sexta-feira, 29 de maio de 2026

Dia Mundial Sem Tabaco reforça perigos do cigarro para cabeça e pescoço

 Tabagismo é um dos principais fatores de risco para câncer de laringe e outras doenças que afetam voz, respiração e qualidade de vida

 

O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, chama a atenção da população para os impactos negativos da nicotina na saúde. Reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base do tabaco, o tabagismo também é considerado a maior causa evitável de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de oito milhões de pessoas morrem anualmente no mundo devido ao uso do tabaco. No Brasil, o cigarro está diretamente relacionado ao desenvolvimento de aproximadamente 50 doenças, incluindo diversos tipos de câncer, doenças respiratórias crônicas e problemas cardiovasculares. 

Segundo o Dr. André Alencar, otorrinolaringologista e presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), o tabagismo é um dos principais fatores de risco para doenças que atingem a cabeça e o pescoço, especialmente o câncer de laringe, enfermidade que compromete diretamente a voz, a respiração e a qualidade de vida dos pacientes. Ele explica que a fumaça do cigarro contém milhares de substâncias tóxicas capazes de provocar inflamações, lesões e danos permanentes às cordas vocais. “Entre os principais sinais de alerta estão a rouquidão persistente; a dificuldade para falar; a tosse frequente; a falta de ar e a dor ao engolir. Em casos mais graves, o câncer de laringe pode exigir cirurgia para a retirada parcial ou total da laringe.” 

Além desse tipo de câncer, a nicotina e os compostos tóxicos presentes no cigarro também estão associados a doenças respiratórias, como bronquite crônica, enfisema pulmonar e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Em termos comparativos, dados do Ministério da Saúde mostram que o câncer de cabeça e pescoço acomete entre 35 mil e 40 mil brasileiros por ano, enquanto o tabagismo provoca mais de 160 mil mortes anualmente no País.

 

Histórico

O número de fumantes no Brasil vinha registrando uma queda significativa nas últimas décadas. Entre 1989 e 2023, o número caiu de 35% para 9,3%. Contudo, dados recentes do Ministério da Saúde apontam que de 2023 para 2024 voltou a crescer o número de fumantes, chegando a 11,6%. Esse aumento acendeu um sinal de alerta entre os especialistas e os gestores de saúde pública, especialmente devido ao avanço do uso dos cigarros eletrônicos entre os jovens. “Apesar de muitas vezes serem vistos como alternativas menos nocivas, eles também possuem nicotina e substâncias químicas capazes de causar dependência e danos severos ao sistema respiratório e às vias aéreas superiores”, explica o Dr. Alencar, ao reforçar que a prevenção e o abandono do tabagismo são fundamentais para reduzir casos de câncer, doenças respiratórias e complicações que afetam diretamente a qualidade de vida da população. 

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente tratamento e acompanhamento para quem deseja parar de fumar.

 

Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF


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