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Frente a esse cenário, escolas reforçam a importância de orientações e feiras profissionais
A indecisão sobre o futuro profissional marca boa parte dos
estudantes no Ensino Médio. Dados de 2025 da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE) - fórum internacional composto por mais de 30
países - indicam que quase 40% dos jovens de 15 anos não têm clareza sobre suas
expectativas de carreira. O especialista em educação e CEO
e um dos idealizadores do De Criança Para Criança (DCPC), Vitor Azambuja, avalia
que, diante desse cenário, o contato com diferentes perfis profissionais é decisivo
para ampliar horizontes. “Acho de extrema importância hoje, no mundo atual,
onde novas profissões surgem a cada dia, as escolas levarem profissionais não
só de medicina, de engenharia, advogados, mas profissionais que desenvolveram
carreiras diferentes, com trabalhos diferentes, profissionais de startups, para
os adolescentes começarem a pensar que o futuro é possível para eles”,
ressalta.
Vitor destaca, ainda, o impacto desse contato na
construção de perspectivas de futuro. “Você ter contato desde cedo com
diferentes áreas abre um leque na cabeça do estudante muito grande, para ele
pensar em possibilidades diferentes e vislumbrar um futuro possível”, pontua.
Os dados da OCDE mostram também que o acesso a experiências
práticas segue limitado, uma vez que apenas 35% participaram de feiras de
profissões, enquanto 45% visitaram ambientes de trabalho ou acompanharam
profissionais.
Diante disso, instituições de ensino já estruturam iniciativas
para aproximar estudantes de diferentes trajetórias profissionais. Na Escola
Lourenço Castanho, no Campo Belo, Zona Sul de São Paulo, por
exemplo, a proposta passa por reduzir a pressão associada à escolha de carreira
e ampliar o repertório dos alunos por meio de atividades estruturadas. O
diretor-geral e especialista em Orientação
Profissional e também em Gestão, Alexandre Abbatepaulo,
afirma que o foco está na construção de um ambiente mais acolhedor para essa
fase. “A escola tem um papel fundamental na humanização do processo de escolha
profissional. Em vez de reforçar a ideia de que o estudante precisa decidir o
resto da vida, nem de que precisa fazer a escolha certa, ela pode criar espaços
de escuta e acolhimento, ajudando cada jovem a reconhecer suas habilidades,
valores e interesses”, explica.
Segundo Alexandre, a estratégia envolve diferentes frentes, que
vão da orientação profissional a atividades práticas. “Isso passa por oferecer
orientação profissional estruturada, discutir saúde emocional, propor
atividades de autoconhecimento e, principalmente, garantir que o aluno se sinta
autorizado a viver esse momento com tranquilidade. Quando a instituição promove
um ambiente de reflexão, diálogo e apoio, e não de cobrança, ela reduz
ansiedade e abre caminho para decisões mais maduras e conscientes”, pontua.
A aproximação com o mundo acadêmico e com o mercado de trabalho
também faz parte desse processo. “Ao aproximar o cotidiano escolar de
universidades, cursos técnicos e do próprio mercado de trabalho, a escola
amplia esse repertório, permitindo que os jovens visualizem trajetórias
possíveis. Essa conexão ajuda a desmistificar carreiras, tornar profissões mais
concretas e contextualizar o aprendizado escolar dentro de projetos de vida”,
destaca Alexandre.
Na Escola Gracinha, no Itaim Bibi,
Zona Oeste de São Paulo, é organizada anualmente uma jornada profissional com
participação ativa dos estudantes. A proposta começa com uma escuta dos
próprios jovens para definir os temas abordados. O mestre em Educação e Tecnologia no
Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), da
Pós-Graduação da PUC-SP e coordenador-geral e pedagógico do Ensino Médio da Escola
Gracinha, em São Paulo, Paulo Rotta, detalha a estrutura da iniciativa. “A jornada profissional tem
duração de dois dias, duas manhãs, sendo composta, primeiramente, de uma escuta
dos estudantes. Eles preenchem que profissões, que áreas, que tipo de atuação
profissional gostariam de entrar em contato, de participar de uma mesa de
apresentação.”
A programação inclui, ainda, diferentes formatos de interação com
profissionais e universitários, com o objetivo de ampliar perspectivas. “As
mesas de apresentação têm duas modalidades, uma com profissionais adultos e
outra mesclada com profissionais, mas com estudantes ou alunos da metade para
frente do curso. Essa aproximação geracional já temos feito há cerca de dois
anos. As áreas são as mais diversas e, a partir dessa escuta, a gente propõe
muitas mesas simultâneas”, explica.
Além das mesas, a jornada se articula com outras iniciativas da
escola, como visitas a ambientes de trabalho e eventos com instituições de
ensino superior. “A proposta se compõe com outro programa de estágio, no qual
os alunos visitam os espaços profissionais. Na jornada, a escola recebe os
profissionais; no estágio sombra, os estudantes visitam os espaços de atuação
profissional. Simultaneamente, sobretudo no segundo dia, ocorre uma feira de
universidades, que reúne cerca de 17 instituições”, conclui.
Vitor Azambuja - Especialista em educação e criação, formado em publicidade, CEO e um dos criadores do programa De Criança Para Criança, sócio e diretor criativo da empresa.
Alexandre Abbatepaulo - Formado em Química e Pedagogia, com especialização em Orientação Profissional e também em gestão. Diretor da Escola Lourenço Castanho desde 2006.
Paulo Rota - Mestre em Educação e Tecnologia no Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), da Pós-Graduação da PUC-SP. É também pós-graduado em Administração Escolar e Coordenação Pedagógica pela Universidade Veiga de Almeida, além de bacharel e licenciado em História pela Faculdade de Ciências Sociais da PUC -SP. Coordenador geral e pedagógico do Ensino Médio da Escola Nossa Senhora das Graças - Gracinha, SP. Foi colaborador dos Referenciais Curriculares para a Elaboração dos Itinerários Formativos, do Ministério da Educação. É autor de livros de Projeto de Vida (PNLD 2021), Novas Práticas para Ensino Médio – Sociologia (PNLD 2021), Protagonismo Juvenil (PNLD 2021), Sociologia (PNLD 2026), além de materiais didáticos de Educação Integral. Atua como formador de equipes técnicas, professores, coordenadores e gestores de diversas Secretarias de Educação no Brasil e de escolas da rede privada, na construção de currículos e implementação da BNCC. Consultor e leitor crítico de currículos de Educação Integral do Novo Ensino Médio. Possui anos de experiência como professor, coordenador e gestor escolar da Educação Básica, sendo responsável pela implementação de Ensino Médio inovador.

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