Sensação de peso nas pernas após um dia mais corrido. Inchaço que piora no calor. Marcas da meia mais profundas no fim da noite. Desconforto que parece aumentar depois de certos alimentos
Muita gente associa esses sintomas apenas ao cansaço ou à
retenção de líquidos momentânea. Mas a alimentação pode, sim, influenciar
diretamente o funcionamento da circulação e a intensidade dos sintomas venosos.
Embora nenhum alimento “cause” ou “cure” varizes, alguns hábitos alimentares
podem favorecer inflamação, retenção de líquidos e piora do desconforto nas
pernas.
O que a alimentação tem a ver com a
circulação?
A circulação venosa depende de vários fatores: funcionamento das veias, movimentação muscular, genética, hormônios e também do equilíbrio do organismo como um todo.
Segundo a Dra. Dafne Leiderman, médica e cirurgiã vascular formada
pela USP, com doutorado pelo Hospital Israelita Albert Einstein e diretora da
SBACV regional São Paulo, a alimentação influencia principalmente os sintomas
associados à doença venosa: “Alguns padrões alimentares favorecem retenção de
líquidos, processos inflamatórios e ganho de peso, fatores que podem aumentar
sintomas como inchaço, sensação de peso e desconforto nas pernas.”
O excesso de sódio é um dos principais
vilões
Alimentos ultraprocessados, embutidos, temperos industrializados, salgadinhos e refeições muito ricas em sódio favorecem retenção hídrica e isso pode intensificar o inchaço nas pernas.
Em pessoas que já possuem predisposição à insuficiência
venosa, esse efeito tende a ser ainda mais perceptível. “Muitas pessoas relatam
piora importante do inchaço após excesso de sal, especialmente em dias mais quentes
ou após longos períodos sentadas”, explica a especialista.
Álcool e calor podem piorar os sintomas
Outro fator comum é o consumo excessivo de álcool. Bebidas alcoólicas favorecem vasodilatação, podendo aumentar a sensação de peso, desconforto e edema nas pernas.
As altas temperaturas também contribuem para dilatação das
veias, o que ajuda a explicar por que muitas pessoas sentem piora dos sintomas
no verão.
Peso corporal também influencia
O excesso de peso aumenta a pressão sobre o sistema venoso
dos membros inferiores, dificultando o retorno do sangue ao coração. Isso não
significa que pessoas magras não possam desenvolver doença venosa, genética,
gravidez e alterações hormonais também têm forte influência, mas o controle do
peso ajuda a reduzir a sobrecarga da circulação.
Existem alimentos que ajudam?
Alguns hábitos alimentares podem auxiliar no controle dos sintomas e contribuir para melhor equilíbrio vascular:
- Boa
hidratação ao longo do dia
- Alimentação
menos rica em ultraprocessados
- Consumo
adequado de fibras
- Frutas
e vegetais frescos
- Redução do excesso de sódio
No entanto, a Dra. Dafne faz um alerta importante:
“Alimentação saudável ajuda no controle dos sintomas e na saúde como um todo,
mas não substitui o tratamento das veias doentes quando existe insuficiência
venosa.”
Quando o inchaço merece investigação?
Nem todo inchaço é apenas retenção de líquido. Quando os sintomas são frequentes, persistentes ou vêm acompanhados de dor, sensação de peso, queimação ou aparecimento de varizes e microvasos, é importante investigar a circulação. Em alguns casos, o problema pode estar relacionado à veia safena ou a alterações venosas mais profundas.
Algumas medidas podem ajudar no dia a dia:
Reduzir excesso de sal e
ultraprocessados
Diminuir alimentos muito ricos em sódio ajuda a controlar
retenção de líquidos.
Manter boa hidratação
Beber água regularmente auxilia no equilíbrio circulatório e na drenagem natural do organismo.
Evitar longos períodos sentada ou em pé
Pequenas pausas para caminhar ajudam a ativar a circulação.
Praticar atividade física regularmente
Movimentar a musculatura da panturrilha melhora o retorno
venoso.
Procurar avaliação vascular se os
sintomas persistirem
Dor, inchaço e sensação de peso frequentes não devem ser
normalizados.
A avaliação com cirurgião vascular, associada ao ultrassom Doppler venoso quando indicado, permite identificar precocemente alterações na circulação e definir um tratamento adequado.
“Quanto mais cedo investigamos os sintomas, maiores são as
chances de evitar a progressão da doença venosa e melhorar a qualidade de vida
do paciente”, conclui a Dra. Dafne Leiderman.

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