Com a chegada da estação mais fria do ano, pneumologista explica sintomas, fatores de risco e orienta quando buscar um pronto-socorro pediátrico
Com
a chegada do inverno, sintomas respiratórios tendem a se intensificar,
principalmente entre crianças com histórico de alergias ou doenças
respiratórias. Tosse persistente, chiado no peito e falta de ar podem ser
sinais de uma crise de asma, uma das doenças crônicas mais comuns da infância.
Para
reforçar a conscientização sobre a condição, o Ministério da Saúde instituiu o
Dia Nacional de Controle da Asma, celebrado em 21 de junho, data que marca o
encerramento do outono e a chegada da estação mais fria do ano.
Segundo
o Ministério da Saúde, cerca de 23% da população brasileira convive com a
doença, com prevalência variando entre 19,8% e 24,9% nas diferentes regiões do
país. Dados do Registro Brasileiro de Asma Grave (Rebrag), divulgados em 2021,
apontaram que aproximadamente 60% dos pacientes com formas graves da doença
estavam com a condição fora de controle. Na época, a asma era responsável por
cerca de sete mortes diárias no Brasil.
Embora
possa ocorrer em qualquer faixa etária, a asma frequentemente se inicia na
infância. De acordo com a Dra. Talia Andrea Soria Muñoz, pneumologista
pediátrica do Hospital Vila Nova Star, da Rede D’Or, a asma é uma doença
inflamatória crônica das vias aéreas que pode se manifestar desde os primeiros
anos de vida.
“Na
asma, as vias aéreas ficam inflamadas e mais sensíveis, fazendo com que possam
se estreitar diante de diferentes estímulos, como infecções virais, alérgenos,
exercício físico, mudanças climáticas ou exposição à fumaça”, explica a
especialista.
Quais são os principais tipos de asma?
Embora
seja conhecida popularmente apenas como asma, a doença pode apresentar
diferentes formas, dependendo dos fatores que desencadeiam os sintomas.
O
mais comum na infância é a asma alérgica¸ e ocorre após a
exposição a substâncias como ácaros, poeira, mofo, pólen e pelos de animais por
exemplo.
Também
existem formas não alérgicas e situações em que os
sintomas podem ser desencadeados por exercício físico, infecções virais ou
exposição a irritantes ambientais.
Mudanças
de temperatura, exposição a substâncias irritantes e alguns medicamentos, como
aspirina e determinados anti-inflamatórios, podem servir de gatilhos ou agravar
os sintomas da crise.
“Nas
crianças, a asma costuma estar associada a alergias, mas também pode ser
desencadeada por infecções virais. A gravidade varia de acordo com a causa e o
perfil de cada paciente”, destaca a médica da Pediatria Star.
Como identificar uma primeira crise de asma?
Uma
das principais dúvidas dos pais é saber diferenciar uma crise de asma de outros
quadros respiratórios comuns da infância. Os principais sinais de alerta
incluem:
• Tosse recorrente, principalmente durante a noite ou ao acordar;
• Chiado no peito;
• Falta de ar;
• Sensação de aperto no peito;
• Cansaço excessivo ou dificuldade para acompanhar atividades físicas.
Segundo
a pneumologista, o diagnóstico é baseado na avaliação clínica, no histórico do
paciente e na recorrência dos sintomas.
“Em
crianças acima de cinco anos, exames como a espirometria podem auxiliar na
confirmação do diagnóstico. Já nos menores, a avaliação da frequência dos
episódios, dos fatores de risco e da resposta ao tratamento ajuda a diferenciar
a asma de outros quadros respiratórios comuns da infância”, afirma.
Quando levar uma criança com crise de asma ao pronto-socorro?
Alguns
sintomas indicam que a crise de asma pode estar em um estágio mais grave e
exigem avaliação médica imediata. Os principais sinais de alerta são:
• Respiração rápida ou com esforço;
• Afundamento das costelas ou da região abaixo do pescoço ao respirar;
• Dificuldade para falar, mamar ou se alimentar devido à falta de ar;
• Lábios ou extremidades arroxeadas;
• Sonolência excessiva ou prostração;
• Ausência de melhora após o uso da medicação de resgate orientada pelo médico.
“Nessas
situações, a avaliação médica deve ser feita rapidamente para iniciar o
tratamento adequado e evitar a progressão da crise. Por isso, o pronto-socorro
é indicado quando há sinais de dificuldade respiratória ou ausência de melhora
com a medicação”, reforça Talia Muñoz.
Onde buscar atendimento de pronto-socorro pediátrico em São Paulo?
Em
casos de falta de ar intensa ou sinais de gravidade, a criança deve ser
avaliada em um pronto-socorro pediátrico. Em São Paulo, o Hospital Vila Nova
Star, da Rede D’Or, conta com a Pediatria Star, serviço pediátrico integrado
com pronto-socorro, suporte diagnóstico, internação e terapia intensiva,
preparado para atender crianças em diferentes níveis de complexidade.
A
estrutura reúne atendimento pediátrico especializado e suporte de diferentes
áreas médicas para casos que exigem acompanhamento de maior complexidade.
Tratamento e controle da doença
Embora
a asma não tenha cura, a doença pode ser controlada por meio de acompanhamento
médico adequado e tratamento contínuo. O objetivo é reduzir a inflamação das
vias aéreas, prevenir crises e permitir que a criança mantenha suas atividades
normalmente.
As
medicações são divididas em duas categorias principais:
Medicamentos
de controle: utilizados regularmente para reduzir a inflamação das vias aéreas
e prevenir crises. O principal exemplo é o corticoide inalatório.
Medicamentos
de alívio: utilizados durante episódios de piora para promover broncodilatação
e melhorar rapidamente a respiração.
Além
do tratamento medicamentoso, reduzir a exposição aos fatores que desencadeiam
os sintomas também é fundamental para evitar novas crises.
“O
diagnóstico precoce e o acompanhamento regular com o pneumologista permitem um
controle mais eficaz da doença e ajudam a prevenir futuras crises. É importante
lembrar que não existem tratamentos caseiros capazes de controlar uma crise de
asma. Em casos de primeira ocorrência ou agravamento dos sintomas, a
recomendação é procurar atendimento médico”, finaliza a especialista.

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