Enquanto
estereótipos sobre a profissão perdem força, companhias buscam profissionais
capazes de lidar com emergências, conflitos e situações de alta pressão a bordo
Alguém
desmaia na poltrona 14B. Uma discussão entre passageiros começa a sair do
controle. Uma criança entra em pânico durante uma turbulência severa. Em
situações como essas, a primeira resposta costuma vir de um comissário de
bordo, profissional treinado para agir rapidamente em emergências, garantir a
segurança a bordo e prestar assistência aos passageiros.
Ainda
associado por muitos ao serviço de refeições e às demonstrações de segurança
antes da decolagem, esse profissional desempenha um papel muito mais complexo
dentro da aeronave. E é justamente essa realidade que vem transformando a forma
como as companhias aéreas recrutam seus talentos, em um momento em que o setor
vive sua maior expansão histórica.
O contexto
ajuda a entender a urgência da mudança. A aviação civil brasileira encerrou
2025 com 129,6 milhões de passageiros transportados, o maior volume já
registrado no país, segundo a ANAC. O Brasil foi o principal destaque mundial
em demanda doméstica no período, com crescimento de 11,1% em relação a 2024, de
acordo com a IATA. E a tendência é de longo prazo: projeções da Airbus indicam
que o tráfego de passageiros no Brasil deve aumentar 145% até 2044, chegando a
266,3 milhões de pessoas por ano.
Para
absorver esse crescimento, as aéreas aceleraram contratações. A LATAM bateu o
recorde de mais de 1 mil contratações de tripulantes no Brasil em 2024 e abriu
738 novas vagas para comissários de voo em 2025. No total, o mercado registrou
1.525 admissões formais para a função nos últimos 12 meses, segundo dados do
CAGED/Ministério do Trabalho.
Mais vagas,
porém, não significa qualquer perfil. À medida que a aviação se torna mais
complexa e as experiências dos passageiros ganham novas exigências, o
profissional buscado pelas companhias também evolui. Além da qualificação
técnica como formação de qualidade para comissários de voo, cresce a busca por
candidatos com inteligência emocional, capacidade de comunicação e preparo para
lidar com situações de pressão.
Segurança
primeiro, e isso exige equilíbrio emocional
Mais do que
servir refeições ou orientar viajantes, os comissários são treinados para atuar
em situações críticas: emergências médicas, evacuações e gerenciamento de
conflitos dentro da cabine. Em um ambiente onde centenas de pessoas
compartilham um espaço reduzido por horas, manter o controle emocional e tomar
decisões rápidas pode ser tão importante quanto dominar procedimentos
operacionais.
"O
passageiro enxerga o atendimento, mas a principal função do comissário continua
sendo a segurança. O que mudou é que as empresas perceberam que habilidades
emocionais são fundamentais para que esses profissionais consigam desempenhar
esse papel da melhor forma possível, especialmente em situações de
pressão", afirma Mila Seidl, CEO do Lito Group.
A formação
já demonstra essa complexidade. Durante o treinamento, os alunos aprendem
procedimentos de evacuação, combate a incêndios, sobrevivência em diferentes
cenários, gerenciamento de recursos da tripulação e primeiros socorros. Também
são preparados para lidar com passageiros ansiosos, crises de pânico, conflitos
interpessoais e intercorrências médicas como episódios de mal-estar, quedas de
pressão, desmaios, crises alérgicas e dificuldades respiratórias estão entre os
atendimentos mais comuns a bordo.
A
valorização das habilidades comportamentais também têm ajudado a derrubar outro
estereótipo da aviação: o de que a carreira é destinada apenas aos mais jovens.
Segundo levantamento da maior escola de aviação da América Latina Lito Academy
, o número de alunos acima dos 40 anos matriculados nos cursos de comissário
cresceu 20% nos últimos três anos, reflexo de um movimento de profissionais em
busca de transição de carreira.
Em um
ambiente que exige contato constante com passageiros e tomadas de decisão sob
pressão, competências como comunicação, resiliência e gestão de conflitos,
desenvolvidas ao longo de trajetórias profissionais diversas, podem representar
um diferencial importante nos processos seletivos.
"Os
passageiros estão cada vez mais conscientes do papel estratégico dos
comissários. Ao mesmo tempo, as empresas entendem que o profissional ideal é
aquele que alia conhecimento técnico, capacidade de liderança e inteligência
emocional para lidar com qualquer situação que possa surgir durante um
voo", conclui Mila, CEO da Lito Academy.
Lito Academy
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