terça-feira, 26 de maio de 2026

Cólicas incapacitantes e menstruação intensa: como a endometriose impacta a rotina e a produtividade das mulheres

Estudo revela que 6 em cada 10 mulheres já precisaram faltar ao trabalho devido aos sintomas menstruais; especialista alerta para sinais que não devem ser normalizados


Cólicas intensas, inchaço abdominal, alterações intestinais, fadiga, náuseas e dores incapacitantes ainda fazem parte da rotina de milhares de mulheres e, muitas vezes, esses sintomas são tratados como algo “normal” do período menstrual. No entanto, especialistas alertam que o desconforto persistente pode indicar doenças ginecológicas importantes, como endometriose, adenomiose e miomas uterinos, impactando diretamente a saúde física, emocional e até a produtividade no trabalho. 

Um estudo inédito realizado pela Essity, em parceria com a Dalia e a GPTW Brasil, aponta que 6 em cada 10 mulheres já precisaram deixar de trabalhar ou diminuir a intensidade da rotina profissional devido aos sintomas menstruais. O levantamento reforça o debate sobre os impactos da saúde feminina no mercado de trabalho e na qualidade de vida. 

Segundo o ginecologista e obstetra da Clínica Ginelife, Dr. Marcos Tcherniakovsky, que também é diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), muitas mulheres convivem com dores incapacitantes por anos antes de receberem um diagnóstico correto. 

“Desde a primeira menstruação, a mulher passa por mudanças hormonais e físicas que acompanham toda a vida reprodutiva. O problema é que sintomas importantes acabam sendo banalizados, principalmente as cólicas intensas e dores persistentes, o que contribui para o atraso no diagnóstico de doenças como a endometriose”, explica o especialista. 

A endometriose afeta cerca de 10% das pessoas que menstruam no Brasil, aproximadamente 8 milhões de brasileiras e ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir órgãos pélvicos e provocar dor crônica, infertilidade e alterações intestinais e urinárias. 

Além dos impactos físicos, a doença também interfere diretamente na saúde mental. De acordo com o Dr. Marcos, dores frequentes, sangramentos intensos e limitações na rotina favorecem o desenvolvimento de ansiedade, estresse, alterações do sono e até quadros depressivos. 

“O sofrimento da mulher ainda é frequentemente minimizado. Muitas escutam que sentir dor é normal ou exagero, o que gera culpa, insegurança e atraso na busca por ajuda médica. Quando existe acolhimento, diagnóstico adequado e tratamento individualizado, a paciente consegue recuperar sua qualidade de vida e ter mais bem-estar no trabalho e nas relações pessoais”, destaca. 

O especialista reforça que sintomas como dor intensa durante a menstruação, fluxo menstrual excessivo, dor na relação sexual, alterações intestinais no período menstrual e desconfortos que afetam a rotina não devem ser ignorados. 

Além da endometriose, outras condições também merecem atenção, como a adenomiose, quando o tecido do endométrio invade a musculatura uterina, causando aumento do fluxo menstrual e dores importantes e os miomas uterinos, tumores benignos bastante comuns entre as mulheres e que podem provocar sangramentos intensos, aumento abdominal e dores pélvicas. 

“Se os sintomas estiverem interferindo na sua rotina, produtividade ou qualidade de vida, procure avaliação médica especializada. O diagnóstico precoce faz diferença não apenas no tratamento, mas também na saúde emocional e na autonomia da mulher”, finaliza Dr. Marcos. 

 

Dr. Marcos Tcherniakovsky – Ginecologista e Obstetra – Especialista em Endometriose e Vídeo-endoscopia Ginecológica (Histeroscopia e Laparoscopia). É Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose. Médico Responsável pelo Setor de Vídeo-endoscopia Ginecológica e Endometriose da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC. Membro da comissão de especialidades na área de Endometriose pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Médico Responsável da Clínica Ginelife. Instagram: dr.marcostcher

 

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