sábado, 30 de maio de 2026

Muito além do físico: por que a corrida é considerada um remédio natural contra o estresse

Coordenadora de Educação Física da Unifran explica os efeitos científicos da corrida no cérebro, ensina como iniciar de forma segura e traz conselho para vencer a preguiça

 

No dia 3 de junho é celebrado o Dia Mundial da Corrida (Global Running Day), uma data que convida pessoas do mundo todo a calçarem os tênis e darem os primeiros passos em direção a uma vida mais ativa. Mas, muito além de queimar calorias e fortalecer o coração, a ciência revela que o ato de correr funciona como um verdadeiro "remédio não farmacológico" para a saúde mental e cognitiva. Para explicar esse impacto profundo, a professora Luciana Moreira Motta Raiz, coordenadora do curso de Educação Física da Unifran, detalha como a prática regular da corrida atua no cérebro, auxilia no desempenho profissional e garante um envelhecimento saudável.

 

A ciência por trás da felicidade pós-treino

Sabe aquela sensação de leveza e felicidade que sentimos logo após terminar uma corrida? Ela tem explicação científica e envolve uma verdadeira "química do bem-estar" no cérebro. 

"Uma série de estudos já mostrou que a prática regular de corrida estimula a liberação de endorfina, serotonina e dopamina, substâncias diretamente relacionadas à redução do estresse, da ansiedade e de sintomas depressivos", explica Luciana. "Além disso, do ponto de vista cognitivo, os exercícios aeróbicos favorecem a neuroplasticidade, melhorando funções executivas do dia a dia, a memória e a regulação emocional", complementa. 

O resultado prático disso é o aumento da autoestima, maior capacidade de concentração nas tarefas diárias e uma dose extra de disciplina e disposição geral para encarar a rotina.

 

Por que a corrida é o esporte mais democrático do mundo?

Uma das maiores vantagens da corrida é a sua barreira de entrada quase inexistente. Por ter baixo custo, fácil acesso e poder ser praticada em ruas, parques e praças sem a necessidade de equipamentos complexos, ela atrai públicos de todas as idades, condições financeiras e níveis de condicionamento. 

Para quem deseja aproveitar o Dia Mundial da Corrida para sair do sedentarismo, a especialista da Unfiran lista as principais recomendações da literatura científica para começar sem o risco de lesões: 

  1. Comece de forma gradual: intercale momentos de caminhada com trotes e corridas leves de distâncias curtas. Respeite os períodos de descanso e evite aumentos bruscos de intensidade.
  2. Fortaleça a musculatura: exercícios para fortalecer as pernas e o core (sistema de estabilização do tronco e abdômen) são fundamentais para proteger as articulações dos impactos da corrida.
  3. Monitore seus limites: é altamente recomendável contar com a orientação de um profissional de educação física e monitorar os sinais vitais.
  4. Cuide do básico: uma boa alimentação, hidratação constante e períodos adequados de sono são combustíveis obrigatórios para quem quer evoluir no esporte.

 

Foco no trabalho, sono regulado e envelhecimento saudável

No longo prazo, os benefícios da corrida se acumulam e funcionam como uma poupança para o futuro. O exercício ajuda a regular o ciclo sono-vigília, combatendo a insônia e a fadiga durante o dia. Além disso, ao aumentar o fluxo sanguíneo cerebral, o esporte melhora a memória e a tomada de decisões, habilidades que impactam diretamente o desempenho profissional. 

Quando o assunto é envelhecer bem, os corredores ativos saem na frente. "Estudos indicam que corredores apresentam menor risco de doenças cardiovasculares, declínio cognitivo e perda funcional. A corrida contribui para a manutenção da massa muscular e da densidade óssea, o que garante autonomia e qualidade de vida na terceira idade", ressalta a professora.

 

O conselho de ouro para vencer a preguiça

Para aqueles dias em que a disposição parece não aparecer, a docente da Unifran deixa um conselho prático e acolhedor: "O melhor treino é aquele que você fez, mesmo cansado, mesmo com preguiça ou desejando não fazer. Comece pequeno, respeite os seus limites. Antes o feito que o perfeito. Aos poucos, você se supera", finaliza a especialista.



Unifran
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