Se no rótulo de um cosmético houver a frase “sem química”, desconfie. A afirmação, apesar de comum, não faz sentido do ponto de vista científico.
“As pessoas dizem que tudo que é químico é ruim. Mas eu estou aqui para dizer o
contrário. Quando você vir a frase ‘aqui não tem química’, não use aquele
cosmético, porque não existe uma formulação que não leve substâncias químicas”,
alerta a química e presidente do Conselho Regional de Química do Piauí (CRQ
XVIII-PI), Sandra Maria de Sousa.
Segundo ela, o ponto central não é a presença da química, mas a forma como as substâncias são utilizadas. “O que deve ser observado não é a presença da química, e sim como essas substâncias são aplicadas e em quais concentrações, sempre definidas a partir de critérios científicos rigorosos”, complementa.
Em um mercado altamente competitivo, a indústria de cosméticos busca constantemente formas de diferenciar seus produtos. Nesse cenário, tornaram-se comuns rótulos com apelos como “100% vegetal”, “sem parabenos” e “livre de sulfatos”. Mas será possível um cosmético ter essas características e ser seguro para o uso?
Tudo começa pela compreensão do que são os ativos. Quem tem cabelo oleoso, por exemplo, tende a procurar um xampu com propriedades capazes de reduzir essa oleosidade. Já um produto de limpeza profunda deve apresentar ação mais intensa para promover esse efeito. Os ativos são justamente as substâncias responsáveis pelos resultados prometidos pelo cosmético.
Para determinar a quantidade correta e segura desses ativos, é indispensável conhecimento técnico. Por meio de testes e estudos laboratoriais, o profissional da Química define as concentrações ideais para garantir que o produto seja eficiente e seguro. “Se um produto é ‘livre de parabenos’, por exemplo, é preciso questionar: o que foi utilizado em seu lugar? Essa substância é segura e foi devidamente testada?”, aponta Sandra.
Outra razão que reforça a importância do conhecimento especializado na
fabricação desses produtos é a sensibilidade individual. Por isso, muitos
rótulos trazem alertas para a realização de testes antes do uso. “Nos perfumes,
por exemplo, o ideal é aplicar uma pequena quantidade atrás da orelha. No caso
de esmaltes, a recomendação é testar em apenas uma unha para observar possíveis
reações”, orienta Sandra. “As cores, por si só, não são indicativas de
eficácia. No entanto, alguns pigmentos podem provocar reações em pessoas mais
sensíveis”, completa.
Como saber se um produto é seguro
A
segurança de um cosmético começa no trabalho técnico do profissional da
Química, responsável por desenvolver e testar fórmulas seguras. Apesar disso,
ainda é possível encontrar artigos irregulares sendo vendidos.
Antes
de comprar um cosmético:
- Verifique se a empresa tem registro na Anvisa
- Confira se o produto está devidamente regularizado.
- Certifique-se de que a empresa conta com a supervisão de um
responsável técnico.
- Em caso de dúvida, procure o Conselho Regional de Química de seu estado.
Nem tudo que viraliza é seguro
"Vinagre
é tempero, não cosmético. É ácido acético", explica Sandra, que ainda
alerta sobre os perigos de seguir as receitas "milagrosas" que
circulam na internet. Misturas com vinagre, bicarbonato, limão ou outros
ingredientes domésticos podem parecer inofensivas, mas não têm comprovação
científica de segurança e eficácia. “Tenham cuidado com receitas caseiras para
uso no cabelo ou na pele. Os cosméticos são elaborados e testados. Vamos
apostar na ciência”, alerta a profissional
Saiba mais: tipos de riscos dos produtos
Produtos de uso comum, do dia a dia, são classificados como grau de risco 1. Isso porque apresentam baixo potencial de causar danos à saúde e têm regularização simplificada junto à Anvisa. Nessa categoria estão os shampoos e sabonetes, por exemplo.
Já os produtos classificados como de grau de risco 2, como esmaltes hipoalergênicos e desodorantes antitranspirantes, incluem aqueles que exigem comprovação prévia de segurança e eficácia antes de serem comercializados.
Para atender a essas exigências, os produtos passam por testes laboratoriais
realizados em instituições credenciadas, responsáveis por avaliar aspectos como
qualidade, estabilidade e desempenho das formulações. Esses estudos são
obrigatórios para a regularização e o registro dos produtos junto aos órgãos
competentes. “É por meio desses testes que se garante que o cosmético é seguro
e entrega o resultado que promete”, explica Sandra.
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