Alterações no corpo, na rotina e na identidade impactam a forma como a mulher se vê; especialistas apontam que alinhar imagem à nova fase melhora autoestima, reduz compras impulsivas e facilita o dia a dia.
A maternidade costuma reorganizar prioridades de
forma radical. O que raramente entra na conversa é o impacto dessa transição na
relação com a própria imagem. Entre o pós-parto, a volta ao trabalho e a nova
dinâmica de tempo, muitas mulheres passam a relatar uma sensação recorrente: o
armário não acompanha mais quem elas se tornaram.
Há evidência de que essa percepção não é isolada.
Revisões publicadas pela American Psychological Association
indicam que mudanças corporais e de rotina no pós-parto estão associadas a
variações na autoestima e na autopercepção. No Brasil, estudos da Fundação
Oswaldo Cruz sobre saúde mental materna mostram aumento de
sintomas de ansiedade e autocrítica nesse período. Na prática, isso se traduz
em dificuldade de se reconhecer, inclusive na forma de se vestir.
“Não é falta de cuidado. É falta de referência”,
diz Juliane Nascimento, consultora de imagem e empresária à frente da Laleju
Store (https://www.lalejustore.com.br). “A mulher muda
de fase, mas continua tentando vestir a versão anterior de si mesma. O
desconforto vem daí.”
O armário como indicador (e
não solução)
No varejo de moda, o acúmulo de peças não garante
funcionalidade. Relatórios da McKinsey & Company sobre
comportamento de consumo apontam que decisões de compra são frequentemente
influenciadas por emoção e contexto, especialmente em categorias ligadas à imagem.
Já levantamentos da Global Fashion Agenda indicam
crescimento contínuo da produção de vestuário nas últimas décadas, enquanto a
taxa de uso por peça diminui.
O resultado aparece no cotidiano: armários cheios e
pouca identificação. “A cliente compra buscando resolver um incômodo — cansaço,
comparação, urgência. Só que, sem clareza de identidade e rotina, a peça entra
no armário e não se conecta com o resto”, afirma Juliane.
Caso real: quando o ajuste é
de fase, não de tendência
Em atendimento recente, uma cliente, mãe de
primeira viagem, retomando o trabalho , relatava que “não tinha mais estilo”. O
guarda-roupa estava completo, mas nada funcionava para a nova rotina:
amamentação, deslocamentos rápidos, reuniões híbridas.
O diagnóstico não apontou “falta de peças”, e sim
desalinhamento. Foram feitos ajustes pontuais: tecidos mais práticos,
modelagens que acomodassem o corpo atual sem abrir mão de estrutura, e uma
paleta de cores que facilitasse combinações no dia a dia.
“Em poucas semanas, ela reduziu o tempo de escolha,
parou de comprar por impulso e voltou a se sentir segura em reuniões. Não houve
‘antes e depois’ dramático. Houve coerência”, diz Juliane.
Autoestima, tempo e decisão
A relação entre imagem e autoestima não é linear,
mas é prática. Quando a escolha de roupa exige menos energia, porque as peças
conversam entre si, o dia começa com menos atrito. Isso impacta a postura,
presença e até disposição para exposição profissional.
“Moda, nesse contexto, deixa de ser cobrança e vira
ferramenta. A pergunta deixa de ser ‘o que está na moda’ e passa a ser ‘o que funciona
para a minha vida hoje’”, afirma.
O que muda na prática
Ajustar a imagem à fase atual não significa
abandonar identidade, e sim atualizá-la. Na Laleju Store, Juliane observa três
efeitos recorrentes após esse alinhamento:
- Menos
compra por impulso — a cliente passa a reconhecer o que não faz
sentido.
- Mais
combinações possíveis — peças com função clara e interoperáveis.
- Mais
segurança —
redução do tempo de decisão e da sensação de inadequação.
“Não é sobre voltar ao corpo de antes. É sobre
sustentar quem você é agora”, resume.
COMO SABER SE SUA IMAGEM FICOU
PARA TRÁS EM RELAÇÃO À SUA VIDA
Sinais comuns
- O
armário está cheio, mas você repete poucas combinações
- Você
compra peças que não usa depois
- A
roupa não acompanha sua rotina atual (trabalho, filhos, deslocamentos)
- Você
evita se arrumar por falta de referência
- Existe
desconforto em eventos, reuniões ou gravações
Ajustes que costumam resolver
- Definir
uma base de cores que facilite combinações
- Priorizar
tecidos e modelagens compatíveis com a rotina
- Revisar
peças que “ficaram” em outra fase
- Montar
cápsulas semanais (menos decisão no dia a dia)
- Alinhar
imagem com objetivos (trabalho, visibilidade, conforto)

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