeta diretamente contratos de fornecimento, prestação de serviços, obras, locações e acordos comerciais de longo prazo, que muitas vezes não contemplam mecanismos para absorver ou redistribuir os impactos da nova carga tributária.

Segundo Andreia Naim, Diretora Comercial da Invent Software, o principal risco está na falta de previsões contratuais para cenários de mudança legislativa. 

"Grande parte dos contratos em vigor foram elaborados considerando um sistema tributário que deixará de existir. Quando não há cláusulas de reequilíbrio econômico-financeiro ou definições claras sobre responsabilidade tributária, abre-se espaço para disputas entre contratantes e fornecedores, além de impactos financeiros que podem comprometer a rentabilidade dos negócios", afirma Andreia. 

A preocupação não se limita ao aumento ou redução de tributos. A Reforma também altera a lógica de formação de preços e do aproveitamento de créditos fiscais, exigindo revisões em cláusulas relacionadas à precificação, reajustes, responsabilidades tributárias e obrigações entre as partes.

Empresas que não iniciarem esse processo de adequação podem enfrentar problemas como absorção de custos não previstos, perda de créditos tributários, geração de passivos fiscais e questionamentos judiciais sobre a interpretação dos contratos.

Outro fator de atenção envolve a relação com fornecedores. No novo modelo, a regularidade fiscal dos parceiros comerciais ganha ainda mais relevância, já que falhas na apuração ou recolhimento dos tributos podem impactar o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva.

"A gestão tributária passa a depender cada vez mais da qualidade das informações e do nível de controle que as empresas possuem sobre seus contratos. O desafio não é apenas jurídico ou fiscal; ele envolve toda a governança corporativa", destaca a executiva.

Construção civil, serviços e tecnologia estão entre os setores mais expostos

Embora os impactos atinjam praticamente todos os segmentos econômicos, setores que trabalham com contratos de longa duração tendem a enfrentar desafios maiores durante a transição.

Construção civil, engenharia, tecnologia, facilities, saúde e hotelaria aparecem entre os mais expostos, principalmente devido à complexidade contratual e ao volume de operações que precisarão ser reavaliadas nos próximos anos.

Operações interestaduais também exigirão atenção especial, já que a nova tributação será baseada majoritariamente no destino do consumo, alterando dinâmicas que por décadas influenciaram negociações comerciais e estruturas de preços.

Nesse cenário, especialistas defendem que a revisão contratual deixe de ser tratada como uma atividade pontual para assumir papel estratégico dentro das organizações.


Tecnologia ganha papel estratégico na adaptação

O volume de contratos existente em médias e grandes empresas torna inviável a condução desse processo de forma exclusivamente manual. Por isso, ferramentas de gestão contratual vêm ganhando espaço como aliadas das áreas jurídica, fiscal, financeira e de compliance.

Uma das soluções utilizadas por empresas que operam com ERPs robustos   é o ContractPlus, desenvolvido pela Invent Software. A plataforma centraliza contratos em um único ambiente, permite acompanhar prazos, status e históricos de alterações, além de facilitar a gestão de aditivos e fluxos de aprovação.

O objetivo não é substituir a análise jurídica ou tributária, mas oferecer visibilidade e controle para que as equipes consigam identificar contratos mais expostos aos efeitos da Reforma e conduzir as adequações com maior agilidade e rastreabilidade.

"A maior dificuldade das organizações hoje não é entender a necessidade de revisão, mas localizar rapidamente os contratos afetados, priorizar riscos e garantir que todas as alterações sejam formalizadas e auditáveis. A tecnologia passa a desempenhar um papel fundamental nesse processo", explica Andreia Naim.

Além disso, recursos baseados em inteligência artificial começam a ser incorporados à gestão contratual para acelerar atividades como identificação de cláusulas sensíveis, classificação de riscos e geração de minutas de aditivos, reduzindo o tempo dedicado a tarefas operacionais.

Adequação pode se tornar vantagem competitiva

Embora a revisão contratual seja frequentemente vista apenas como uma obrigação decorrente da Reforma Tributária, especialistas apontam que empresas mais preparadas podem transformar esse movimento em uma oportunidade estratégica.

Organizações que conseguirem mapear sua base contratual, preservar créditos tributários, renegociar cláusulas com antecedência e manter processos de governança mais robustos terão melhores condições de proteger margens, reduzir riscos e responder com rapidez às mudanças regulatórias.

"A Reforma Tributária não altera apenas a forma de recolher impostos. Ela impacta negociações, modelos de precificação, relacionamento com fornecedores e gestão de riscos. As empresas que começarem essa adaptação agora tendem a atravessar o período de transição com mais segurança e competitividade", conclui.



Invent Software
inventsoftware.com.br

 

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