Análise de preço
médio por kg das principais categorias de produtos consumidos em festas juninas
- dados de supermercados e atacarejos (mai/2025 a mai/2026)
O São João chega mais salgado para o bolso do
consumidor em 2026. Uma análise dos preços médios das principais categorias de
produtos típicos das festas juninas feita com exclusividade pela Neogrid,
empresa que conecta indústria, varejo e distribuidores para transformar dados
em decisões na cadeia de consumo com dados coletados em supermercados,
hipermercados e atacarejos brasileiros - revela um cenário misto: enquanto os
doces de amendoim subiram quase 29% em doze meses, itens como vinhos e cachaças
chegaram a ficar levemente mais baratos. No balanço geral, quem vai montar a
mesa de arraial terá de desembolsar mais do que no ano passado, mas algumas
boas notícias ajudam a suavizar o impacto.
Doces Juninos: queda do pingo
de leite não compensa alta dos doces de amendoim
Os doces típicos das festas juninas apresentaram o
quadro mais heterogêneo da análise. O destaque negativo fica com o doce de
amendoim, cujo preço médio por kg saltou de R$ 43,56 para R$ 56,11 – uma alta
de 28,8%, puxado pela valorização do amendoim in natura. O pé de
moça também encareceu significativamente, +13,0%, chegando a R$ 86,29/kg.
Já a paçoca (+5,2%) e o pé de moleque (+3,6%)
subiram de forma mais comportada, enquanto o pingo de leite se destaca como o
maior recuo da categoria, caindo 15,1% e encerrando maio/2026 a R$
65,61/kg. A cocada em barra (-2,5%), o doce de leite em barra (-1,3%) e a
rapadura (praticamente estável, -0,2%) também proporcionam algum alívio, sendo
que a rapadura continua sendo um dos itens mais acessíveis da mesa junina a R$
24,50/kg.
Amendoim, Pipoca e Milho: grão mais caro pressiona toda a cadeia
O amendoim in natura acumulou alta de 11,9% em doze
meses, reflexo de pressões climáticas e de demanda que se espalharam pela
cadeia produtiva. A pipoca de micro-ondas seguiu a mesma tendência, registrando
+12,1% e encerrando a R$ 48,31/kg. Já o milho para pipoca, produto mais popular
nas brincadeiras de arraial, praticamente não variou (+0,8%), mantendo-se como
uma das opções mais econômicas da festa a R$ 11,57/kg.
O milho verde fresco ficou 6,7% mais caro, enquanto
o milho em conserva (enlatado) permaneceu estável, com queda simbólica de 0,02%
- chegando a R$ 22,74/kg, praticamente o mesmo preço de um ano atrás.
Quentão e vinho quente: cachaça estável e vinho mais barato facilitam a receita
Quem vai preparar o tradicional quentão ou o vinho
quente neste São João encontrará um cenário favorável nos ingredientes
principais. Os vinhos - peça central do vinho quente - ficaram mais baratos: o
vinho fino nacional recuou 3,8%, de R$ 48,42 para R$ 46,59/kg, enquanto o vinho
importado caiu 3,9%, para R$ 59,30/kg. A queda pode ser atribuída à combinação de
câmbio mais favorável e ao aumento da oferta de rótulos nacionais.
As cachaças - base do quentão clássico - tiveram comportamento
estável. A cachaça branca subiu apenas 1,1%, mantendo-se como a opção mais
acessível da categoria a R$ 17,10/kg. A amarela ficou 0,7% mais barata e a
artesanal praticamente não se alterou (+0,3%), ainda que pese R$ 72,09/kg.
Entre as especiarias, o cenário é misto, mas sem
grandes sustos. Canela (+0,3%) e cravo da índia (-0,1%) chegaram a maio/2026
praticamente no mesmo patamar de um ano atrás — a canela a R$ 282,77/kg e o
cravo a R$ 521,39/kg. A noz-moscada registrou queda de 2,3%, encerrando a R$
616,58/kg. O gengibre, contudo, surpreende: alta de 12,9%, chegando a R$
303,71/kg — o que pode impactar versões mais elaboradas do quentão que levam o
ingrediente em maior quantidade.
Neogrid



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