terça-feira, 26 de maio de 2026

Acesso à educação inclusiva é desafio para muitas famílias


Encontrar uma instituição de ensino com capacidade para atendimento a alunos neurodivergentes (com TDAH, autismo, dislexia, discalculia, altas habilidades ou qualquer outra condição fora do padrão neurológico típico), ou seja, que contam com estratégias adequadas e profissionais devidamente capacitados, é um desafio que muitas famílias brasileiras ainda enfrentam, mesmo com a educação inclusiva sendo um direito garantido por lei.

De acordo com o Ministério da Educação, em 2025, o número de matrículas na educação especial chegou a 2,5 milhões. Somente na educação básica, em instituições públicas e privadas, elas saltaram de 312 mil para 850 mil entre os anos de 2015 e 2024, segundo levantamento do Instituto Rodrigo Mendes (IRM), organização sem fins lucrativos que desenvolve programas de pesquisa, formação continuada e controle social na área de educação inclusiva.

“O que se observa é que tem aumentado a demanda, mas na prática ela não tem sido absorvida como se deve. Não basta apenas matricular, é necessário que a inclusão ocorra de fato, garantindo reais condições de aprendizagem e desenvolvimento, com igualdade de oportunidades”, defende Clau Camargo, advogada e primeira-dama de Arujá (SP), que já atuou como presidente voluntária do Fundo Social de Solidariedade no município.

Entre os principais desafios está a falta de capacitação de professores, como aponta levantamento do IRM: para o atendimento na educação básica, apenas 151 mil professores já fizeram algum curso sobre inclusão com carga horária mínima de 80 horas. Isso representa apenas 6% do total. E desse total, de acordo com o MEC, somente 40% deles realizaram cursos específicos para atendimento educacional especializado.

“Os professores, no entanto, não podem e nem devem ser responsabilizados por essa defasagem, pois a grande maioria já é sobrecarregada por muitas horas de trabalhado e por salas de aula muitas vezes superlotadas”, diz a primeira-dama. “Portanto, cabe às instituições de ensino e aos nossos governantes a busca por caminhos que ofereçam a nossos alunos neurodivergentes uma educação inclusiva efetiva e de qualidade”, conclui Clau Camargo.


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