O cenário é clássico e se repete em empresas de
diferentes portes: a organização investe na implementação de um sistema de
ponta, mas, no dia a dia, a operação continua rodando em planilhas. Os
dados são extraídos do sistema, tratados manualmente e consolidados em arquivos
locais espalhados na organização. Na prática, cria-se o fenômeno do ERP
como um "Excel de luxo": uma ferramenta subutilizada que custa caro,
enquanto a inteligência do negócio continua dispersa em abas e fórmulas.
O Excel cumpriu um papel importante na evolução de
muitas organizações, especialmente em fases iniciais. Contudo, à medida
que a organização cresce, o mercado passa a exigir sofisticação,
compliance, performance e segurança. Desta forma, manter a gestão ancorada
em diversas planilhas, embora possa parecer confortável, torna-se um risco
estratégico para a sobrevivência do negócio.
Isso porque a empresa deixa de ter um
pilar único de "fonte da verdade", o que cria silos de informação.
Quando cada área possui um dado diferente, abre-se margem para erros e falhas
nos processos que podem comprometer o desempenho da organização. Embora esses
exemplos citados sejam amplamente conhecidos pelo mercado, o que impede a
empresa de iniciar a jornada para o ERP? A resposta é simples: a cultura.
Uma boa parte das companhias se trata de negócios
que surgiram em contextos diferentes e cujos métodos criados, na época,
continuam funcionando. Isso gera a falsa ideia de que, pelo fato de as pessoas estarem
acostumadas, o processo é confiável. Essa resistência também está atrelada ao
pensamento equivocado de que a tecnologia irá substituir o ser humano, causando
desemprego, entre tantos outros discursos alarmantes existentes.
Deste modo, a jornada para o ERP começa muito antes
da implantação do sistema; ela inicia na mudança do mindset. Ou seja,
é necessário analisar: quanto tempo levo para tomar uma decisão? Com base no
prazo, é importante observar quais são as razões para a demora, desde a falta
de padronização até as exceções que comprometem a operação. É a partir dessa
análise prévia que se torna possível realizar uma virada de chave e entender,
de fato, como o sistema de gestão irá apoiar a empresa.
No entanto, sabemos que ao falar sobre a adesão de
uma nova ferramenta, outro receio surge: como mensurar o ROI? Afinal, estamos
falando de um projeto que tem um custo e, por isso, é natural que líderes e
gestores questionem se o valor investido retornará da forma esperada. A
resposta está nos resultados práticos, os quais a partir do momento em que
as informações da companhia passam a ser centralizadas em um único local,
ganhos como agilidade, redução no volume de erros e governança tornam-se
intrínsecos.
Na prática, significa que a gestão deixa de olhar
para o negócio pelo retrovisor e passa a ter visibilidade pelo painel
e para-brisa. Ou seja, a partir de uma análise diária, é possível aumentar
a eficiência dos processos, exercendo uma gestão mais próxima das áreas de
negócio. Isso ajuda em tomadas de decisões rápidas e em total concordância com
a realidade atual da empresa.
Embora apresente vantagens notáveis, essa mudança
não acontece do dia para a noite, até porque se trata de uma transformação que
impacta a corporação como um todo. Deste modo, ter o apoio de uma consultoria especializada
é fundamental para mostrar como uma implementação bem-feita traz
benefícios significativos para a rotina empresarial. Isso ocorre porque o time
de especialistas identifica as ineficiências, faz uma análise detalhada das
dores e estrutura quais são as prioridades dos desafios que precisam ser
trabalhados.
É importante enfatizar que a tecnologia é
habilitadora. Em contrapartida, para algumas empresas, a tecnologia é o próprio
negócio. Todavia, uma coisa não muda: o ERP é o ponto transformador. Diante
disso, durante a sua implementação, é natural que aconteça a chamada curva “J”,
na qual o cenário primeiro “piora” antes de melhorar. Entretanto, é necessária
a conscientização de que se trata de um processo de transição e, com o apoio
certo, esses impactos são mitigados para garantir uma transição suave.
Não estou dizendo aqui que o Excel é um vilão. Para empresas que estão dando início ao processo de evolução de maturidade, ele continua sendo uma boa ferramenta. Porém, é possível evoluir ainda mais e obter ganhos com compliance, governança e segurança que só um sistema de gestão integrado pode proporcionar. Para quem deseja ter na organização todo o potencial da inteligência artificial, ter uma fonte única da verdade, com dados em tempo real e a centralização das operações é um passo fundamental para alcançar esse objetivo.
Fernando Cunha - Diretor Executivo da Numen Centro-Oeste.
Numen
https://numenit.com/
Nenhum comentário:
Postar um comentário