segunda-feira, 25 de maio de 2026

Reta final do Imposto de Renda: veja quais erros simples podem levar contribuintes à malha fina e até bloquear acesso a crédito

Especialista em finanças alerta para falhas comuns na reta final da declaração, inconsistências na pré-preenchida e oportunidades legais para reduzir o imposto pago

 

Com o prazo final da declaração do Imposto de Renda se aproximando — o envio deve ser feito até 29 de maio, a corrida de última hora já começou para milhares de brasileiros. O problema é que a pressa aumenta o risco de erros que podem resultar em malha fina, multas e até restrições no CPF, dificultando acesso a crédito e financiamentos. Segundo a Receita Federal, a multa mínima por atraso é de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido. 

 

Segundo o especialista em investimentos e educação financeira da cooperativa de crédito CredCrea, Álvaro Alves Marques, a reta final costuma concentrar os principais equívocos dos contribuintes, especialmente por falta de conferência das informações e dependência de documentos enviados por terceiros.

 

“Quanto mais perto do prazo final, mais correria existe para reunir documentos, revisar dados e buscar informações com bancos, empresas e instituições financeiras. E é nesse período que acontecem os erros”, afirma.


 

Declaração pré-preenchida: fique de olho nas inconsistências


Entre os principais pontos de atenção neste ano está a declaração pré-preenchida. Apesar de facilitar o processo, o modelo automático apresentou inconsistências em diferentes situações, exigindo revisão detalhada antes do envio.

 

“A pré-preenchida ajuda bastante, mas ela não elimina a necessidade de conferência. Neste ano, inclusive, muita gente relatou erros e informações incompletas”, alerta.

 

Especialistas e entidades do setor contábil também têm alertado para inconsistências na declaração pré-preenchida neste ano. O Conselho de Contabilidade (CFC) orienta que os contribuintes revisem todas as informações antes do envio para evitar erros e riscos de cair na malha fina.


 

Investimentos e bens exigem atenção redobrada


De acordo com o especialista, um dos erros mais comuns envolve aplicações financeiras e patrimônio que não aparecem automaticamente na declaração.

“Se o contribuinte fez uma aplicação e não houve resgate, muitas vezes isso não aparece na pré-preenchida. O mesmo acontece com bens adquiridos recentemente, como carros e motos. Se a pessoa não revisar, corre o risco de omitir patrimônio sem perceber”, explica.


Outro ponto que gera dúvidas frequentes está relacionado aos rendimentos de investimentos.


“Muita gente acha que deve atualizar o valor da aplicação conforme a rentabilidade, mas isso nem sempre é correto. Enquanto não existe resgate, normalmente não há fato gerador do imposto sobre aquele rendimento”, comenta.



Receita amplia cruzamento de dados


Com sistemas cada vez mais integrados, a Receita Federal vem ampliando o monitoramento das movimentações financeiras e patrimoniais dos contribuintes. A própria Receita destaca que as declarações passam por cruzamento de informações com dados enviados por empresas, bancos, planos de saúde e instituições financeiras. 


“A fiscalização está muito mais detalhada. Hoje existe cruzamento de dados bancários, patrimoniais e financeiros em uma velocidade muito maior do que alguns anos atrás”, diz Álvaro.


Segundo ele, isso também aumenta o risco de problemas futuros para quem entrega a declaração sem atenção.


“A pessoa pode acreditar que está tudo certo agora e descobrir anos depois que caiu na malha fina por uma informação declarada incorretamente.”


 

Empresas no lucro presumido também entram no radar


Além das pessoas físicas, empresários que atuam no lucro presumido precisam redobrar a atenção na reta final do IR. Segundo Álvaro, muitas dúvidas surgem justamente sobre tributação de aplicações financeiras dentro das empresas.


“Muitos contadores dominam a operação tradicional da empresa, mas nem sempre têm profundidade sobre tributação de investimentos e receitas financeiras no lucro presumido”, afirma.


De acordo com ele, erros nesse tipo de declaração podem gerar cobrança adicional de imposto e autuações futuras.


 

Completa ou simplificada? Escolha errada pode gerar prejuízo


Outro ponto que merece análise é a escolha entre declaração simplificada e completa. A opção mais indicada depende do perfil de gastos do contribuinte.


Na simplificada, o desconto padrão é de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado ao teto previsto pela Receita Federal. Já na completa, é possível deduzir despesas com saúde, previdência privada, dependentes e educação. 

 

“Quem teve gastos médicos elevados, por exemplo, geralmente encontra mais vantagens na declaração completa, porque despesas de saúde não possuem teto de abatimento”, explica.

 

O especialista também destaca que muitos brasileiros deixam de utilizar mecanismos legais para reduzir a carga tributária.

 

“Existe uma diferença importante entre evasão fiscal, que é ilegal, e planejamento tributário dentro da lei. Muitas pessoas acabam pagando mais imposto do que precisariam por falta de orientação.”

 

Segundo Álvaro, estratégias como previdência privada e organização tributária ao longo do ano podem ajudar o contribuinte a reduzir legalmente o valor pago em imposto. “Além de pensar no futuro, a previdência pode trazer benefícios fiscais importantes no presente, desde que exista planejamento”, pontua.


 

Atenção aos últimos dias


Para quem ainda não enviou a declaração, a principal recomendação é evitar a pressa. Segundo Álvaro, revisar todas as informações da declaração pré-preenchida é indispensável, especialmente dados relacionados a investimentos, patrimônio e despesas dedutíveis. Também é importante conferir informes bancários, recibos médicos e comprovantes de pagamentos ao longo do ano para evitar inconsistências que possam chamar a atenção da Receita Federal.

 

O especialista orienta ainda que o contribuinte avalie com cuidado qual modelo de declaração é mais vantajoso (simplificada ou completa) já que a escolha errada pode significar pagamento maior de imposto ou perda de restituição. “Muitas pessoas acabam selecionando a opção mais fácil sem perceber que poderiam ter um abatimento muito maior na completa, principalmente quando possuem despesas médicas, previdência privada ou dependentes”, explica.

 

Outro ponto de atenção é não deixar o envio para os últimos dias. Além da sobrecarga nos sistemas e da correria para reunir documentos, o contribuinte perde tempo importante para revisar informações e esclarecer dúvidas com profissionais especializados.

“Quem faz a declaração com calma consegue revisar melhor os dados, reduzir riscos e ainda aumentar as chances de receber a restituição mais cedo”, finaliza Álvaro.

 

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