domingo, 7 de junho de 2026

Por que o setor de moda não para de crescer no Brasil?

Pesquisas apontam que, apenas durante a temporada de outono-inverno, o segmento deve movimentar mais de R$63 bilhões

 

O que faz alguém entrar em uma loja, física ou online, e sair com uma nova peça de roupa, mesmo em um cenário de maior cautela com os gastos? A resposta passa menos pelo impulso e mais por uma mudança consistente na forma de consumir. Hoje, a decisão envolve utilidade, identidade e percepção de valor, um conjunto que ajuda a explicar por que o setor de moda segue em expansão no Brasil. Entre maio e agosto de 2026, período que concentra a temporada de outono-inverno, o varejo deve movimentar 1,85 bilhão de peças e faturar R$ 63,34 bilhões, segundo dados do IEMI — Inteligência de Mercado, com crescimento de 4,2% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

Os números ganham ainda mais relevância quando observados em perspectiva, uma vez que o aumento de receita supera o avanço em volume, o que indica um consumidor mais seletivo, porém disposto a investir em produtos que entreguem mais do que o básico. Peças versáteis, que transitam entre diferentes ocasiões, e itens com maior qualidade percebida passam a ocupar espaço central no guarda-roupa.

Esse movimento encontra respaldo também no franchising. O segmento de moda faturou R$ 30,8 bilhões e cresceu 7,2% em 2025, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), consolidando-se como uma das verticais mais relevantes do varejo. A combinação entre demanda recorrente e possibilidade de escala torna o setor especialmente atrativo para investidores, sobretudo em um ambiente em que modelos replicáveis e operações padronizadas ganham protagonismo.

Para Emílio Guerra, CEO da Skyler, rede referência em moda masculina, o avanço do setor está diretamente ligado à evolução do comportamento do consumidor e à capacidade das marcas de responder a esse movimento com precisão. “O consumidor evoluiu e a moda acompanhou esse movimento. Hoje existe uma busca clara por peças que façam sentido no dia a dia, que tenham versatilidade e qualidade. Quando a marca entende isso, ela consegue aumentar a relevância e a frequência de compra”, afirma.

A partir dessa leitura, o crescimento da moda no Brasil passa a ser entendido como resultado de um sistema mais sofisticado, no qual produto, operação e experiência caminham de forma integrada. O setor avança porque consegue reduzir fricções na jornada de compra, antecipar preferências e traduzir comportamento em coleções com maior assertividade. Em vez de depender exclusivamente de volume, as empresas passam a capturar valor por meio de posicionamento e curadoria.

Essa lógica também explica o interesse crescente de investidores. “A moda reúne características que, quando bem executadas, favorecem previsibilidade e escala: consumo recorrente, calendário comercial estruturado e possibilidade de expansão via franquia”, pontua o executivo. Ele reforça que, ao mesmo tempo, a profissionalização da gestão, com uso de dados, planejamento de sortimento e controle mais rigoroso de estoques, reduz falhas do setor e amplia a margem de operação.

Nesse ambiente, o diferencial competitivo não se isola na capacidade de lançar tendências, e passa a residir na consistência da entrega. Marcas que constroem identidade clara, mantêm proximidade com o cliente e operam com disciplina conseguem sustentar crescimento mesmo em cenários de maior pressão.

“Existe um equilíbrio importante entre planejamento e sensibilidade. A operação precisa ser estruturada, mas também precisa ter proximidade com o cliente para entender o que realmente faz sentido naquele momento”, destaca Emilio. “A consistência ao longo do tempo é o que constrói um negócio sólido dentro desse setor”, completa.

Outro vetor que sustenta esse avanço está na transformação da experiência de compra. O varejo físico passa por ressignificação e assume papel de protagonismo, impulsionado por lojas que investem em ambientação, atendimento e construção de vínculo com o cliente, enquanto o digital amplia conveniência e capilaridade, conectando diferentes pontos de contato em uma experiência mais fluida e contínua.

A trajetória da Skyler ilustra como esses elementos se convertem em resultado. Com faturamento superior a R$ 78 milhões e um portfólio que ultrapassa 400 lançamentos por temporada, a marca estruturou sua expansão com base em leitura de mercado e eficiência operacional. “Nosso foco sempre foi acompanhar o comportamento do consumidor e evoluir junto com ele. Isso nos permite crescer de forma estruturada e manter a relevância da marca”, afirma o CEO.

  

Skyler


Nenhum comentário:

Postar um comentário