Desaceleração
das vendas, juros elevados e margens de lucro pressionadas derrubaram otimismo
dos empreendedores
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) caiu 3,1% em abril. O
indicador, produzido pela Federação
do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP),
passou de 102,9 pontos, em março, para 99,7 pontos, no quarto mês do ano,
ficando abaixo do limite que separa o pessimismo do otimismo.
[GRÁFICO 1]
Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC)
Abril de 2025 a abril de 2026
Fonte: FecomercioSP
Na avaliação da FecomercioSP, o recuo do indicador
pelo terceiro mês consecutivo reflete o atual contexto econômico nacional. Os
sinais de desaceleração das vendas — e até mesmo de queda em alguns segmentos
—, somados às margens de lucro pressionadas, afetaram o caixa das empresas,
principalmente daquelas que já carregam dívidas acumuladas dos últimos anos.
Além disso, o conflito no Oriente Médio, com seus efeitos sobre o preço do
barril de petróleo, aliado às incertezas do cenário internacional — fatores que
influenciaram, inclusive, um corte menor da taxa Selic —, impactou
negativamente a confiança das empresas.
A expectativa era de uma nova reação do indicador com o início da queda da
Selic e a chegada de datas comemorativas, como o Dia das Mães. Contudo, como o
corte da taxa foi menor do que o esperado, não foi suficiente para sustentar a
confiança do empresariado.
Os juros elevados e a inadimplência em alta também afetam negativamente o
consumo. Por isso, a FecomercioSP recomenda que os negócios adotem uma postura
mais cautelosa quanto a novos investimentos e formação de estoques.
Apesar da queda mensal, o ICEC registrou alta de 2,1%, na comparação com o
mesmo período do ano passado.
Condições atuais: quesito com pior avaliação
O ICEC é composto pelos subíndices Índice das Condições Atuais do Empresário do
Comércio (ICAEC), Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) e
Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC). Em abril, todos os
quesitos sofreram queda na comparação mensal.
O ICAEC recuou 2,3%, passando de 75,6 para 73,8 pontos. Na comparação com o
mesmo período do ano passado, a variável cresceu 2,9%, mas segue como o item de
pior avaliação do ICEC. Este é o 38º mês consecutivo em que o subíndice
permanece abaixo dos 100 pontos. Segundo a Federação, esse movimento demonstra
que, embora as vendas tenham crescido nos últimos meses, os empresários ainda
estão insatisfeitos em relação à rentabilidade, à pressão de custos, aos juros
elevados e à política econômica do governo, entre outros aspectos.
[GRÁFICO 2]
Índices: ICAEC, IEEC e IIEC
Abril de 2025 a abril de 2026
Fonte: FecomercioSP
Já o IEEC
passou de 128,3 para 122,7 pontos, registrando recuo de 4,3%. A variável está
0,6% abaixo do apurado no mesmo mês do ano passado.
Por fim, o IIEC caiu 2,3%, para 102,6 pontos, mas apresenta alta de 5% em
relação a abril de 2025. Este subíndice tem oscilado em torno dos 100 pontos,
revelando que os empresários estão adotando uma postura mais cautelosa relacionada
a novos investimentos diante das incertezas econômicas e dos juros elevados.
Considerando o cenário eleitoral, a FecomercioSP acredita que esse
comportamento deve permanecer ao longo de 2026.
Índice de Expansão do Comércio (IEC)
O interesse dos empresários em relação a contratações, compra de máquinas e
equipamentos ou abertura de novas lojas, avaliado pelo IEC, recuou 1,5% em
abril, ao passar de 107 pontos, em março, para os atuais 105,4 pontos. Apesar
da queda, o índice está 5,1% acima do registrado em abril do ano passado. O
resultado indica uma desaceleração da propensão a investir, seja em
contratação, seja em capital físico.
[GRÁFICO 3]
Índice de Expansão do Comércio (IEC)
Série Histórica
Fonte: FecomercioSP
O Índice de Expectativa para Contratação de Funcionários (ECF) ficou em 117,8
pontos em abril — uma queda de 2% em comparação com os 120,1 pontos registrados
em março. Na comparação com abril do ano passado, houve crescimento de 5,8%. Na
prática, isso significa que os comerciantes paulistanos ainda pretendem ampliar
as equipes nos próximos meses, mesmo vivendo uma conjuntura econômica mais
desafiadora. É esse fator que impede o IEC de entrar na zona de pessimismo.
No entanto, a situação é diferente quando se trata de gastar com máquinas,
reformas, equipamentos ou expansão física. O Índice de Nível de Investimento
das Empresas (NIE) marcou 93,1 pontos em abril, ficando abaixo dos 100 pontos
pelo 17º mês consecutivo. Na comparação com março, houve queda de 0,9% em
relação aos 94 pontos registrados, a terceira retração seguida. Mesmo assim, no
acumulado anual, o índice ainda subiu 4,3%.
[GRÁFICO 4]
Expectativa para Contratação de Funcionários
e Nível de Investimento das Empresas
Fonte: FecomercioSP
Em 2026,
o IEC iniciou o ano em patamar mais positivo, acima dos 105 pontos. Na
avaliação da FecomercioSP, o resultado de abril, no entanto, confirma que esse
otimismo ainda enfrenta resistências. A combinação de juros elevados, mais
comprometimento da renda familiar e, agora, volatilidade no cenário externo com
a guerra no Oriente Médio impõe limites a uma expansão maior.
Os empresários do Comércio estão adaptando planos e postergando decisões
enquanto aguardam sinais mais claros de como a política econômica vai se
comportar após as eleições.
Notas metodológicas
ICEC
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) contempla a
percepção do setor em relação ao seu segmento, à sua empresa e à economia do
País. São entrevistas feitas em painel fixo de empresas, com amostragem
segmentada por setor (não duráveis, semiduráveis e duráveis) e por porte de
empresa (até 50 empregados e mais de 50 empregados). As questões agrupadas
formam o ICEC, que, por sua vez, pode ser decomposto em outros subíndices que
avaliam as perspectivas futuras, a avaliação presente e as estratégias dos
empresários mediante o cenário econômico. A pesquisa refere-se ao município de
São Paulo, contudo sua base amostral reflete o cenário da região metropolitana.
IEC
O Índice de Expansão do Comércio (IEC) é apurado todo mês pela
FecomercioSP, desde junho de 2011, com dados de cerca de 600 empresários. O
indicador vai de 0 a 200 pontos, representando, respectivamente, desinteresse e
interesse absolutos na expansão de seus negócios. A análise dos dados
identifica a perspectiva dos empresários do Comércio em relação a contratações,
compra de máquinas ou equipamentos, e abertura de novas lojas. Apesar de esta
pesquisa também se referir ao município de São Paulo, sua base amostral abarca
a região metropolitana.
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