quarta-feira, 24 de junho de 2026

Mitos e verdades: sabonetes antibacterianos na higiene íntima podem elevar infecções?

Profissionais esclarecem como o excesso de produtos com ação bactericida pode alterar o pH da região e remover as defesas naturais do corpo, facilitando o surgimento de vaginoses.

 

Sabe aquela sensação de limpeza extrema que muita gente busca na hora do banho? Quando o assunto é a região íntima, esse excesso de zelo pode se transformar em uma verdadeira armadilha para as mulheres. O uso diário de sabonetes antibacterianos, muitas vezes estimulado por promessas de proteção total, tem sido o gatilho por trás de desconfortos persistentes como coceiras, odores e corrimentos. A Clarizia Saúde da Mulher alerta que, ao tentar eliminar qualquer vestígio de bactéria, o que as mulheres estão fazendo, na verdade, é desarmar as defesas naturais do próprio corpo.

A fisioterapeuta uroginecológica Viviane, sócia da clínica, explica que a região possui um ecossistema próprio e perfeitamente equilibrado, onde os micro-organismos nativos trabalham para manter a acidez local ideal. Quando um produto com ação bactericida entra em cena, ele destrói essa proteção. "Muitas pacientes chegam ao consultório sofrendo com infecções que vão e voltam, sem fazer ideia de que o vilão está no box do banheiro. Esse tipo de sabonete não escolhe o que vai eliminar; ele varre tanto as bactérias ruins quanto as boas, desregulando o pH e deixando o caminho livre para a vaginose", alerta a especialista em saúde da mulher.

Existe um grande mito de que o corpo precisa estar estéril para ser considerado limpo. Na prática, a uroginecologia mostra exatamente o oposto: o segredo da saúde íntima está na convivência harmônica com a nossa flora bacteriana. Quando lavamos a região em excesso ou usamos fórmulas pesadas, removemos a hidratação natural da pele, provocando micro fissuras e ressecamento. É aí que as infecções se instalam, prendendo a mulher em um ciclo vicioso de incômodo e tratamentos repetitivos.

Para quebrar essa rotina de irritações, o caminho é voltar ao básico e simplificar os cuidados no banheiro. A recomendação da equipe médica é usar apenas água corrente e um sabonete neutro ou específico para a área, com moderação e limitando a lavagem apenas à parte externa. A fisioterapeuta lembra que o próprio corpo já sabe como se cuidar. "A genitália feminina tem um mecanismo autolimpante maravilhoso. O segredo é lavar só a vulva, passar longe de duchas internas e esquecer aquela obsessão por perfumes ou limpeza profunda, porque o excesso de química é o pior inimigo da imunidade", conclui a profissional da Clarizia.

 

Fonte: Dra. Alessandra Clarizia | Ginecologista e pós doutora, expert em ginecologia regenerativa - Sócia da Clarizia Saúde da Mulher.

 

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