Conheça 5 dicas para cuidar das disfunções tireoidianas e nódulo da tireoide
A tireoide exerce
um papel central na regulação do metabolismo energético, da termogênese, da
função cardiovascular, da saúde óssea e da modulação de vias neuropsíquicas.
Pequena no tamanho, mas essencial para o funcionamento do organismo, a tireoide
exerce um papel importante na regulação do metabolismo, da temperatura
corporal, da saúde cardiovascular, dos ossos e até do equilíbrio emocional.
Quando há alterações no funcionamento da glândula, diferentes sintomas podem
surgir e muitos deles confundidos com estresse, ansiedade ou cansaço da rotina.
Entre as principais disfunções estão o hipotireoidismo, hipertireoidismo e
doença nodular e figuram entre as endocrinopatias mais prevalentes na prática
ambulatorial, com impacto significativo nos desfechos cardiovasculares, ósseos
e reprodutivos, bem como na qualidade de vida. Queixas como fadiga crônica,
dificuldade para perder peso, queda de cabelo, alterações de humor e
intolerância térmica, frequentemente atribuídas ao estresse ou a hábitos de
vida, integram o espectro clínico de disfunções tireoidianas manifestas ou
subclínicas, conforme descrito em diretrizes internacionais.
Segundo o Adriano Cury, endocrinologista do Alta Diagnósticos, marca premium da
Dasa um dos principais desafios é que os sinais costumam surgir de forma
silenciosa e pouco específica, atrasando o diagnóstico. “Em muitos casos, os
pacientes associam os sintomas apenas ao estresse ou ao estilo de vida corrido,
o que pode fazer com que demorem para procurar avaliação médica”, explica o
especialista.
Do ponto de vista fisiopatológico, o hipotireoidismo em grande parte decorrente
de tireoidite crônica autoimune e associa-se a lentificação metabólica,
alterações do perfil lipídico, disfunção endotelial e maior risco de eventos
cardiovasculares em subgrupos selecionados. Já o hipertireoidismo,
frequentemente relacionado à doença de Graves, cursa com hipermetabolismo,
aumento da demanda cardiovascular e manifestações neuropsíquicas, estando
ligado a fibrilação atrial, piora de insuficiência cardíaca e perda de massa
óssea, com aumento do risco de fraturas, especialmente em mulheres na
pós-menopausa. Esses dados reforçam que tratar disfunções tireoidianas
significa também atuar sobre risco cardiometabólico e ósseo.
A doença nodular tireoidiana é extremamente prevalente, e a
maioria dos nódulos é benigna; apenas uma pequena proporção corresponde a
neoplasias malignas, sobretudo carcinoma papilífero. Dados do Global Cancer
Observatory e estimativas recentes do INCA indicam que o câncer de tireoide
está entre as neoplasias endócrinas mais frequentes, com aumento de incidência
atribuído em grande parte ao diagnóstico de microcarcinomas assintomáticos, o
que alimenta o debate sobre sobrediagnóstico e sobretratamento. “Por isso, a
avaliação de nódulos deve integrar anamnese, exame físico, ultrassonografia
cervical com sistemas padronizados de estratificação de risco (ATA, TI-RADS,
ACR TI-RADS) e uso criterioso da PAAF, reservando testes moleculares para
situações selecionadas, informa o endocrinologista.
De forma prática, a estratégia diagnóstica de maior valor combina anamnese estruturada, exame físico cervical cuidadoso e TSH como exame inicial, com expansão laboratorial e de imagem guiada pelos achados clínicos. Para o médico generalista, isso se traduz em investigar disfunção tireoidiana na presença de sintomas persistentes ou fatores de risco, reconhecer grupos de maior vulnerabilidade e encaminhar oportunamente para ultrassonografia, PAAF e avaliação especializada quando indicada. Tecnologias mais recentes, como ferramentas de inteligência artificial aplicadas à ultrassonografia, surgem como recursos complementares em centros de maior complexidade, mas não substituem a integração entre o julgamento clínico, a estratificação de risco baseada em evidências e as decisões compartilhadas com o paciente.
Dicas para cuidar da saúde da tireoide
1. Observe os sinais do corpoMudanças persistentes no
peso, energia, humor ou sono merecem atenção.
2. Faça check-ups regularmentePessoas com histórico
familiar, doenças autoimunes ou sintomas frequentes devem manter acompanhamento
médico.
3. Evite a automedicaçãoO uso inadequado de hormônios e
suplementos pode prejudicar o funcionamento da tireoide.
4. Mantenha hábitos saudáveisUma alimentação equilibrada
e o controle do estresse ajudam no equilíbrio hormonal.
5. Procure avaliação especializadaA presença de nódulos
ou sintomas persistentes deve ser investigada para evitar complicações futuras.
Nos últimos anos, ferramentas de inteligência artificial aplicadas à
ultrassonografia também passaram a auxiliar na avaliação de nódulos
tireoidianos. Ainda assim, especialistas reforçam que a análise clínica
individualizada continua sendo essencial para um diagnóstico preciso e um
tratamento adequado.
Referências:
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