Dados globais mostram avanço acelerado da obesidade infantil e especialistas
alertam para os impactos metabólicos, cardiovasculares e emocionais ainda na
infância
Pela primeira vez, o mundo caminha para ter mais crianças obesas do que
desnutridas. O alerta é da World Obesity Federation (Federação Mundial de
Obesidade), que aponta que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos
vivem atualmente com sobrepeso ou obesidade. Em 2010, esse percentual era de
14,6%.
A
projeção preocupa especialistas: até 2027, o excesso de peso deve ultrapassar a
desnutrição infantil no planeta. No Brasil, a situação também chama atenção. A
estimativa é que 16,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros convivam
com sobrepeso ou obesidade em 2026. Até 2040, mais da metade dessa população
poderá estar acima do peso.
No
Dia de Combate à Obesidade Infantil, celebrado em 3 de junho, médicos reforçam
que o problema vai muito além da estética. A obesidade infantil está
relacionada ao aumento de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão arterial,
colesterol elevado, doenças cardiovasculares, alterações ortopédicas,
distúrbios respiratórios e impactos emocionais importantes ainda na infância e
adolescência.
“A
obesidade infantil já é considerada uma das maiores emergências de saúde
pública da atualidade. E o mais preocupante é que ela começa cada vez mais
cedo”, alerta Dr. Paulo Telles, Pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria
(SBP).
Segundo
o especialista, estudos mostram que a prevenção da obesidade pode começar ainda
na gestação. “Hoje sabemos que o ambiente intrauterino influencia diretamente o
metabolismo do bebê. Ganho excessivo de peso na gestação, diabetes gestacional
e hábitos alimentares inadequados da mãe aumentam o risco de obesidade futura
na criança”, explica.
O médico destaca
ainda que fatores genéticos também têm influência importante. “A nossa
composição corporal é determinada de 60% a 80% pela hereditariedade e mais de
300 genes estão envolvidos na regulação do peso. Mas, o ambiente e os hábitos
familiares têm enorme impacto sobre como isso vai se manifestar ao longo da
vida”, afirma.
Outro ponto
importante destacado pelo pediatra é o papel da amamentação como fator de
proteção metabólica. “Meta-análises mostram que crianças amamentadas têm cerca
de 22% menos risco de desenvolver obesidade quando comparadas àquelas
alimentadas predominantemente com fórmulas infantis”, diz Dr. Paulo Telles.
Segundo
ele, o excesso de proteínas e calorias nos primeiros anos de vida pode
favorecer alterações hormonais relacionadas ao acúmulo de gordura corporal.
“Existe um mecanismo conhecido como programming metabólico, em que o excesso
nutricional precoce altera o funcionamento do organismo e aumenta o risco de
obesidade e doenças metabólicas na vida adulta”, explica.
Além
da alimentação, o comportamento familiar também aparece como peça central no
combate ao problema. “O bebê aprende a comer observando os pais. Famílias que
priorizam alimentos naturais, refeições em conjunto e uma relação equilibrada
com a comida ajudam a construir hábitos saudáveis desde cedo”, afirma.
A
Prof. Dra. Elisabeth Fernandes, médica pediatra com doutorado pela FMUSP e
integrante da Sociedade Brasileira de Pediatria, destaca que a obesidade
infantil está diretamente ligada às mudanças do estilo de vida contemporâneo.
“A
combinação entre excesso de telas, sedentarismo, ultraprocessados e perda de
hábitos familiares saudáveis criou um cenário extremamente preocupante para as
novas gerações”, afirma.
Ela
lembra que crianças obesas têm grande chance de permanecer obesas na vida
adulta. “A obesidade na adolescência aumenta em até 80% a probabilidade de
obesidade na fase adulta, perpetuando riscos cardiovasculares e metabólicos”,
alerta.
Dr.
Paulo Telles também chama atenção para a influência das telas e da alimentação
automática no ganho de peso infantil. “Hoje muitas crianças comem diante de
celulares, tablets e televisão, sem perceber sinais de fome e saciedade. Isso
altera completamente a relação com a comida”, explica.
Os
especialistas defendem que a solução não está em dietas restritivas para
crianças, mas em mudanças sustentáveis no estilo de vida familiar. “A criança
não muda hábitos sozinha. O tratamento precisa envolver toda a família, escola
e sociedade”, reforça Dra. Elisabeth Fernandes.
Entre as principais
orientações dos especialistas estão:
• Priorizar alimentos naturais e reduzir ultraprocessados
• Estimular atividade física diariamente
• Controlar o tempo de telas
• Fazer refeições em família
• Respeitar os sinais de fome e saciedade da criança
• Não usar comida como recompensa emocional
• Incentivar uma rotina adequada de sono
Dra. Elisabeth Canova Fernandes - CRM 94686 - RQE 105.527. Pediatra. Médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC. Residência médica em pediatria pela FMUSP. Complementação especializada em reumatologia pediátrica pelo Instituto da Criança – FMUSP. Título de especialista em Pediatria pela SBP. Título de especialista em reumatologia pediátrica pela SBP e SBR. Mestrado e doutorado em pediatria pela FMUSP. Pós-graduação em nutrição infantil pela Boston Umjversity e também pela Ludwig Maximilian University of Munich. Professora de graduação em Medicina na Universidade São Caetano do Sul. Médica proprietária da Clínica Pediátrica Crescer Participação ativa em diversos congressos nacionais e internacionais em pediatria voltados para alimentação infantil, amamentação, cuidados com o bebê e doenças comuns da primeira infância. Palestrante frequente nos temas de amamentação, alimentação infantil e primeiros cuidados com o bebê.
Dr. Paulo Nardy Telles - CRM 109556. Formado pela Faculdade de medicina do ABC. Residência médica em pediatra e neonatologia pela Faculdade de medicina da USP. Preceptoria em Neonatologia pelo hospital Universitário da USP. Título de Especialista em Pediatria pela SBP. Título de Especialista em Neonatologia pela SBP. Atuou como Pediatra e Neonatologista no hospital israelita Albert Einstein 2008-2012. 18 anos atuando em sua clínica particular de pediatria, puericultura.
@paulotelles
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