Médico especialista em cirurgia plástica da face explica por que procedimentos
em alta nas redes sociais podem comprometer a naturalidade dos resultados e até
dificultar tratamentos futuros
Magnific
As redes sociais transformaram a forma como as pessoas enxergam a própria imagem. Filtros, selfies e tendências virais passaram a influenciar decisões que antes eram tomadas exclusivamente dentro do consultório médico. Nesse cenário, procedimentos estéticos ganham popularidade em velocidade recorde, muitas vezes acompanhados de promessas que nem sempre correspondem à realidade.
Para o médico especialista em cirurgia plástica da face, Dr. Carlucio Ragognete, o problema não está necessariamente nas técnicas, mas na forma como elas são apresentadas ao público. Segundo ele, a busca por resultados rápidos e a tentativa de reproduzir padrões de beleza vistos na internet têm levado cada vez mais pacientes a procurarem procedimentos sem uma avaliação adequada das suas reais necessidades.
"O rosto não deve ser conduzido por tendências. Deve ser conduzido por diagnóstico. Quando um procedimento passa a ser indicado porque está em alta e não porque existe necessidade real, o risco de frustração e de resultados artificiais aumenta consideravelmente", afirma.
Entre as
principais tendências que exigem cautela, o especialista destaca o excesso de
preenchimentos faciais, a harmonização facial padronizada, o uso indiscriminado
de bioestimuladores de colágeno, os fios de sustentação vendidos como solução
definitiva, os protocolos excessivos de rejuvenescimento e a busca por
características inspiradas em filtros e celebridades. Confira:
1. Excesso
de preenchimentos faciais
O preenchimento
facial pode ser uma ferramenta importante quando bem indicado, mas o uso
repetido e sem critérios pode alterar as proporções naturais do rosto e gerar
resultados artificiais. "O preenchimento não deve ser utilizado para
modificar completamente uma face. Quando ele passa a ser repetido
indiscriminadamente, existe o risco de perdermos justamente aquilo que torna
aquele rosto único", comenta.
2.
Harmonização facial padronizada
A busca por traços
semelhantes aos de influenciadores e celebridades tem levado muitas pessoas a
ignorarem as próprias características anatômicas. "A maior beleza de um
rosto está na sua individualidade. Quando todos buscam o mesmo padrão, o
resultado é uma geração de rostos cada vez mais parecidos entre si",
afirma.
3. Uso
indiscriminado de bioestimuladores de colágeno
Embora sejam
recursos importantes para determinados pacientes, os bioestimuladores não
resolvem todos os aspectos do envelhecimento facial. "Existe uma falsa
percepção de que estimular o colágeno resolve qualquer problema relacionado ao
envelhecimento. A realidade é que cada estrutura da face envelhece de uma forma
diferente e exige tratamentos específicos", explica.
4.
Procedimentos realizados por profissionais sem conhecimento aprofundado da
anatomia facial
A popularização
dos procedimentos estéticos aumentou a oferta de tratamentos, mas também exige
atenção redobrada na escolha do profissional. "A anatomia facial é extremamente
complexa. Um procedimento aparentemente simples pode trazer consequências
importantes quando realizado sem o conhecimento adequado", relata.
5. Fios de
sustentação vendidos como solução definitiva
Os fios podem ter
indicação em casos específicos, mas não devem ser encarados como substitutos
universais de outras abordagens. "Nenhuma técnica deve ser apresentada
como solução para todos os pacientes. Quando existe uma indicação cirúrgica
clara, tentar substituí-la por alternativas inadequadas costuma gerar
frustração", destaca.
6. Técnicas
que prometem substituir cirurgias
Muitos tratamentos
minimamente invasivos são divulgados como capazes de oferecer os mesmos
resultados de procedimentos cirúrgicos. "Cada tratamento tem seus limites.
O problema começa quando se cria a expectativa de que um procedimento simples
entregará um resultado que apenas uma cirurgia consegue proporcionar",
pontua.
7.
Protocolos excessivamente combinados
A combinação de
tecnologias e procedimentos nem sempre significa melhores resultados.
"Mais tratamento não significa necessariamente mais benefício. Em medicina
estética, a qualidade da indicação é muito mais importante do que a quantidade
de procedimentos realizados", explica.
8. Tratamentos
divulgados como 'milagrosos'
Promessas de
rejuvenescimento rápido, sem riscos e com resultados universais devem ser
analisadas com cautela. "Sempre que um tratamento é apresentado como
milagroso, vale a pena desconfiar. A medicina trabalha com ciência, não com
soluções mágicas", relata.
9. Busca
por rostos inspirados em influenciadores e celebridades
A comparação
constante com imagens de terceiros pode gerar expectativas incompatíveis com a
realidade de cada paciente. "O objetivo de um procedimento não deveria ser
parecer outra pessoa. O melhor resultado é aquele que preserva a identidade e
valoriza as características individuais", reforça.
10. Uso de
filtros como referência de beleza
Os filtros digitais criam padrões estéticos que não existem no mundo real e podem influenciar decisões equivocadas. "Muitas pessoas chegam ao consultório tentando reproduzir uma versão digital de si mesmas. O problema é que os filtros criam uma imagem artificial que não respeita a anatomia humana", conclui.
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