sexta-feira, 29 de maio de 2026

Copa do Mundo de 2026 aumenta procura por vistos americanos e exige atenção redobrada de brasileiros

Especialista em imigração alerta para os principais fatores analisados pelo consulado e explica por que consistência e vínculos com o Brasil seguem decisivos na aprovação

 

A proximidade da Copa do Mundo de 2026, que terá os Estados Unidos como uma das sedes principais, já provoca um aumento expressivo na procura por vistos americanos entre brasileiros que desejam acompanhar o torneio presencialmente. O movimento acompanha o crescimento das viagens internacionais e a expectativa de milhões de turistas circulando pelo país durante o evento.

Segundo dados do National Travel and Tourism Office (NTTO), os Estados Unidos receberam 1,9 milhão de brasileiros em 2025, mantendo o Brasil entre os principais emissores de turistas para o território americano. Com a alta demanda prevista para os próximos meses, autoridades americanas já anunciaram medidas para ampliar a capacidade de atendimento e priorizar entrevistas ligadas ao evento esportivo.

Mesmo assim, o processo de solicitação de visto ainda gera insegurança e dúvidas entre os viajantes. Muitos brasileiros acreditam que existe um “perfil ideal” para conseguir aprovação ou que fatores isolados, como ter dinheiro na conta ou falar inglês fluentemente, sejam determinantes para obter o documento.


O que realmente pesa na análise do consulado

Para a advogada Dra. Ingrid Domingues-McConville, com 31 anos de atuação nos Estados Unidos e experiência em imigração empresarial e familiar, a análise consular costuma ser mais objetiva do que as pessoas imaginam.

“A decisão não é baseada em um único fator, mas no conjunto da vida da pessoa. O agente consular quer entender se aquele candidato tem vínculos reais com o país de origem”, explica.

Segundo a especialista, o principal critério continua sendo a capacidade do solicitante de demonstrar que possui razões concretas para retornar ao Brasil após a viagem. “Não existe um modelo perfeito de candidato. O consulado não busca um tipo específico de pessoa, mas sim entender se ela tem motivos concretos para voltar ao Brasil após a viagem”, afirma.

Ela explica que a estabilidade profissional costuma ter um peso importante na análise. “Um emprego estável, tempo de casa ou um negócio próprio mostram que o solicitante tem vínculos sólidos com o Brasil. Isso pesa bastante na decisão”, destaca.

Ao mesmo tempo, Ingrid alerta que possuir recursos financeiros elevados não garante aprovação automática. “A condição financeira ajuda a demonstrar que a pessoa pode custear a viagem, mas não prova que ela vai retornar. Estabilidade é mais relevante do que saldo bancário”, pontua.


Familiares nos EUA e negativas anteriores ainda geram dúvidas

Outro aspecto que costuma gerar questionamentos é a existência de familiares vivendo nos Estados Unidos. Segundo a advogada, isso não impede a emissão do visto, mas pode gerar perguntas adicionais durante a entrevista.

“Pode haver questionamentos sobre a real intenção da viagem. Não impede a aprovação, mas exige respostas claras e coerentes”, explica.

A especialista também reforça que negativas anteriores não encerram as chances de conseguir o documento futuramente. “A negativa fica registrada, mas não impede uma nova aprovação. O importante é que a situação do solicitante tenha mudado de forma significativa desde o pedido anterior”, afirma.


Entrevista exige clareza e coerência

Com a proximidade da Copa, Ingrid observa ainda um aumento na ansiedade de quem fará a entrevista pela primeira vez. Nesses casos, ela recomenda evitar respostas decoradas ou excessivamente ensaiadas.

“Respostas vagas, incoerentes ou muito ensaiadas podem prejudicar. O ideal é ser claro, objetivo e consistente ao explicar sua rotina e o motivo da viagem”, orienta.

Ela também esclarece que falar inglês não é um requisito obrigatório para vistos de turismo. “A entrevista pode ser feita em português e o idioma não é determinante nesses casos”, diz.

Outro ponto frequentemente superestimado pelos solicitantes é a quantidade de documentos apresentados. “Na maioria dos casos, os documentos nem são analisados. A decisão costuma ser tomada com base na entrevista, e os papéis só são solicitados se houver alguma dúvida específica”, explica.


Histórico migratório e vínculos continuam sendo decisivos

Segundo Ingrid, histórico migratório positivo e viagens internacionais anteriores podem contribuir para transmitir credibilidade ao consulado, mas continuam sendo fatores complementares.

“Ajuda porque demonstra um padrão de viagens com retorno ao país de origem. Mas não é obrigatório. O principal continua sendo os vínculos com o Brasil”, afirma.

Para a especialista, embora o processo seja rápido, a análise é criteriosa e baseada principalmente na percepção de credibilidade do solicitante.

“O agente avalia estabilidade profissional, renda compatível, histórico e, principalmente, a coerência das informações. Além disso, histórico migratório limpo, sem fraudes ou permanência irregular, é essencial”, reforça.

“No fim, a decisão responde a uma pergunta central: essa pessoa parece alguém que vai viajar e voltar?”, conclui.

 

Dra. Ingrid Domingues-McConville - advogada de imigração nos Estados Unidos há mais de 31 anos, membro da Ordem dos Advogados da Flórida e do Tribunal Distrital dos EUA, com atuação em imigração empresarial e familiar. Natural do Rio de Janeiro, é fluente em três idiomas e atua fortemente junto à comunidade brasileira na Flórida, acompanhando de perto as mudanças nas políticas migratórias e seus impactos práticos para estrangeiros.



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