Especialista explica como a estação influencia emoções, energia e comportamento, além de favorecer momentos de pausa, reorganização e desapego emocional
Com a chegada do outono, mudanças no humor, na disposição e na
forma de lidar com a rotina tornam-se mais perceptíveis para muitas pessoas. A
redução da luz solar, as temperaturas mais baixas e o ritmo naturalmente mais
introspectivo da estação favorecem momentos de recolhimento, revisão de hábitos
e desaceleração. Para o Ayurveda, sistema milenar de cuidado integral, esse
movimento está diretamente ligado às características energéticas do período.
Segundo a professora de meditação e yoga, mentora espiritual e
coach em Ayurveda, Fernanda Ester Machado, o outono é regido pelo dosha Vata,
associado aos elementos ar e éter, ligados ao movimento, às mudanças e às
transições.
“No Ayurveda, o outono representa uma mudança de energia do
externo para o interno. É um período que favorece reflexão, revisão de hábitos
e reorganização emocional. A queda, nesse contexto, não significa perda, mas
transformação”, explica.
De acordo com Fernanda, assim como a natureza passa por um
processo de renovação durante a estação, corpo e mente também tendem a buscar
mais equilíbrio e estabilidade. Por isso, o período pode despertar uma
necessidade maior de desacelerar, reorganizar prioridades e até encerrar ciclos
que já não fazem mais sentido.
“O predomínio de Vata nesta época do ano pode aumentar a sensação
de instabilidade, ansiedade e acelerar os pensamentos. Muitas vezes, tentamos
compensar isso mantendo o ritmo intenso do restante do ano, mas o corpo
naturalmente pede mais pausa e recolhimento”, afirma.
A especialista ressalta que respeitar esse movimento pode
contribuir diretamente para a saúde emocional e para a redução da sobrecarga
mental. Isso porque o excesso de estímulos e a manutenção de uma rotina
acelerada tendem a intensificar os desequilíbrios característicos da estação.
“Quando conseguimos diminuir estímulos, desacelerar e criar
momentos de presença, o sistema nervoso encontra mais estabilidade. A mente
fica mais organizada e as emoções tendem a ganhar mais clareza”, destaca.
Outro ponto importante durante o outono, segundo Fernanda, é o
desapego emocional. A estação também pode funcionar como um convite para
encerrar padrões, relações e hábitos que já não contribuem para o bem-estar.
“No Ayurveda, o equilíbrio está relacionado à capacidade de
permitir movimento e renovação emocional. Quando nos agarramos ao que já
cumpriu sua função, criamos estagnação emocional. O outono nos ensina que
soltar também faz parte do equilíbrio”, pontua.
Além do aspecto emocional, o período também favorece uma espécie
de “colheita interna”. Dentro da visão ayurvédica, não apenas alimentos
precisam ser digeridos, mas também emoções, experiências e vivências acumuladas
ao longo do tempo.
“O outono é um momento de assimilação. Muitas vezes, começamos a
perceber o que amadureceu dentro de nós ao longo do ano, o que mudou na forma
como nos posicionamos e até aquilo que ainda precisa de mais atenção e
acolhimento”, explica.
Embora uma leve introspecção seja comum nesse período, Fernanda
alerta para a importância de observar sinais persistentes de sofrimento
emocional, como ansiedade constante, sensação de vazio, pensamentos acelerados
e dificuldade de se conectar ao presente.
“Um recolhimento saudável costuma trazer mais clareza e sensação
de presença. Quando existe sofrimento contínuo ou excesso de desconexão, é
importante olhar para isso com mais atenção e buscar apoio, se necessário”,
orienta.
Como não sofrer no outono
Para atravessar o outono com mais equilíbrio, a especialista
recomenda práticas que ajudem a regular Vata e fortalecer a sensação de
estabilidade física e emocional. Entre elas estão meditação, yoga, alimentação
quente e sazonal, como sopas e caldos preparados com ingredientes da estação,
além da redução de estímulos e da criação de rotinas mais consistentes.
“Pequenas pausas conscientes, exercícios de respiração, horários organizados e uma alimentação mais quente e nutritiva ajudam corpo e mente a atravessar essa transição com mais estabilidade. O outono convida a um ritmo menos acelerado, com mais presença, descanso e reconexão consigo mesmo”, finaliza.
Fernanda também aborda práticas de ressignificação emocional no livro Encontre o Extraordinário em Meio às Cicatrizes, no qual apresenta o Método SOL (Sofrimento Obrigatório Liberta), voltado ao fortalecimento emocional e à reconstrução de perspectivas após experiências traumáticas.
Fernanda Ester Machado - professora de meditação, mentora espiritual e coach em Ayurveda, com formação internacional. Também reikiana e professora de yoga, encontrou na espiritualidade o caminho para sua própria cura após vivências de abandono e sofrimento. Estudou com mestres como Bob Proctor, Michael Beckwith e Roger Gabriel, além de realizar treinamentos com monges budistas na Índia e na Tailândia. Ao longo dos últimos anos, impactou mais de 15 mil pessoas em retiros, mentorias e cursos presenciais e online. Seu trabalho une espiritualidade, neurociência e práticas terapêuticas, com foco em autoconhecimento, cura interior e desenvolvimento humano. Seu público é formado majoritariamente por mulheres em busca de reconexão com sua essência, libertação emocional e transformação de vida.
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