Procedimentos minimamente invasivos e terapias combinadas ampliam as possibilidades de tratamento para diferentes tipos de queda capilar
A perda frequente de cabelo deixou de ser um problema associado apenas ao envelhecimento masculino e passou a ser uma queixa cada vez mais comum, impactando profundamente a autoestima de um novo perfil de pacientes. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), revelam que a alopecia,condição caracterizada pela perda de cabelos ou pelos, afeta cerca de 42 milhões de pessoas no Brasil. O dado que mais chama atenção dos consultórios, no entanto, é o perfil epidemiológico: um quarto (25%) dos pacientes diagnosticados atualmente são jovens com idade entre 20 e 25 anos, e as mulheres representam 40% das pessoas afetadas pela condição no país.
Esse aumento no número de casos entre jovens e o público feminino acende um alerta de que essa queda capilar vai muito além da vaidade, exigindo investigação imediata para identificação de qual dos diferentes tipos de alopecia está em curso.
"A perda de fios mexe diretamente com a identidade e com o
bem-estar psicológico do paciente, gerando quadros de ansiedade e isolamento
social", afirma Marcel dos Santos, médico dermatologista e
professor da Faculdade São Leopoldo Mandic. "O grande erro
é tratar toda queda de cabelo da mesma forma ou recorrer a 'fórmulas
milagrosas' da internet. Cada tipo de alopecia tem uma causa biológica
completamente diferente e necessita de um protocolo específico. Quanto mais
cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de recuperar os fios."
Entenda os principais tipos de alopecia e seus sintomasA alopecia não é uma doença única, mas uma condição que pode se manifestar de diferentes formas, cada uma com características clínicas e graus de gravidade distintos:
- Alopecia Androgenética (Calvície
Hereditária): É o tipo mais comum, determinado
por fatores genéticos e hormonais. Nos
homens, os sintomas clássicos começam com o recuo da linha capilar
(as famosas "entradas") e falhas na coroa. Nas
mulheres, o principal indicativo é o afinamento progressivo
dos fios no topo da cabeça, tornando o couro cabeludo mais
visível, sem necessariamente criar áreas totalmente desprovidas de cabelo.
- Alopecia Areata: Uma condição inflamatória e autoimune na qual o próprio
sistema imunológico ataca os folículos capilares. O sintoma mais
característico é a perda abrupta de cabelo em formato de áreas
circulares ou ovais lisas (conhecidas como "clareiras"),
que podem surgir no couro cabeludo, na barba ou nas sobrancelhas.
- Eflúvio Telógeno: Caracteriza-se por uma queda aguda e intensa de fios
diários (geralmente perceptível em tufos no banho ou na escova). Costuma
ser desencadeado por eventos estressores ocorridos meses antes, como
infecções graves, pós-parto, dietas restritivas ou picos de estresse
emocional.
- Alopecia Cicatricial: Formas mais raras e graves onde a inflamação destrói o
folículo piloso, substituindo-o por tecido cicatricial, o que impede
permanentemente o nascimento de novos fios. Os sintomas associados incluem
vermelhidão, coceira intensa, descamação ou ardor no couro cabeludo.
Inovações
e métodos de tratamento
Apesar de causas variadas, a medicina capilar
evoluiu drasticamente, oferecendo diversos métodos avançados capazes de frear a progressão da calvície e, em
muitos casos, estimular o crescimento dos fios.“Hoje
é possível olhar não apenas para um tratamento tópico. Conseguimos desenvolver
planos de tratamento personalizados, associando terapias com medicamentos orais
modernos a procedimentos de consultório”, explica o especialista Marcel dos
Santos. Quando o assunto é o mercado de saúde capilar, dentre os métodos de
tratamento de maior destaque são:
- MMP (Microinfusão de
Medicamentos na Pele): Técnica que
permite a aplicação de substâncias diretamente no couro cabeludo por meio de
microagulhas, conforme indicação médica.
- Laserterapia de Baixa Potência: Uso de luzes de LED ou laser que estimulam a
microcirculação sanguínea no couro cabeludo, prolongando a fase de
crescimento do fio (fase anágena).
- Transplante Capilar (FUE): Indicado para casos mais
avançados, em que já houve perda significativa dos folículos capilares. A técnica moderna extrai unidades foliculares uma a uma da
área doadora do próprio paciente (geralmente a nuca) e as
implanta nas áreas calvas, proporcionando resultados duradouros e aspecto
natural.
A recomendação para quem percebe aumento da queda capilar, redução
da densidade dos fios ou falhas no couro cabeludo é evitar a automedicação e
procurar avaliação dermatológica o quanto antes para identificar a causa do problema
e definir o tratamento mais adequado.
São Leopoldo Mandic
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