terça-feira, 26 de maio de 2026

Quando procurar um geriatra? Especialista explica por que o cuidado deve começar antes da terceira idade

Busca preventiva pelo especialista pode ajudar a preservar autonomia, independência e qualidade de vida ao longo do envelhecimento

 

Ainda é comum associar o médico geriatra apenas ao cuidado de idosos muito fragilizados ou com doenças avançadas. No entanto, segundo o Dr. Leonardo Lopes, coordenador da pós-graduação em Geriatria da Afya Educação Médica São Paulo, o acompanhamento geriátrico pode começar antes mesmo do surgimento de limitações importantes, funcionando como uma estratégia preventiva para garantir mais autonomia, independência e qualidade de vida ao longo do envelhecimento. 

Segundo o especialista, não existe uma idade exata para iniciar o acompanhamento com um geriatra. A recomendação depende das necessidades, condições de saúde e objetivos de cada paciente. “Muita gente acredita que o geriatra deve ser procurado apenas quando surgem problemas mais graves ou perda importante de autonomia, mas esse cuidado pode começar antes, com foco em prevenção e promoção de qualidade de vida. Quanto mais cedo conseguimos identificar fatores que impactam o envelhecimento, maiores são as chances de preservar independência e bem-estar ao longo dos anos”, explica. 

Assim como a pediatria se dedica ao cuidado de uma faixa etária específica, a geriatria é voltada ao acompanhamento da população idosa, considerada no Brasil a partir dos 60 anos. No entanto, muitas condições que afetam a saúde nessa fase da vida começam a se desenvolver décadas antes, ainda na vida adulta. Por isso, o acompanhamento preventivo e o controle adequado de fatores de risco podem contribuir para reduzir complicações futuras e promover um envelhecimento mais saudável.

Diferente de especialidades focadas em órgãos específicos, o geriatra avalia o paciente de forma integral, considerando fatores físicos, cognitivos, emocionais e sociais. O especialista acompanha as mudanças naturais do envelhecimento e ajuda a identificar precocemente alterações que podem impactar a rotina e a funcionalidade ao longo dos anos. 

Entre os sinais de atenção que indicam a necessidade de procurar um geriatra estão esquecimentos frequentes, alterações de memória, quedas recorrentes, perda de equilíbrio, perda de força muscular, dificuldade para realizar atividades do dia a dia, uso simultâneo de muitos medicamentos, além de mudanças de humor, isolamento social, sintomas depressivos e dificuldades relacionadas ao sono, alimentação ou mobilidade. O acompanhamento também pode ser importante para pessoas diagnosticadas com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e osteoporose. 

O crescimento da população idosa brasileira reforça a importância desse cuidado. Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que o Brasil já possui mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, número que representa cerca de 15,6% da população. A tendência é de crescimento acelerado nas próximas décadas.

Além do acompanhamento clínico, o geriatra também atua na prevenção e no tratamento de condições frequentes no envelhecimento, como demências, sarcopenia, osteoporose, insônia, incontinência urinária, depressão e doenças cardiovasculares e respiratórias. O trabalho costuma envolver uma abordagem multidisciplinar, em parceria com fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais de saúde. 

Outro papel importante da geriatria é a avaliação do uso de medicamentos, situação comum entre idosos. Isso porque o consumo excessivo ou inadequado de remédios pode aumentar o risco de efeitos colaterais, quedas, confusão mental e perda de independência.

“O envelhecimento saudável depende de acompanhamento contínuo e de hábitos construídos ao longo da vida. Quanto mais cedo começamos a cuidar da saúde de forma preventiva, maiores são as chances de chegar à terceira idade mantendo autonomia, bem-estar e qualidade de vida”, conclui Leonardo.


Afya
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Referências 

1.    IBGE: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-04/populacao-no-brasil-cresce-em-ritmo-menor-e-esta-envelhecendo

2.    Demografia médica 2025: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/abril/usuarios-de-plano-de-saude-tem-mais-acesso-a-cirurgias-do-que-pacientes-do-sus-aponta-demografia-medica-2025



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