quinta-feira, 28 de maio de 2026

IA redefine o RH e coloca relações humanas no centro das empresas, aponta estudo da ABRH

Relatório desenvolvido após imersão da entidade no SXSW 2026 analisa impactos da inteligência artificial nas relações de trabalho e na gestão de pessoas


 

A adoção acelerada de inteligência artificial está levando o RH ao centro das decisões estratégicas das empresas. A conclusão é do relatório HR Futures Intelligence, desenvolvido pela ABRH Brasil a partir da imersão da entidade no SXSW 2026, maior evento de inovação e tecnologia do mundo.

 

A IA deixou de ser apenas uma promessa tecnológica para se tornar uma força capaz de redesenhar o trabalho, a liderança e a dinâmica das empresas. Segundo o relatório, até 2030, as companhias poderão operar com uma composição formada por 40% de profissionais em tempo integral, 40% em modelos flexíveis e 20% de atuação automatizada por IA. 

 

“Hoje, 95% das organizações ainda não reportam retorno claro sobre iniciativas de IA generativa. A nossa tese é que os 5% que conseguem gerar valor não tratam IA como projeto exclusivo de tecnologia: têm o líder de RH correalizando a implementação, integrando o melhor da inteligência humana com o melhor da inteligência artificial. Esse fato vai potencializar o valor e a essencialidade do RH para tornar as organizações ainda mais competitivas e sustentáveis,” afirma Vitor Igdal, Presidente da ABRH Bahia e Idealizador do HR Futures Intelligence.

 

A partir dessa transformação, o estudo identifica sete grandes “pressões do futuro” que já impactam as organizações. Entre elas estão o redesenho acelerado das funções profissionais, a perda de atenção qualificada, o aumento da necessidade de vínculo entre equipes e a exigência de uma nova postura das lideranças. “O desafio não é competir com a tecnologia, e sim construir organizações capazes de usar inovação sem perder discernimento, confiança e humanidade”, afirma Leyla Nascimento, presidente da ABRH Brasil.

 

Outro ponto destacado é a preocupação com a perda de profundidade cognitiva. O estudo menciona pesquisas apresentadas no SXSW indicando que desenvolvedores juniores que utilizavam IA tiveram queda de 17% ou mais na compreensão das tarefas executadas. Isso deve provocar uma revisão ampla de funções corporativas, especialmente em áreas administrativas, atendimento, backoffice e operações analíticas. “Quanto mais a tecnologia avança, mais estratégicas se tornam capacidades como julgamento, criatividade, comunicação, liderança e senso de contexto”, diz.

 

O relatório também chama atenção para um movimento paradoxal: quanto maior a presença digital, maior a necessidade de pertencimento e relações reais dentro das empresas. Dados apresentados no estudo mostram que 49% da Geração Z afirmam já ter desenvolvido algum tipo de relação significativa com IA, enquanto cresce simultaneamente a busca por conexões humanas e senso de comunidade.

 

Nesse contexto, habilidades consideradas “comportamentais” ganham valor estratégico. “O RH deixa de atuar apenas como área de suporte e passa a participar da arquitetura das transformações. Isso significa ajudar empresas a redesenhar trabalho, fortalecer culturas saudáveis. O futuro do trabalho será cada vez mais tecnológico, mas também mais humano”, diz a presidente da ABRH Brasil.

 

 

ABRH Brasil - Associação Brasileira de Recursos Humanos



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