Com direção e tradução de Domingos Nunez, espetáculo investiga a demência progressiva no Alzheimer a partir do drama de um ator que tenta a todo custo preservar sua memória
Concebida para ser representada por
dois atores, a versão mais velha e mais jovem do mesmo homem, Uma velha
canção, quase esquecida, da autora irlandesa Deirdre Kinahan, propõe
uma reflexão sobre a doença de Alzheimer. O espetáculo da Cia Ludens,
com tradução e direção de Domingos Nunez, tem sua temporada de estreia
no Sesc Pompeia de 2 a 24 de maio, com sessões às quartas, quintas e
sábados, às 20h, às sextas, às 16h e às 20h, e aos domingos, às 18h.
A peça narra a jornada para dentro da
alma e da vida de um velho ator, interpretado por Genezio de Barros,
que, vivendo com Alzheimer, escreve obstinadamente, na tentativa de manter na
memória os registros de pessoas e fatos que marcaram a sua história. Durante um
concerto no asilo onde mora, impulsionado pela música e auxiliado pela
duplicação mais jovem de si mesmo, papel de Iuri Saraiva, ele tenta
reconstruir sua carreira e relembrar de sua família e seus amores.
Escrita em 2023, com o título original de An Old Song, Half Forgotten, a peça estreou no palco Peacock do Abbey Theatre, o teatro nacional da Irlanda, em 14 de abril de 2023, e foi publicada na coletânea de peças curtas de Deirdre Kinahan, Shorts – Five Plays, pela editora Nick Hern Books, de Londres, no mesmo ano.
O texto propõe investigar a demência
progressiva que afeta irrecuperavelmente a memória e o comportamento daqueles
acometidos pelo Alzheimer. Evidenciando esse processo degenerativo, com o protagonista
muitas vezes metalinguisticamente lendo as falas escritas por ele mesmo – em
seu esforço para não esquecer fatos e sensações de sua trajetória – a encenação
pretende explorar a relação desse homem consigo mesmo que, por intermédio de
sua duplicação, identifica e interpreta as pessoas e peças que marcaram a sua
vida e sua carreira de ator. No entanto, mesmo essas anotações escritas não são
garantias de que os acontecimentos e indivíduos ficarão retidos na
lembrança.
Tanto a criação musical contundente da
montagem, assinada pelo violonista brasileiro Mario da Silva, quanto a
partitura verbal transposta para o português são aspectos de suma importância
neste texto curto de grande intensidade poética, uma vez que os episódios e as
figuras surgem a partir delas e os sentimentos e atmosferas são igualmente
desencadeados e sublinhados por elas em seus diversos timbres, ritmos e
possibilidades sonoras.
Desde o início os músicos Aline
Reis, Mafê e Vinícius Leite estão em cena. Em um primeiro momento,
eles parecem estar simplesmente tocando um concerto na casa de repouso onde
vive o protagonista, mas, gradativamente, entende-se que se trata também de uma
projeção da mente do protagonista, de mais uma possibilidade, como a palavra
escrita, de organizar e reter as recordações de uma mente confusa acerca do
tempo presente e de ocorrências do passado.
A investigação pretende explorar as
manifestações sonoras de uma maneira mais ampla, não restringindo sua
materialização apenas às execuções de partituras musicais, mas expandindo seu
campo de combinações às estruturas, ritmos e significados linguísticos
suscitados pelo Alzheimer e pela palavra escrita, além dos recursos dos sons fomentados
pela cena e pelas sonoridades do silêncio.
Sobre a autora
Deirdre Kinahan nasceu em Dublin, em 1968 e atualmente reside no condado de Meath. Fundou e dirigiu por 15 anos a Cia teatral Tall Tales, escrevendo e produzindo diversas peças teatrais para a Companhia. Tem colaborado ao longo dos anos com os principais teatros em atividade na Irlanda e no circuito internacional.
Atuou como membro do conselho do
Theatre Forum Ireland e do Abbey Theatre e é membro da Aosdána, um corpo de
artistas condecorados por sua notável contribuição à vida cultural
irlandesa.
Autora de inúmeras peças desde 1999, e
com diversos prêmios no currículo, teve Knocknashee – a colina das fadas,
peça de 2002, publicada no Brasil em 2025 pela editora Iluminuras, com tradução
de Beatriz Kopschitz Bastos e Lúcia K. X. Bastos. Este texto, juntamente com
outros quatro de autores contemporâneos, também publicados pela editora
Iluminuras, fizeram parte do V Ciclo de Leituras da Cia Ludens: Teatro
Irlandês, deficiência e protagonismo.
Ficha Técnica
Dramaturgia Original: Deirdre Kinahan
Curadoria: Beatriz Kopschitz
Bastos
Tradução e Direção Artística: Domingos
Nunez
Elenco: Genezio de Barros e Iuri Saraiva
Trilha Sonora Original: Mario da Silva
Direção Musical: Vinícius Leite
Músicos em Cena: Aline Reis, Mafê e Vinícius Leite
Figurinos: Chico Cardoso
Costureira: Lili Santa Rosa
Cenografia: Marisa Rebollo
Cenotecnia: Alício Silva/ Casa
Malagueta
Designer de Luz e Operação Técnica:
Zerlô
Técnico de Som: Valdilho Oliveira
Fotografia Artística: Ronaldo Gutierrez
Identidade Visual: Dalua Criações
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Captação e Edição: Ícarus Filmes
Tradução em Libras: Fabiano Campos
Produção Executiva: Luísa Silva
Direção de Produção: André Roman
Produção: Cia Ludens / Teatro de
Jardim
Sinopse
A peça
é uma jornada para dentro da alma e da vida de um velho ator, que, vivendo com
Alzheimer, escreve obstinadamente na tentativa de manter na memória os
registros de pessoas e fatos que marcaram a sua história. Durante um concerto
no asilo onde mora, impulsionado pela música e auxiliado pela duplicação mais
jovem de si mesmo, ele tenta reconstruir sua carreira e relembrar de sua
família e seus amores.
Serviço
Uma velha canção, quase esquecida, de Deirdre Kinahan
Temporada: 2 a 24 de maio de 2026
Quartas, quintas e sábados, às 20h;
sextas-feiras, às 16h e às 20h; e domingos, às 18h (sessões em Libras nos dias
8, 15 e 22/5)
Sesc Pompeia - Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo
Ingressos: R$60 (inteira), R$30 (meia-entrada) e R$18 (credencial
plena)
Vendas online em sescsp.org.br e presencialmente nas bilheterias de qualquer unidade do
Sesc São Paulo
Classificação: 12 anos
Duração: 70 minutos
Capacidade: 302 lugares
Acessibilidade: espaço acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade
reduzida.

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