sábado, 11 de abril de 2026

Quase 40% dos estudantes no Ensino Médio não sabem que profissão seguir

Divulgação

 Frente a esse cenário, escolas reforçam a importância de orientações e feiras profissionais

 

A indecisão sobre o futuro profissional marca boa parte dos estudantes no Ensino Médio. Dados de 2025 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - fórum internacional composto por mais de 30 países - indicam que quase 40% dos jovens de 15 anos não têm clareza sobre suas expectativas de carreira. O especialista em educação e CEO e um dos idealizadores do De Criança Para Criança (DCPC), Vitor Azambuja, avalia que, diante desse cenário, o contato com diferentes perfis profissionais é decisivo para ampliar horizontes. “Acho de extrema importância hoje, no mundo atual, onde novas profissões surgem a cada dia, as escolas levarem profissionais não só de medicina, de engenharia, advogados, mas profissionais que desenvolveram carreiras diferentes, com trabalhos diferentes, profissionais de startups, para os adolescentes começarem a pensar que o futuro é possível para eles”, ressalta.
Vitor destaca, ainda, o impacto desse contato na construção de perspectivas de futuro. “Você ter contato desde cedo com diferentes áreas abre um leque na cabeça do estudante muito grande, para ele pensar em possibilidades diferentes e vislumbrar um futuro possível”, pontua.
 

Os dados da OCDE mostram também que o acesso a experiências práticas segue limitado, uma vez que apenas 35% participaram de feiras de profissões, enquanto 45% visitaram ambientes de trabalho ou acompanharam profissionais.

Diante disso, instituições de ensino já estruturam iniciativas para aproximar estudantes de diferentes trajetórias profissionais. Na Escola Lourenço Castanho, no Campo Belo, Zona Sul de São Paulo, por exemplo, a proposta passa por reduzir a pressão associada à escolha de carreira e ampliar o repertório dos alunos por meio de atividades estruturadas. O diretor-geral e especialista em Orientação Profissional e também em Gestão, Alexandre Abbatepaulo, afirma que o foco está na construção de um ambiente mais acolhedor para essa fase. “A escola tem um papel fundamental na humanização do processo de escolha profissional. Em vez de reforçar a ideia de que o estudante precisa decidir o resto da vida, nem de que precisa fazer a escolha certa, ela pode criar espaços de escuta e acolhimento, ajudando cada jovem a reconhecer suas habilidades, valores e interesses”, explica.
 

Segundo Alexandre, a estratégia envolve diferentes frentes, que vão da orientação profissional a atividades práticas. “Isso passa por oferecer orientação profissional estruturada, discutir saúde emocional, propor atividades de autoconhecimento e, principalmente, garantir que o aluno se sinta autorizado a viver esse momento com tranquilidade. Quando a instituição promove um ambiente de reflexão, diálogo e apoio, e não de cobrança, ela reduz ansiedade e abre caminho para decisões mais maduras e conscientes”, pontua.

A aproximação com o mundo acadêmico e com o mercado de trabalho também faz parte desse processo. “Ao aproximar o cotidiano escolar de universidades, cursos técnicos e do próprio mercado de trabalho, a escola amplia esse repertório, permitindo que os jovens visualizem trajetórias possíveis. Essa conexão ajuda a desmistificar carreiras, tornar profissões mais concretas e contextualizar o aprendizado escolar dentro de projetos de vida”, destaca Alexandre.
 

Na Escola Gracinha, no Itaim Bibi, Zona Oeste de São Paulo, é organizada anualmente uma jornada profissional com participação ativa dos estudantes. A proposta começa com uma escuta dos próprios jovens para definir os temas abordados. O mestre em Educação e Tecnologia no Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), da Pós-Graduação da PUC-SP e coordenador-geral e pedagógico do Ensino Médio da Escola Gracinha, em São Paulo, Paulo Rotta, detalha a estrutura da iniciativa. “A jornada profissional tem duração de dois dias, duas manhãs, sendo composta, primeiramente, de uma escuta dos estudantes. Eles preenchem que profissões, que áreas, que tipo de atuação profissional gostariam de entrar em contato, de participar de uma mesa de apresentação.” 

A programação inclui, ainda, diferentes formatos de interação com profissionais e universitários, com o objetivo de ampliar perspectivas. “As mesas de apresentação têm duas modalidades, uma com profissionais adultos e outra mesclada com profissionais, mas com estudantes ou alunos da metade para frente do curso. Essa aproximação geracional já temos feito há cerca de dois anos. As áreas são as mais diversas e, a partir dessa escuta, a gente propõe muitas mesas simultâneas”, explica.

Além das mesas, a jornada se articula com outras iniciativas da escola, como visitas a ambientes de trabalho e eventos com instituições de ensino superior. “A proposta se compõe com outro programa de estágio, no qual os alunos visitam os espaços profissionais. Na jornada, a escola recebe os profissionais; no estágio sombra, os estudantes visitam os espaços de atuação profissional. Simultaneamente, sobretudo no segundo dia, ocorre uma feira de universidades, que reúne cerca de 17 instituições”, conclui.

 



Vitor Azambuja - Especialista em educação e criação, formado em publicidade, CEO e um dos criadores do programa De Criança Para Criança, sócio e diretor criativo da empresa.

Alexandre Abbatepaulo - Formado em Química e Pedagogia, com especialização em Orientação Profissional e também em gestão. Diretor da Escola Lourenço Castanho desde 2006.



Paulo Rota - Mestre em Educação e Tecnologia no Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), da Pós-Graduação da PUC-SP. É também pós-graduado em Administração Escolar e Coordenação Pedagógica pela Universidade Veiga de Almeida, além de bacharel e licenciado em História pela Faculdade de Ciências Sociais da PUC -SP. Coordenador geral e pedagógico do Ensino Médio da Escola Nossa Senhora das Graças - Gracinha, SP. Foi colaborador dos Referenciais Curriculares para a Elaboração dos Itinerários Formativos, do Ministério da Educação. É autor de livros de Projeto de Vida (PNLD 2021), Novas Práticas para Ensino Médio – Sociologia (PNLD 2021), Protagonismo Juvenil (PNLD 2021), Sociologia (PNLD 2026), além de materiais didáticos de Educação Integral. Atua como formador de equipes técnicas, professores, coordenadores e gestores de diversas Secretarias de Educação no Brasil e de escolas da rede privada, na construção de currículos e implementação da BNCC. Consultor e leitor crítico de currículos de Educação Integral do Novo Ensino Médio. Possui anos de experiência como professor, coordenador e gestor escolar da Educação Básica, sendo responsável pela implementação de Ensino Médio inovador.



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