Pesquisas apontam
que, apenas durante a temporada de outono-inverno, o segmento deve movimentar
mais de R$63 bilhões
O que faz alguém entrar em uma loja, física ou
online, e sair com uma nova peça de roupa, mesmo em um cenário de maior cautela
com os gastos? A resposta passa menos pelo impulso e mais por uma mudança
consistente na forma de consumir. Hoje, a decisão envolve utilidade, identidade
e percepção de valor, um conjunto que ajuda a explicar por que o setor de moda
segue em expansão no Brasil. Entre maio e agosto de 2026, período que concentra
a temporada de outono-inverno, o varejo deve movimentar 1,85 bilhão de peças e
faturar R$ 63,34 bilhões, segundo dados do IEMI — Inteligência de Mercado, com
crescimento de 4,2% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Os números ganham ainda mais relevância quando
observados em perspectiva, uma vez que o aumento de receita supera o avanço em
volume, o que indica um consumidor mais seletivo, porém disposto a investir em
produtos que entreguem mais do que o básico. Peças versáteis, que transitam
entre diferentes ocasiões, e itens com maior qualidade percebida passam a
ocupar espaço central no guarda-roupa.
Esse movimento encontra respaldo também no
franchising. O segmento de moda faturou R$ 30,8 bilhões e cresceu 7,2% em 2025,
segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), consolidando-se como uma
das verticais mais relevantes do varejo. A combinação entre demanda recorrente
e possibilidade de escala torna o setor especialmente atrativo para investidores,
sobretudo em um ambiente em que modelos replicáveis e operações padronizadas
ganham protagonismo.
Para Emílio Guerra, CEO da Skyler, rede referência
em moda masculina, o avanço do setor está diretamente ligado à evolução do
comportamento do consumidor e à capacidade das marcas de responder a esse
movimento com precisão. “O consumidor evoluiu e a moda acompanhou esse
movimento. Hoje existe uma busca clara por peças que façam sentido no dia a
dia, que tenham versatilidade e qualidade. Quando a marca entende isso, ela
consegue aumentar a relevância e a frequência de compra”, afirma.
A partir dessa leitura, o crescimento da moda no
Brasil passa a ser entendido como resultado de um sistema mais sofisticado, no
qual produto, operação e experiência caminham de forma integrada. O setor
avança porque consegue reduzir fricções na jornada de compra, antecipar
preferências e traduzir comportamento em coleções com maior assertividade. Em
vez de depender exclusivamente de volume, as empresas passam a capturar valor
por meio de posicionamento e curadoria.
Essa lógica também explica o interesse crescente de
investidores. “A moda reúne características que, quando bem executadas,
favorecem previsibilidade e escala: consumo recorrente, calendário comercial
estruturado e possibilidade de expansão via franquia”, pontua o executivo. Ele
reforça que, ao mesmo tempo, a profissionalização da gestão, com uso de dados,
planejamento de sortimento e controle mais rigoroso de estoques, reduz falhas
do setor e amplia a margem de operação.
Nesse ambiente, o diferencial competitivo não se
isola na capacidade de lançar tendências, e passa a residir na consistência da
entrega. Marcas que constroem identidade clara, mantêm proximidade com o
cliente e operam com disciplina conseguem sustentar crescimento mesmo em
cenários de maior pressão.
“Existe um equilíbrio importante entre planejamento
e sensibilidade. A operação precisa ser estruturada, mas também precisa ter
proximidade com o cliente para entender o que realmente faz sentido naquele
momento”, destaca Emilio. “A consistência ao longo do tempo é o que constrói um
negócio sólido dentro desse setor”, completa.
Outro vetor que sustenta esse avanço está na
transformação da experiência de compra. O varejo físico passa por
ressignificação e assume papel de protagonismo, impulsionado por lojas que
investem em ambientação, atendimento e construção de vínculo com o cliente,
enquanto o digital amplia conveniência e capilaridade, conectando diferentes
pontos de contato em uma experiência mais fluida e contínua.
A trajetória da Skyler ilustra como esses elementos
se convertem em resultado. Com faturamento superior a R$ 78 milhões e um
portfólio que ultrapassa 400 lançamentos por temporada, a marca estruturou sua
expansão com base em leitura de mercado e eficiência operacional. “Nosso foco
sempre foi acompanhar o comportamento do consumidor e evoluir junto com ele.
Isso nos permite crescer de forma estruturada e manter a relevância da marca”,
afirma o CEO.
Skyler
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