quinta-feira, 14 de maio de 2026

5 erros que transformam o feedback em uma experiência negativa

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Especialista em desenvolvimento humano, Reinaldo Rachid mostra como a forma de conduzir avaliações pode comprometer os resultados nas organizações


O feedback é amplamente reconhecido como uma das ferramentas mais importantes para o desenvolvimento de pessoas e para a melhoria dos resultados nas organizações.

No entanto, na prática, ele falha com frequência, não por falta de intenção, mas pela forma como é conduzido.

A partir da observação de diferentes contextos organizacionais ao longo de sua trajetória, Reinaldo Rachid, especialista em desenvolvimento humano e autor de "Gerar valor com pessoas", endenteu que o problema não está no feedback em si, mas na lógica com que ele é aplicado.

"Em vez de promover aprendizado, o feedback muitas vezes gera defensividade, insegurança e estagnação", revela.

A seguir, Rachid apresenta alguns dos principais fatores que comprometem a eficácia do feedback e aponta caminhos possíveis para transformá-lo em um verdadeiro instrumento de desenvolvimento.


1. Criticar o erro não é o mesmo que ensinar a acertar

Uma das falhas mais comuns do feedback está na confusão entre apontar o erro e orientar o caminho. Dizer a alguém que está errado não significa, necessariamente, ajudá-lo a acertar.

Muitos gestores se concentram em corrigir falhas, mas deixam de oferecer clareza sobre o que deve ser feito para atingir o resultado esperado. Sem essa orientação, o colaborador permanece sem referência concreta de evolução.


2. O feedback como julgamento ativa defesa, não aprendizado

Quando o feedback assume um tom de julgamento pessoal, ele deixa de ser uma ferramenta de desenvolvimento e passa a ser percebido como ameaça. Diante disso, ocorre uma reação natural: o chamado “modo de luta ou fuga”.

As pessoas tendem a se defender, justificar ou até transferir responsabilidades, em vez de refletir sobre como melhorar. Nesse contexto, o aprendizado é substituído pela autopreservação.


3. Feedback não é opinião pessoal

Outro equívoco recorrente é tratar o feedback como expressão de preferências individuais. Quando líderes confundem orientação com opinião, o processo se torna subjetivo, inconsistente e pouco útil.

Para que o feedback seja efetivo, ele precisa estar ancorado em critérios claros, objetivos e alinhados ao resultado esperado, não em gostos ou impressões pessoais.


4. Falta de clareza e atenção no processo

Um erro frequente é não reconhecer aquilo que já foi construído corretamente. Em muitos casos, o gestor pede ajustes sem destacar os pontos positivos ou sem explicar o que deve ser mantido.

Esse tipo de orientação incompleta gera retrabalho, frustração e perda de confiança. Sem atenção plena no momento do feedback, perde-se a oportunidade de consolidar aprendizados e direcionar com precisão.


5. Ausência de empatia cognitiva

Feedback não é apenas uma transmissão de informação, é um processo relacional. Por isso, exige o que chamo de empatia cognitiva: a capacidade de compreender o outro, escutá-lo de forma ativa e ajudá-lo a evoluir.

Sem esse envolvimento genuíno, o feedback se torna técnico demais ou distante, não gerando conexão nem aprendizado real. E, sem isso, o desenvolvimento contínuo, essencial em contextos complexos, não se sustenta.


Como transformar o feedback em uma ferramenta de valor

Para que o feedback cumpra seu papel, é necessário ressignificá-lo dentro da gestão.

"Uma das formas de fazer isso é integrá-lo a um ciclo contínuo de desenvolvimento, como o modelo PDCL (Plan, Do, Check, Learning), no qual o aprendizado se torna parte central do processo", explica Rachid.


Mais do que apontar falhas, o feedback precisa:

  • Ser baseado em informações objetivas, destacando não apenas lacunas, mas também avanços e caminhos possíveis
  • Ser respeitoso e generoso, focado na formação e no crescimento do outro
  • Apontar direção, ajudando o colaborador a entender como evoluir
  • Promover realização, reconhecendo que o trabalho é também um espaço de desenvolvimento individual

"No fim, o feedback eficaz não é aquele que corrige, mas o que desenvolve. Não é o que expõe, mas o que orienta. Não é o que julga, mas o que constrói", destaca o especialista.


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