terça-feira, 2 de junho de 2026

Programa de exercícios ou materiais de educação em saúde? O que tem maior custo-efetividade no tratamento do câncer colorretal? Estudo da Asco 2026 responde à questão

 

Pesquisa revisitou trabalho que mostrou os bons resultados da atividade física para pessoas com esse tipo de tumor, que é o segundo mais frequentes entre homens e mulheres no Brasil.

 

Na edição passada do congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, em inglês), o estudo fase 3 CHALLENGE mostrou como um programa de exercícios pode reduzir a recorrência e aumentar a sobrevida de pacientes com câncer colorretal que passaram por cirurgia, seguida de quimioterapia. Nesta segunda-feira (01), foi apresentado na Asco 2026 um trabalho que comparou o custo-efetividade do programa de atividade física com a produção e entrega de materiais de educação em saúde para indivíduos com essa condição. Os resultados apontaram que o programa superou em eficácia e economia os materiais educativos. O congresso termina amanhã (02) em Chicago, nos Estados Unidos. 

“Essa análise de custo-efetividade é muito interessante”, explica a médica especializada em câncer do trato gastro-intestinal Maria Ignez Braghiroli, da Oncologia D’Or. “Ela mostrou que, embora no início o programa de exercícios tenha sido mais custoso, ele apresentou melhor custo-efetividade ao longo do tempo”, completou.

O câncer colorretal é o segundo tumor mais comum em homens e mulheres, principalmente a partir dos 50 anos. Na última década, sua incidência cresceu 35% no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Em 2016, eram 34.280 casos. Em 2026, deverão ser 53.810 mil.

 

Avaliação apontou que o programa de exercícios físicos é mais barato e
 eficaz do que a produção e distribuição de materiais de saúde

Estudo

O estudo fase 3 CHALLENGE envolveu 889 pacientes com câncer colorretal que passaram por cirurgia, seguida de quimioterapia. Metade participou de um programa de atividade física de três anos, sob a supervisão de profissionais. O outro grupo recebeu apenas a recomendação de praticar atividade física, sem supervisão ou metas. No final do estudo, os pesquisadores verificaram que 90,3% dos que aderiram aos treinos estavam vivos, ante 83,2% do segundo grupo. A redução de risco de óbito no primeiro grupo foi de 37%. 

Para realizar uma avaliação econômica dessa experiência, os pesquisadores utilizaram os dados coletado e adotaram a perspectiva do sistema público de saúde canadense, que incluiu custos diretos com saúde em cinco anos. 

Os resultados revelaram que o programa estruturado de exercícios é mais eficaz e menos dispendioso do que a produção e distribuição de materiais de saúde. Embora represente um custo de US$ 4.327 para sua realização, foi US$ 179 mais barato do que a distribuição de materiais e aumentou a expectativa de vida dos pacientes. Num cenário de dez anos, o programa se consolidou como tendo maior custo-efetividade, porque foi US$ 2.528 mais econômico do que a outra opção e prolongou a vida dos pacientes.

 

Oncologia D'Or

 

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