sábado, 16 de maio de 2026

Febre das figurinhas: o que o hábito de colecionar pode estimular no cérebro de crianças e adolescentes?

Neuropsicóloga explica como o fenômeno dos álbuns da Copa do Mundo vai além da brincadeira e pode contribuir para desenvolvimento cognitivo e social

 

A cada edição da FIFA World Cup, uma tradição volta a mobilizar crianças, adolescentes e até adultos: colecionar figurinhas. Trocas nas escolas, busca pelas “raras” e o desafio de completar o álbum transformam a brincadeira em um verdadeiro fenômeno cultural — e, segundo especialistas, a experiência pode trazer benefícios importantes para o desenvolvimento infantil.

De acordo com a neuropsicóloga Aline Graffiette, o hábito de colecionar estimula diferentes áreas cognitivas e emocionais, principalmente em crianças e adolescentes.

“Apesar de parecer apenas entretenimento, colecionar figurinhas envolve memória, organização, atenção, planejamento e interação social. O cérebro trabalha diversas habilidades durante esse processo”, explica.

A especialista destaca que o simples ato de procurar números repetidos, identificar espaços vazios no álbum e organizar as páginas já estimula funções executivas importantes para o desenvolvimento cognitivo.

Além disso, a troca de figurinhas favorece habilidades sociais e emocionais. “A criança aprende negociação, espera, frustração, comunicação e convivência. Existe um aspecto coletivo muito forte nessa experiência”, afirma Aline Graffiette.

Outro ponto observado pela profissional é o impacto afetivo e nostálgico do hábito. “Colecionar também cria memória emocional. Muitos adultos revivem experiências da infância através dos álbuns, o que ajuda a explicar por que a febre das figurinhas atravessa gerações”, diz.

Em um cenário dominado por telas e estímulos digitais rápidos, atividades físicas e interativas como essa ganham ainda mais relevância. “É uma brincadeira que promove interação presencial, troca entre amigos e senso de pertencimento, algo muito importante principalmente para crianças e adolescentes”, destaca.

A neuropsicóloga ressalta, porém, que os pais devem acompanhar a experiência para evitar excessos ligados ao consumo ou frustração exagerada. “O ideal é que a atividade seja vivida de forma leve e divertida, sem transformar o álbum em motivo de ansiedade ou competição extrema”, explica.

Benefícios que o hábito de colecionar figurinhas pode estimular

·         atenção e concentração;

·         memória visual;

·         organização;

·         raciocínio lógico;

·         habilidades sociais;

·         tolerância à frustração;

·         interação fora das telas.

Para Aline Graffiette, o sucesso das figurinhas mostra que experiências simples continuam despertando interesse mesmo na era digital. “Existe um valor emocional e social muito grande nesse tipo de brincadeira. Ela conecta pessoas, gera troca e estimula habilidades importantes de forma natural e prazerosa”, finaliza.

 

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